Prazeres

Já decidiu onde jantar hoje? Três sugestões na capital

Palácios modernos, drogarias recuperadas e perfumaria de nicho servida às refeições. Tudo num ambiente cosmopolita com cartas desarmantes e DJ’s a animar as noites. Se está por Lisboa a aproveitar o final do verão, estes são os hotspots do momento.

O Palácio Chiado alia o requinte de outrora à vivência moderna
O Palácio Chiado alia o requinte de outrora à vivência moderna Foto: D.R.
27 de agosto de 2021 | Marta Vieira

Drogaria

Entre a Lapa e a Pampulha, num antigo bairro lisboeta, encontra este bonito restaurante e a sua recatada esplanada. A história é incomum. Nos anos 70, era na drogaria do Sr. Albino que Paulo Aguiar aviava recados à mãe. Depois de viajar pela Ásia e pelo Médio Oriente, o engenheiro civil voltou às ruas que o viram crescer e abriu o seu próprio negócio, nesse mesmo espaço. O restaurante Drogaria surge assim em 2019 e, depois de sobreviver a um 2020 atribulado, vê com o desconfinamento gradual a derradeira oportunidade de brilhar. O espaço prima por um design art déco que é puro deleite à vista e nos faz querer absorver cada detalhe. A cozinha é contemporânea com inspiração tradicional portuguesa, muito pelo saudosismo provocado pela época em que o proprietário esteve fora de Portugal, longe da comida lusa. Já a técnica e experiência devem-se ao chef Daniel Sousa, que – com um percurso admirável por locais com estrela Michelin e em zonas como Barcelona, Macau ou Açores – se juntou recentemente à equipa, acrescentando novidades à carta.

Logo à entrada do Drogaria, é possível observar o estilo retro que domina o espaço
Logo à entrada do Drogaria, é possível observar o estilo retro que domina o espaço Foto: Mário Cerdeira

Para começar, destacamos as gyosas de cozido à portuguesa (€8,50), que já eram, aliás, um dos bestsellers da casa. E bem merecido. A iguaria surpreende tanto em ousadia que não pode sair sem provar. Já a cavala com coentros, pimenta e ervas frescas (€8,50) pode ser uma boa entrada para despedida do verão. No peixe, o Drogaria refere o polvo com batata doce e pimentão (€19) como um dos pratos mais pedidos. Nas carnes, sugerimos o magret de pato, cuja interpretação faz lembrar um arroz de pato refinado, com a sua cevada, raiz de beterraba e laranja (€21). Existe ainda uma opção vegan para os demais. No momento, flor de couve com espinafre, cogumelo e batata doce (€15). Para acabar em bem, têm-se as sobremesas, onde a fruta parece ser o ingrediente chave. A fresca tigelada com softcake, melão, iogurte e mel (€6), uma lembrança das Beiras, terra natal do chef, é tudo menos aborrecida: uma surpresa boa que dificilmente se arrependerá de pedir. Já a torta de framboesa com merengue suíço e raspas de limão (€6) faz as delícias dos habitués.

A tigelada é a sobremesa ideal para fechar a noite com um toque fresco no paladar
A tigelada é a sobremesa ideal para fechar a noite com um toque fresco no paladar Foto: Mário Cerdeira

Aproveite para um sóbrio jantar a dois, ou mesmo para uma reunião de amigos, já que o espaço conta com uma sala privada com capacidade até dez pessoas. Mais, o Drogaria funciona também em regime de take away e em parceria com a Glovo e a Volup para entregas ao domicílio. Basicamente, não há desculpas.

Onde? Rua Joaquim Casimiro 8, Lisboa. Quando? Das 19h00 à 00h00 de terça a sábado. Tel. 210 145 528

OTRO

Numa resguardada paralela à Avenida da Liberdade, surge o OTRO restaurante, discreto sob a alçada de toldos verdes e vidros turvos, sem denunciar imediatamente o requinte que por lá se passa. Esta é a mais recente aposta do empresário Hugo Banha no segmento de luxo. O OTRO group, criado pelo mesmo em 2017, já deu provas nas áreas da perfumaria de nicho e alfaiaria privada, mas também arquitetura e design de interiores. Em outubro passado, chegou o momento da restauração. Depois das restrições sanitárias, o restaurante regressa com uma carta renovada e animação noturna, não fosse este um espaço pensado desde sempre para os notívagos por excelência. No OTRO, todos os detalhes são pensados ao pormenor e o privilégio é detido pelo cliente que sente o cuidado de um trato sem paralelo.

A decoração é pautado por materiais nobres que, sob uma luz ambiente, denotam a descrição do espaço
A decoração é pautado por materiais nobres que, sob uma luz ambiente, denotam a descrição do espaço Foto: Jorge Simão

