Dois grandes brancos, duas regiões, uma família. Entre Mirabilis e Grande Villae, qual escolher?
Mirabilis e Grande Villae têm ambos nomes em latim, mas revelam o que de melhor se faz no Douro e no Dão, entre vinhas centenárias e de Encruzado.

Os brancos são a única categoria que cresce no mundo dos vinhos. Não são os rosés, nem os espumantes e menos ainda os tintos. São os brancos, por isso não é de admirar que os produtores lhes dêem cada vez mais atenção. Nesse aspeto, a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo foi uma espécie de precursora ao lançar, já sob a batuta da família Amorim, um branco enorme, nascido de vinhas centenárias e pleno de elegância. Chamaram-lhe Mirabilis, de surpreendente e maravilhoso, e ao longo de uma dezena de anos conseguiu alcançar uma popularidade e um respeito raros para um branco no Douro. Luisa Amorim é a primeira a reconhecer "o peso e a responsabilidade de lançar uma nova colheita de Mirabilis", mas acrescenta também que "é sobretudo um prazer, porque somos todos fãs de brancos."
Curiosamente, a Quinta Nova não tem uma única casta branca, e o Mirabilis depende de velhas parcerias com pequenos lavradores, a maioria nos concelhos de Sabrosa, Alijó ou Murça, que assim beneficiam de um comprador certo para as uvas, e do apoio técnico da quinta. Escolheram – e continuam sempre à procura – de vinhas muito antigas, acima dos 600 metros, que permitem frescura e acidez, condição indispensável para se conseguir criar grandes brancos. Foi o que se provou uma vez mais num ano especialmente quente como o de 2022, resultando naquele que será, para o enólogo Jorge Alves, "um dos Mirabilis mais surpreendentes dos últimos anos e aquele com mais potencial". De Viosinho, Gouveio e Vinhas Centenárias, com várias castas, podemos em teoria podemos atribuir ao Viosinho a responsabilidade pelo lado mais puro e mineral, e ao Gouveio a fruta e vigor aromático, mas nada de muito evidente, dado o peso das vinhas centenárias. É um Mirabilis que vale sobretudo "pela harmonia do conjunto", e pela extrema elegância, com frescura, estrutura e acidez. Para gozar já hoje, amanhã e daqui por muitos anos.
Para as equipas da Quinta Nova, esta colheita de 2022 tem também um lado mais sentimental, por ter sido o último Mirabilis produzido na velha adega, entretanto totalmente remodelada.

Descemos agora ao Dão, onde os Amorins compraram também a Taboadella e onde, mais uma vez, voltaram a apostar forte nos brancos. Em terra de Encruzado, a primazia foi para esta casta, mas não haja dúvidas de que a sua fama recente se deve muito, também, ao sucesso dos vinhos desta Quinta. O Grande Villae é um 100% Encruzado, produzido com as melhores uvas da Taboadella, incluindo uma parcela já muito velha de 2,5 hectares, que herdaram e recuperaram. A altitude média continua muito alta, acima dos 500 metros e o an 2021 marcou muito positivamente o vinho, com noites frias que se prolongaram da primavera ao longo de todo o verão e que permitiram um perfil ainda mais fresco e elegante. Procurando intervir o mínimo possível para deixar expressar o terroir, a equipa de enologia liderada por Jorge Alves, agora com ajuda de Ricardo Costa, decidiu prolongar o estágio em madeira e cimento (80% em barricas novas de grandes dimensões e 20% em cubas) mas também em garrafa, por mais um ano, o que foi fundamental para integrar melhor todos os elementos. Não será um vinho que se imponha pela exuberância aromática, mas sim pela textura e pelo corpo. A acidez é vibrante e o final é longo, longo… Um vinho muito sofisticado.
O novo rótulo, aliás, procura marcar essa sofisticação, destacando os passadiços em madeira que encontramos na adega da Taboadella, desenhados antes dos passadiços sobre o jardim de Serralves, mas pelo mesmo arquiteto. Para responder à pergunta inicial, qual escolheria? Tente perguntar a si mesmo o que prefere: se um vinho com uma acidez vibrante e muita precisão, ou algo com mais de perfume e seda. Para nós são ambos irresistíveis.

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