Viver

Conheça o homem que quer viver até aos 180 anos (e já gastou dois milhões de dólares a tentá-lo)

Dave Asprey, empresário de Silicon Valley, tem investido anos – e milhões de dólares – no biohacking. Portanto, é um messias frenético? Ou anda atrás de alguma coisa?

Foto: Trevor Brady
23 de julho de 2021 | Guy Kelly

Pela visão convencional, Dave Asprey é, decididamente, um homem de meia-idade. Tem 48 anos, é casado, pai de dois filhos em idade escolar e orgulhoso possuidor de algum cabelo grisalho. Gosta de gadgets, bugigangas, bom café e tendências de fitness. E tem um podcast. No entanto, a visão convencional é um dos dois piores pesadelos de Asprey. O outro é o envelhecimento. E por isso não se considera, de todo, um homem de meia-idade. Não. Aos 48 anos, Asprey está convicto de que é o mais velho jovem adulto do mundo. "Sim, é assim que me vejo", diz ele, sorrindo para a câmara da nossa conversa via Zoom. "Estou nos 28% do meu tempo de vida". Ele planeia viver até aos 180 anos. A loucura da juventude é isso?

Dave Asprey é um biohacker [técnica que recorre à tecnologia e à biologia para que as pessoas consigam elevar ao máximo o seu desempenho corporal]. Ou, tal como explica, é "o pai do biohacking". Investidor e empresário de Silicon Valley [berço das maiores empresas de tecnologia do mundo, que fica na zona da Baia de São Francisco, Califórnia – nos EUA], é há quase duas décadas pioneiro na prática de aplicar a abordagem de um pirata informático [hacker] à sua própria mente e corpo. Recorrendo a inovações tecnológicas, muita autoexperimentação e doses necessariamente ilimitadas de otimismo, os biohackers acreditam que podem alcançar níveis de eficiência e longevidade nunca vistos no ser humano.

Ninguém leva isto mais a sério do que Asprey, um americano que diz que já gastou mais de dois milhões de dólares ‘a controlar a sua própria biologia’, otimizando a sua existência, reduzindo a sua idade biológica – e, aparentemente, conseguindo acrescentar pelo caminho mais 20 pontos ao seu QI.

Há 17 anos, Asprey estava a fazer trekking no Tibete quando foi acometido pelo mal de altitude [hipobaropatia; também conhecido como mal da montanha, mal das alturas ou soroche]. Os habitantes locais deram-lhe a beber um chá tradicional com manteiga feita a partir de leite de iaque. Depois de beber uma chávena desse chá, Asprey sentiu o seu primeiro – mas decididamente não o último – impulso do Complexo do Messias: era um homem renascido. Cinco anos após aquele trekking, divulgou uma receita online e mais tarde lançou o café à prova de bala (Bulletproof coffee), uma bebida matinal composta por uma mistura de café já preparado, manteiga obtida do leite de animais alimentados no pasto e óleo à base de MCT (um derivado do óleo de coco com gorduras de fácil digestão). Ele declarou que isso nos faria sentir com mais energia, mais focados e saciados a ponto de não andarmos depois a petiscar. Nasceu uma nova moda alimentar.

Em apenas alguns anos, os ‘suspeitos do costume’ converteram-se todos ao Bulletproof – indivíduos de Silicon Valley, influenciadores endinheirados do mundo do fitness, uma loja física de venda de café e acólitos como David Beckham, Ed Sheeran e até mesmo Tom Watson, ex-deputado trabalhista do Reino Unido que se tornou um símbolo do emagrecimento. Até mesmo a grande dama da pseudociência para famosos, Gwyneth Paltrow, deu a sua aprovação ao servir este café na sua primeira Cimeira Goop do Bem-estar [Goop é a marca de lifestyle de Paltrow].

Atualmente, Asprey calcula que já tenham sido consumidos bem mais de 150 milhões de chávenas do seu cremoso elixir oleaginoso. Os seus seguidores no Instagram superam os 300 mil e já escreveu livros sobre variados temas, desde o envelhecimento até ‘como vencer na vida’, além de um outro que acabou de sair: Fast This Way. Afirma que o seu podcast, Bulletproof Radio, já foi descarregado 175 milhões de vezes. E, segundo a internet, o seu património ascende a 27,5 milhões de dólares. "Não devia acreditar no que lê online. Não sei de onde raio é que surgem essas coisas", diz ele.

