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O que pode fazer para apoiar o comércio local

É mais importante do que nunca que as mentalidades mudem. Contribuir para o crescimento dos pequenos negócios é crucial e parece ser o melhor caminho para um futuro mais sustentável.

A atriz francesa Brigitte Bardot às compras, numa visita a Londres (1963)
A atriz francesa Brigitte Bardot às compras, numa visita a Londres (1963) Foto: Getty Images
13 de janeiro de 2021 | Pureza Fleming

John Kennedy dizia que "quando escrita em chinês a palavra crise compõe-se de dois caracteres: um representa perigo e o outro representa oportunidade". É claro que ouvir-se esta frase quando o clima está tenso, retira-lhe importância. Afinal, estar-se em plena crise, com o modo de sobrevivência ligado no máximo, e ainda à procura da tal oportunidade, não é pêra doce. Não demorou muito até que as consequências económicas da pandemia de covid-19 começassem a surgir um pouco por todo o mundo, afetando, principalmente, as pequenas e as médias empresas. Com o contexto económico fragilizado, muitos pequenos empresários começaram a ver os seus negócios ameaçados pela quebra de lucros, diminuição do consumo e falta de rentabilidade. Assim, e se já era um objetivo a ser pensado, tornou-se mais urgente do que nunca o apoio aos pequenos comerciantes, ao pequeno comércio local.

Foram várias as medidas de apoio às pequenas empresas decretadas pelo governo. Em novembro de 2020, o Conselho de Ministros aprovou medidas de apoio à economia no montante global de 1550 milhões de euros, sendo 750 milhões para apoio a micro e pequenas empresas, e 800 milhões para linhas de crédito com garantia pública, incluindo 160 milhões a fundo perdido. O Ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, lembrou as medidas tomadas desde o início da crise provocada pela pandemia, destinadas a "ajudar as empresas a atravessar este período, preservando ao máximo a sua capacidade produtiva e apoiando a manutenção do emprego", lê-se no site República Portuguesa. O Governo entende que, "mantendo as medidas em curso – como as linhas de microcrédito dirigido às empresas do setor do turismo, que já apoiou 30 mil empresas, de crédito para micro, e pequenas empresas de todos os setores, de crédito de 400 milhões dirigida a empresas de dimensão superior, e a prorrogação recente das moratórias bancárias –, é altura de dar um novo sinal de apoio". Não deixar que as pequenas e médias empresas desabem perante a incerteza económica é crucial para a economia portuguesa, uma vez que estas são as empresas responsáveis pela geração de novos postos de trabalho, pela autonomia das câmaras municipais (através do cumprimento das obrigações fiscais) e por manter o dinheiro a circular. É urgente que o consumidor pense como é que pode fazer a sua parte e contribuir, dessa forma, para que os pequenos negócios possam manter as suas portas abertas. A Must dá uma ajuda.

Apoie os pequenos negócios, compre local

Esta é, de longe, a forma mais fácil e a mais imediata de apoiar, já que os pequenos negócios são geralmente esquecidos — uma vez que têm margens de lucro mais baixas, têm pouco orçamento para ações de publicidade e de divulgação. No entanto, pode consultar o website da Câmara Municipal ou da Junta de Freguesia da sua área de residência. Estes órgãos têm, frequentemente, disponíveis listagens de pequenos negócios e de produtos que o podem ajudar a encontrar o que precisa. Procure farmácias, padarias, talhos, mercearias, e etc, das suas redondezas. Troque as grandes redes pelos pequenos comerciantes à sua volta. Com pequenas mudanças de comportamentos de compra, poderá ajudar a dar um fôlego às finanças de uma pequena empresa. "Há um efeito multiplicador", discorreu ao The New York Times Bill Brunelle, sócio-gerente da Independent We Stand, uma organização americana que ajuda pequenas empresas com estratégias de marketing. E acrescenta: "se comprar numa loja de ferramentas, o proprietário pode contratar um contabilista local, enquanto os funcionários podem ir a restaurantes locais e a outras lojas próximas. O sucesso de uma empresa pode afetar a economia".

Seja socialmente ativo (digitalmente falando)

Compartilhe as publicações das marcas locais nas redes sociais. Gostou? Então deixe o seu like, comente, e compartilhe nas suas páginas. As redes sociais têm um peso gigante nas decisões de compra, especialmente para os mais jovens. É igualmente importante recordar que as redes sociais funcionam à base de algoritmos que favorecem as contas com maior alcance. Assim, cada vez que faz um like, comenta ou partilha a publicação de uma conta de uma empresa, está a ajudar a aumentar o alcance dessa mesma conta. O simples gesto de interagir com estas empresas pode ajudar a que estas cheguem a mais utilizadores. 

Compre online

Partindo da necessidade de se evitar o contato social, não é aconselhado sair de casa para fazer compras. Assim, usar a Internet pode ser o mais aconselhável. É a oportunidade de ajudar aquele pequeno negócio que conhece e sabe que tem um site ou uma outra forma de venda que possibilita a compra online. Além de estar a contribuir para auxiliar um pequeno negócio, muitas vezes estará também a adquirir algo muito mais exclusivo do que seria possível encontrar-se na e-commerce de um grande player.

Pequenos negócios de grandes amigos

Da sua rede de amizades, quantos amigos tem que tenham uma marca de roupa? Uma pequena coffee shop? Um restaurante? Um quiosque? Um bar? Com certeza que, pelo menos um, terá. E quantas vezes se torna cliente do seu amigo? Pois bem, faça-o mais vezes. Incentive a compra ou visita por parte de amigos e de conhecidos. Mesmo que a sua rede de contatos seja pequena, nunca se sabe se a sua indicação será a responsável por garantir uma receita mensal que permita ao seu amigo continuar com o funcionamento da sua empresa.

Pratique a publicidade mouth-mouth

Já se sabe que a anciã publicidade "boca a boca" é a melhor para o comércio de rua. No ambiente online não é diferente. Ao recomendar uma empresa ou simplesmente citar uma empresa ao comentar uma imagem, por exemplo, estará a alcançar uma porção de pessoas que podem vir a ser futuros consumidores da mesma. Compartilhe links, tag amigos em páginas que considere que lhe vão vir a ser úteis, publique o que achar que vale a pena ser destacado. Mas faça a sua parte: apoie os mais pequenos e ajude-os a crescer de forma orgânica.

Consuma de forma responsável e sustentável

Se antes era uma necessidade, hoje representa uma urgência. Como cidadãos, temos o dever de consumir de forma consciente e responsável. E isso passa naturalmente, por questionar de onde é que vem o produto, o que é que se está a consumir, onde e quando foi feito e sob que condições. Ao optar por produtos produzidos em território nacional, estamos também a fazer a diferença.

Pratique a bondade

A recomendação é do The New York Times e, ainda que surja em último lugar nesta lista, não é menos importante do que qualquer outra sugestão aqui apresentada. "Os proprietários estão sob uma enorme pressão, às vezes até existencial, por isso ofereça apoio emocional quando puder. Pergunte aos revendedores como é que eles se estão a sair e questione acerca de funcionários que possam, agora, estar desempregados", aconselha aquela publicação.

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