Vítor Sobral mantém-se como chef consultor, desde o início do projeto, e complementa toda a experiência sensorial que ali se vive, através das suas criações. Dispensadas as apresentações, não fosse o trabalho do chef reconhecido na história da gastronomia portuguesa nas últimas três décadas, é seguro afirmar que para esta carta Vítor Sobral procurou um encontro entre os sabores tradicionais portugueses com a gastronomia internacional, recorrendo a ingredientes tão lusos como o bacalhau ou o queijo do Pico ou mais fora como o caviar, o foie-gras ou a trufa. Assim, para primeira impressão sugerimos que comece pela salada de caranguejo do Alasca com espargos e um toque inusitado de vinagrete de baunilha (€26), o presunto bísaro com lascas de queijo da ilha, uvas e azeite de laranja (€19,80) também é para provar. Ainda nas entradas, pode sempre deliciar-se com vieiras coradas com poejo, emulsão de manga e coco (€18,50). Nos pratos principais, as essências da terra levam-nos até à carne Wagyu com manteiga de trufa (€95) ou para opções mais modestas e igualmente saborosas, como a paelha de couve flor assada com alho francês, açafrão do Irão e queijo da ilha (€17). Para os mais clássicos, haverá sempre bife do lombo com batata frita (€29,50). Nas essências do mar, destacamos com agrado o prato de bacalhau fresco com creme de laranja, coco e couve chinesa (€24), um dos nossos preferidos. O arroz de carabineiros com línguas de bacalhau e tomate assado (€38), bem como o caril de camarão, com gengibre, caju, lima kaffir e rebentos de coentros (€29,50) estão entre os pratos mais pedidos pelos clientes que já conhecem o local. Finalmente, as notas adocicadas. O ex-libris será sempre o creme queimado do chef, no caso com champanhe e fava tonka (€8,50). A mousse de chocolate com pistachio (€6,50) tem igualmente boa saída e o bolo de queijo com caramelo salgado e amêndoas (€14,50) constitui um excelente desafio ao paladar para o final da refeição. Confira por si.

O bacalhau é um dos produtos portugueses ao qual o chef dá destaque neste restaurante
O bacalhau é um dos produtos portugueses ao qual o chef dá destaque neste restaurante Foto: Jorge Simão

A garrafeira acompanha em tudo a qualidade do jantar, com as melhores referências na carta como Pêra-Manca, Chateau-Neuf du Pape ou mesmo champanhe Armand de Brignac Gold Brut, entre uma gama variada de opções. Por entre vinhos e cocktails, espumantes e champanhes, não há razão para que não fique mais um pouco, especialmente nas quintas, sextas e sábados, onde a partir das 20h00 DJ’s convidados sobem o tom da música. Por fim, um pormenor interessante, é possível conhecer as fragâncias de nicho do Grupo OTRO no próprio restaurante. Estão disponíveis amostras dos perfumes na casa de banho unissexo, para além do aroma incrível que advém da sala principal. Há, pois, a oportunidade de oferecer um destes exemplares ao seu companheiro(a) durante a refeição. O embrulho virá numa campânula a flamejar, trazida pelo funcionário. Não se vê em todo o lado – considere.

Onde? Rua Rodrigues Sampaio 94, Lisboa. Quando? Das 19h00 à 00h00 de terça a sábado Tel. 963 620 129

Palácio Chiado

O centenário edifício no centro da capital sofreu uma profunda renovação, voltando a abrir portas e desconfinando como os demais. A vida do palacete é única e cheia de pormenores curiosos e, desde que se destina à restauração, que também o cliente pode fazer parte desta narrativa. De sala em sala somos guiados como se de um novelo de lã de tratasse. Logo no hall de entrada apresenta-se o Bar SALLA, com cocktails de assinatura e tapas a preceito, para desfrutar antes ou depois do jantar e sempre ao som de house music. 

As salas do Palácio Chiado são memoráveis e cheias de história
As salas do Palácio Chiado são memoráveis e cheias de história Foto: D.R.

No piso 1, por sua vez, surge o novo restaurante.A carta apresenta-se sob a assinatura do chef Manuel Bóia que, sem pretensões, faz um bonito elogio à cozinha portuguesa com um toque internacional. Para iniciar nesta jornada de sabores sugerimos o fresco gaspacho de tomate com croutons e poejo (€7,5), veranil como ainda se quer. Ao invés, pode optar pelo carpaccio de polvo com picadinho algarvio (€18). Já os taquitos de lagosta (2 unidades €17), são um dos bestsellers da casa. Nos principais, siga confiante com o entrecotê maturado 30 dias e grelhado no carvão com batata frita a preceito e uma floresta de legumes a acompanhar (€25) ou mesmo com o risotto de legumes verdes trufado com romanesco, pack choy, espargos verdes, curgete e broccolini (€16). Por sua vez, o camarão tigre grelhado com risotto de camarão e espargos com lima (€34) tem sido dos pratos com mais saída e a proposta de lavagante, lagosta e vieira com molho de malagueta, coco e manga com arroz de cardamomo (€58) adivinha-se um deleite. Por fim, as sobremesas, pensadas para a estação quente. Se o parfait de chocolate sobre sablé, com caramelo, flor de sal e crocante de chocolate com pistáchios (€8) alicia qualquer um, independentemente da estação do ano, a tarde de framboesas frescas com mousseline de baunilha e couli de frutos vermelhos mostra-se perfeita para o momento.

O prato de camarão tigre grelhado prima tanto pela aparência quanto pelo sabor
O prato de camarão tigre grelhado prima tanto pela aparência quanto pelo sabor Foto: D.R.

Ainda assim, há mais razões para vir aqui, que não apenas a gastronomia, já que o palacete alia história e modernidade numa simbiose perfeita digna de se apreciar. As divisões primam pelos tetos altos, chão de pedra, vitrais sumptuosos e frescos na parede. A Sala de Baile, por exemplo, deve agora toda a sua majestosidade à arquiteta Inês Moura. Já para refeições ou eventos privados tem sempre a Sala Quintela, que também funciona como galeria de arte, de momento com a exposição Moonwalk de Mariana Horgan. Para finalizar a experiência, todas as quintas, sextas e sábados a partir das 21h00, há DJ’s residentes a marcar o ritmo das refeições e o convívio noite dentro. O palácio aliou-se ainda à Empark (parque de estacionamento do Largo Camões) de forma a lhe facilitar a vida com duas horas de estacionamento gratuito. Melhor é difícil.

Onde? Rua do Alecrim 70, Lisboa. Quando? Das 12h30 às 16h00 e das 19h às 00h00 de domingo a quinta e das 12h30 às 16h e das 19h às 02h de sexta a sábado. Tel: 21 010 11 84

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