Prazeres / Sabores

Um chá no Ritz (como dita a tradição)

Este Natal, o Ritz Four Seasons, em Lisboa, oferece a experiência de chá mais deliciosa, exuberante e bonita da Europa. Se calhar, até de Portugal…

Foto: DR
17 de dezembro de 2022 | Bruno Lobo

É já uma tradição. Durante a época natalícia, o "Chá da Tarde", no Lounge Almada Negreiros, recebe uma pequena reviravolta festiva e os doces e bolos ganham outra dimensão. Pequenos presentes encarnados de laço branco (recheados de chocolate de leite e avelã), trenós de maçã (com vinho do Porto e crocante de noz pecan), sonhos de abóbora (e recheio) ou uma árvore de Natal de citrinos (e mascarpone) chegam à mesa em pequenos tabuleiros de três andares, numa verdadeira experiência cénica. Porque os olhos "também comem", como se diz.

"Chá da Tarde", no Ritz, servido durante a época natalícia. Foto: DR

Quem estiver a olhar para as fotografias, pode até pensar que é uma pena partir e comer todas estas maravilhas, e tem toda a razão. Sim, dá pena, mas só até à primeira dentada porque depois as considerações estéticas passam para segundo plano, e o ataque pode ser feroz.

No papel de (verdadeiro) Pai Natal, temos o chef de pastelaria do Ritz, Diogo Lopes, que imagina, cria e prepara todas estas pequenas maravilhas, em conjunto com a sua equipa de mágicos elfos de cozinha. Há mais surpresas no lanche (deixamos para quando for experimentar), há macarrons e scones, simples ou com passas, servidos com creme e geleia, e há, também, um lado mais salgado, porque não podem ser só doces. Temos então um tramezzini de legumes assados, pepino e creme fraîche, uma tartelete de camarão marinado com chilli yuzu, que lhe dá um ligeiro picante muito bem-vindo, ou um foie gras com vinho do Porto e pera macerada. Para acompanhar, claro, uma lista de chás bastante exaustiva, ou cafés.

Pequenos presentes encarnados de laço branco (recheados de chocolate de leite e avelã), trenós de maçã (com vinho do Porto e crocante de noz pecan), sonhos de abóbora (e recheio) ou uma árvore de Natal de citrinos (e mascarpone).
Pequenos presentes encarnados de laço branco (recheados de chocolate de leite e avelã), trenós de maçã (com vinho do Porto e crocante de noz pecan), sonhos de abóbora (e recheio) ou uma árvore de Natal de citrinos (e mascarpone). Foto: DR

A ligação artística

O chá de Natal pode ser pedido no piso térreo do hotel, enquanto se admiram os magníficos painéis que Almada Negreiros criou propositadamente para a inauguração do Ritz Four Seasons Lisboa, em finais dos anos 1950, e há outro motivo ainda a justificar esta visita. Seguindo essa tradição original, o hotel convidou a artista plástica Joana Astolfi a criar uma peça natalícia para o lobby do hotel. O resultado acabou por ser bastante divertido, algo disruptivo para um lobby clássico, e que promete despertar a nossa curiosidade. Trata-se de um edifício residencial, com vinte e tal janelas, e que se oferece a uma leitura de 360 graus, ou seja, somos "convidados" a dar a volta à peça, olhando para dentro de cada janela e a espreitar o que se passa em cada casa. Algumas situações são bastante inusitadas. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista, a peça não é simples, bem pelo contrário, e criar cada uma dessas situações requereu muita imaginação e trabalho − só nos "interiores" trabalharam seis artesãs em exclusivo, durante mais de um mês, para afinar cada detalhe.

O hotel convidou a artista plástica Joana Astolfi a criar uma peça natalícia para o lobby.
O hotel convidou a artista plástica Joana Astolfi a criar uma peça natalícia para o lobby. Foto: DR

Não há duas sem três

Finalmente, temos mais uma razão para justificar a visita: porque não aproveitar também o serviço de take away do Ritz e fazer um upgrade à ceia da consoada? Os troncos de Natal são já um ex-líbris, mas este ano podes ainda encontrar uma bola de chocolate extra grande (mais um deslumbre) ou um calendário do advento (para comer todos os dias que já passaram de uma vez).

O "Chá da Tarde" tem um preço de 55 euros por pessoa, mas é uma experiência que vale bem a pena e, afinal, estamos em época de oferecer presentes. Por que não a nós próprios?

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