Bom, mas certamente que tem dinheiro? "Oh, claro que sim. Estou financeiramente bem, sim".

No lançamento dos Bulletproof Labs em Santa Monica, Califórnia, 2017
No lançamento dos Bulletproof Labs em Santa Monica, Califórnia, 2017 Foto: Getty Images

A vida de um biohacker

São 7:30 da manhã na Ilha de Vancouver (Canadá), onde Asprey vive com a sua mulher, Lana, uma médica que gere um consultório de fertilidade natural e gravidez saudável – que ele conheceu numa conferência de combate ao envelhecimento – e os seus dois filhos, Anna de 13 anos e Alan de 11. Têm uma pequena quinta de permacultura com ovelhas, galinhas e "montes de vegetais". Está a pé há uma hora e 10 minutos, mas parece tremendamente desperto, e bebe uma chávena de… você sabe o quê. "Isto contém fibra prebiótica, que é um produto de alimento interno que fabricamos, bem como óleo MCT e manteiga. Deste modo, não fico com fome. A minha última refeição foi ontem às 17:30 mas estarei a dar entrevistas até às 14:00, por isso hoje estarei em jejum intermitente, porque me dá jeito que assim seja".

Não há nada que ele não monitorize em si mesmo. Quando acabou de mexer num filtro do Zoom que faz parecer que tem bigode (um aumento estranhamente simples, tendo em conta que já injetou células estaminais no seu pénis), perguntei-lhe como é que foi a sua noite de sono. "Deixe-me ver", diz ele, retirando o seu telefone, que está conectado ao seu volumoso Oura Ring [anel inteligente de monitorização do estado de saúde] – o rastreador de saúde preferido de Silicon Valley e do Príncipe Harry. "Sete horas de sono, duas horas e 10 minutos de sono profundo e uma hora e 23 minutos de REM [Rapid Eye Movement – fase do sono com intensa atividade cerebral e movimentos oculares rápidos]. Teria adorado ter mais 20 minutos de REM, mas acordei cedo para esta entrevista. Por isso é culpa sua, homem".

Atrás dele veem-se instrumentos de laboratório, mostradores enormes, a réplica do crânio de um crocodilo e, claro, uma máquina de café. Trata-se do Alpha Labs, o seu laboratório residencial no valor de vários milhões de dólares. No andar de baixo há uma câmara de crioterapia, uma cápsula de infravermelhos, um simulador atmosférico de regeneração celular que o ‘transporta’ até ao topo do Everest e máquinas futuristas de exercício que significam que Asprey consegue fazer uma sessão de ginásio de duas horas e meia em 20 minutos (não sei bem como; tem algo a ver com vibrações [existe uma plataforma que vibra 30 vezes por segundo]).

Espero que Asprey não fique desgostoso ao ler que, na realidade, parece ter um pouco mais de 48 anos. Não que tenha um ar abatido – tem uma tez suave, um bronzeado saudável, umas covinhas no rosto onde poderíamos estacionar o carro – mas há algo que destoa, pois parece que a sua cabeça não combina com o resto do corpo, tão acetinado e definido. É como se a personagem Parker [que faz de mordomo e motorista] da série televisiva Thunderbirds tirasse o uniforme e mostrasse mamilos com piercings.

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Como viver para sempre

Asprey fez há alguns anos a sua declaração dos ‘180’ [anos] e desde então que está associado a ela. Será que se arrepende de ter estabelecido um número? "Não lamento a declaração dos 180. De forma alguma", afirma. "Só queria que as pessoas dissessem ‘Dave, estás a ser demasiado conservador’. Porque há uma grande probabilidade de você viver – e quando digo ‘viver’ não me refiro a estar numa cadeira de rodas cheio de tubos e fraldas, refiro-me a movimentar-se normalmente, a poder continuar a cuidar de si mesmo – com a sabedoria de 100 anos no seu corpo e a energia de uma pessoa que tem 35 ou 40 anos. É esse o mundo que está para vir. Sinto-o na pele, consigo visualizar isso e estou a trabalhar para que seja possível".

A pessoa que bateu o recorde da longevidade, a francesa Jeanne Calment, supostamente viveu até aos 122 anos; houve outra que viveu 119. O argumento de Asprey é que, com todas as inovações tecnológicas e do campo da medicina que estão para vir, 50% mais do que 120 [ou seja, 180] é uma estimativa razoável – mesmo para o comum dos mortais que não dispõe de milhões de dólares para gastar a tentar essa proeza. "Acho que poderemos pensar na meta de várias centenas de anos de idade para as pessoas. E será que todos vão viver várias centenas de anos? Provavelmente não. Mas se olharmos para 1990, a única pessoa que tinha um telemóvel gastou 40.000 dólares e todos pensaram ‘quem é que este pensa que é?’ Bem, agora consegue-se comprar um telemóvel por 1 dólar, não é?"

"É assim que as coisas funcionam, as coisas democratizam-se. Se você gerir uma empresa que produz terapias anti-envelhecimento, prefere vender 2.000 dessas terapias a multimilionários ou dois mil milhões dessas terapias a toda a gente? Isto é economia básica".

A suplementação diária é uma constante na vida de Asprey
A suplementação diária é uma constante na vida de Asprey Foto: Unsplash

De ‘gordo’ a ‘em forma’

Asprey não foi sempre assim. Enquanto criança, quando vivia no estado norte-americano de New México, teve problemas de saúde: na sua adolescência teve artrite em ambos os joelhos, sangrava persistentemente do nariz e tinha faringites recorrentes. Com 20 e poucos anos era obeso, tinha ‘mama masculina’ [ginecomastia] e tinha dificuldades em caber na sua t-shirt XXL. Chegou a pesar 134 quilos. Apesar de fazer exercício durante 90 minutos por dia e de restringir as suas calorias, diz que continuava a oscilar muito de peso e que, já perto dos 30 anos, os médicos lhe terão dito que corria o sério risco de vir a ter um AVC ou um ataque cardíaco. "Apesar de ainda não ter 30 anos, tinha um corpo mais parecido com o de uma pessoa de 60 anos em fase de declínio", escreve no seu novo livro.

Mas ele era inteligente; os seus pais, ambos cientistas, incutiram-lhe o gosto pela experimentação e cedo começou a fazer experiências consigo mesmo. Tentou fazer uma dieta pobre em carboidratos sobre a qual leu numa revista de musculação e perdeu 22 quilos, gastou 1.200 dólares em ‘fármacos inteligentes’ para o ajudarem na concentração e memória, e à noite pesquisava tudo o que conseguia sobre como otimizar o seu corpo e cérebro.

Enquanto isso, aventurou-se nas tecnologias, tendo aparentemente sido a primeira pessoa que vendeu algo na internet (uma t-shirt com uma frase estampada que dizia ‘a cafeína é a minha droga de eleição") enquanto ainda andava na faculdade. Quando fez o tal trekking no Tibete, tinha já trabalhado em várias empresas tecnológicas, como engenheiro e diretor web, e era nessa altura um investidor. Sentia-se fascinado com a ideia de que os princípios das tecnologias da informaçã

o (TI) poderiam casar-se com as ideias do movimento ‘New Age’ de melhoria da vida. 

O diário do sexo

Asprey é, segundo ele, "um pirata informático da gordura, através do treino" – que é onde as suas qualificações em matéria de regimes alimentares e nutrição começam e acabam. Irrita os seus críticos, mas isso não o incomoda, é um orgulhoso autodidata e o seu principal "doente", disposto a investigar tudo. Foi por isso que chegou a ter um diário de ejaculação durante um ano, para descortinar quantas vezes devem os homens ter orgasmos. (Conclusão: não mais do que cerca de uma vez por semana, se bem que se deva ter sexo o mais frequentemente possível. As mulheres, em contrapartida, devem ter tantos orgasmos quanto possam).

Talvez tenha sido também por isso que já injetou mais células estaminais em si mesmo do que qualquer outra pessoa no planeta, tendo tido sempre vários objetivos, como acabar com inflamações, fazer desaparecer lesões ou apenas reverter o envelhecimento. Pediu para lhe serem injetadas células estaminais nas suas pernas, braços, pescoço, rosto, pénis, etc. Há algumas semanas colocou um vídeo no Instagram a receber uma dose de células estaminais nas nádegas. "Foi apenas um retoque. Nos primeiros dois dias [depois do procedimento], a minha destreza mental esteve em baixo, o que não é habitual em mim, mas agora estou a sentir-me muito bem". Esta é apenas parte da rotina de Asprey. Ele dorme cerca de sete horas por noite, raramente bebe álcool (e, quando o faz, ingere – ao que se diz – carvão vegetal ativado para prevenção de ressacas) e evita longas sessões de exercício aeróbico, que crê ser ineficiente.

E em relação a suplementos?

"Tomo cerca de 100 [por dia]. Deixe-me mostrar-lhe. Com a sua pergunta, acabou de me lembrar que ainda não os tomei esta manhã". Traz o que parece ser uma daquelas bolsas plásticas onde colocamos os nossos produtos de higiene no aeroporto, só que está cheia de comprimidos intensamente coloridos. Despeja uma série deles na palma da mão, mete-os à boca e por momentos parece uma gaivota engasgada com batatas fritas, antes de dar uns goles na sua água San Pellegrino para os fazer descer. "Pronto, já está. Isto foi metade da dose. Tomo a outra metade depois da entrevista. Mas não é nada de especial. O mais importante é saber quais devemos tomar".

Uma década de testes ao sangue e à urina permitiu a Asprey chegar ao seu cocktail perfeito de suplementos, que incluem as vitaminas A, C e D, além da vitamina K2 (para a densidade óssea), óleo de crustáceos (para o cérebro, coração e pele), L-tirosina (para o humor) e metilfolato (para "reforçar a função cerebral"). Além desses 100 suplementos, também toma um ‘fármaco inteligente’, como o modafinil (estimulante que combate a sonolência associada à narcolepsia) se ficar a escrever até tarde (casos em que, a propósito, usa uns óculos com lentes especiais, de modo a que a luz azul não o incomode). E há também as pequenas doses de nicotina em spray que aplica na língua algumas vezes ao dia. Fumar é mau, diz, mas nicotina em microdoses é um estimulante cerebral.

Dave Asprey nos Build Studios em Nova Iorque, 2019
Dave Asprey nos Build Studios em Nova Iorque, 2019 Foto: Getty Images

O poder do jejum

E o mesmo acontece com o jejum, que é o tema do novo livro de Asprey. Em 2008, apesar de já ter perdido 44,5 quilos desde o seu peso máximo, estava farto das outras dietas da moda, continuava a petiscar biscoitos e snacks e tinha uma estranha sensação de vazio, pelo que decidiu ir até ao deserto no Arizona e viveu numa gruta, sozinho, a consumir apenas água e pó durante quatro dias. E regressou a casa a sentir-se fantástico.

O jejum intermitente era algo que se lhe adequava, mas Asprey tem visto pessoas a "irem-se abaixo" com o jejum ao puxarem demasiado por elas mesmas. Foi por isso que escreveu o livro. "Tenho 10 anos de experiência, ajudei milhares de pessoas através dos meus canais e também devo partilhar isso".

Não se destina unicamente a milionários com uma forte aceleração das funções do organismo. Asprey nutre mesmo um sentimento de solidariedade pelas pessoas que não conseguem resistir ao impulso de comer três croissants com amêndoas antes do meio-dia. "Se você dormiu mal, se estiver envolvido numa disputa com o seu companheiro ou se fez um treino pesado, tome o pequeno-almoço. Mas coma salmão fumado ou proteína e gordura, que vão fazer com que se sinta saciado até à hora do almoço", diz.

Se estiver preparado para experimentar o jejum, comece com um café simples, sem açúcar e sem leite, recomenda Asprey. "Esse bocadinho de cafeína irá duplicar a produção, no seu organismo, de moléculas que queimam gordura, as cetonas. E isso acaba com a sensação de fome. Se juntar óleo MCT ou manteiga proveniente de leite de animais de pasto, então não vai sentir fome. Nem sequer pensará no croissant. Literalmente, nem sequer pensará em comer".

E em relação ao almoço?

"O que é o almoço? O que é o almoço?", diz em tom de brincadeira. "Cerca de 15% do pensamento do comum dos mortais diz respeito à refeição seguinte. Se você fizer aquele pequeno ajuste logo pela manhã, passará a dispor de mais 15% dos seus pensamentos disponíveis para outras coisas". A sua mulher Lana converteu-se a esta filosofia. Até mesmo os seus filhos seguem este regime e também bebem o café à prova de bala (se bem que em pequenas quantidades).

"A minha filha faz biohacking. Ela faz-me perguntas do tipo ‘papá, não percebo porque é que, assim que chego à escola, tentam que comamos um snack. Os meus amigos não tomam o pequeno-almoço?’ Eles [os filhos de Asprey] não praticam o jejum intermitente, mas não têm as ânsias e distrações que normalmente se vê nos miúdos porque tomam um pequeno-almoço que é suficiente".

O terapeuta nutricional Ian Marber não está tão convencido disso. "Trata-se de não comer e de só beber café. Se formos a detalhar as coisas, retirando o ‘alimentado no pasto’ e tudo o mais, tudo se resume a um estimulante e gorduras. Faz sentido, mas não há muitos estudos sobre isto – e por que razão devia haver? É enfadonho, a menos que se esteja a vender café", diz Marber, que conta com mais de 20 anos de experiência e parece um pouco cansado dos gurus autodidatas dos estilos de vida.

"Estas pessoas surgem com novos nomes para coisas que já se fazem há muito tempo. É o caso do jejum intermitente. Se você tiver trabalhado com alguém na década de 1980, mais provavelmente uma mulher, que saltava o pequeno-almoço e só bebia café simples, mas que dizia que só estava ‘a fazer dieta’, ficaria preocupado com esse comportamento. Mas chame-lhe ‘jejum intermitente’ e já parece uma coisa completamente diferente". Ian Marber suspira. "Por um lado, comemos demasiado e as pessoas podem recorrer ao jejum para perder peso. Por outro lado, a comida representa alegria e não é um mero sinónimo de alimento. Reduzi-la a uma coisa que tem de ser controlada é menos prazeroso".

Com a mulher, Lana Asprey num evento em 2018 em Beverly Hills, Califórnia
Com a mulher, Lana Asprey num evento em 2018 em Beverly Hills, Califórnia Foto: Getty Images

Asprey, por seu lado, não se incomoda com os opositores e críticos com que se depara online. "Há dois tipos de críticos. Há aqueles que dizem ‘sabe, Dave, analisei os dados e tenho questões importantes a colocar’ – e eu respondo ‘então falemos disso, estou interessado nisso’. Adoro que me façam perguntas difíceis sobre a minha ciência, preciso que haja mais disso… mas o crítico comum é alguém que foi motivo de gozo no 7.º ano e nunca mais superou isso". Asprey ri-se. "E por isso eles dirão que sou um vendedor de ‘banha da cobra’. E a esses normalmente respondo dizendo ‘sim, mas é banha de cobra alimentada no pasto, e é muito melhor do que banha de cobra cheia de bolor, quer experimentar um pouco?’ É nessa altura que costumam ficar verdadeiramente zangados e vão embora".

Ele tem, claramente, confiança suficiente para viver três vidas. E se chegar a 2153, com 180 anos mas com a energia de uma criança depois de comer gomas, quem sabe do que nos terá convencido até aí? Ainda assim, questiono-me sobre o que seria vivermos tanto tempo. Acho que eu ficaria suicidamente enfadado, especialmente se todos os meus pares tivessem morrido, restando apenas eu, um grupo de jovens astronautas e um grupo de orgulhosos biohackers nascidos séculos antes. O que faria ele, por exemplo, se Lana não conseguisse lá chegar?

"Oh, ela vai lá chegar. Basicamente, o que lhe disse foi ‘hei, vamos a isto!’", responde Asprey. "Sabe, é possível que eu possa vir a cometer algum grande erro, algo que eu pense que é antienvelhecimento e que na realidade seja próenvelhecimento, mas tenho sido muito rigoroso". Encolhe os ombros. "Nós parecemos mais novos, sentimo-nos mais novos e somos metabolicamente mais novos do que a média das pessoas da nossa idade. Parece estar a resultar".

Guy Kelly/The Telegraph/Atlântico Press

Tradução: Carla Pedro

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