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"Estive em festas verdadeiramente loucas." Histórias de noites com Mick Jagger e Kate Moss

Se estiver por dentro do circuito das festas de Londres, é certo que conhecerá Dave Benett – um dos principais fotógrafos da capital britânica que já foi contratado por estrelas como Elton John. Benett conta agora como eram as saídas na década de 1990.

Kate Moss e Marianne Faithfull
Kate Moss e Marianne Faithfull Foto: Shutterstock
18 de dezembro de 2020

Estive presente em festas verdadeiramente loucas. Os anos 90 foram a época de maior esbanjamento, foi quando as pessoas começaram realmente a gastar o seu dinheiro. Havia gente de toda a parte do mundo que ia até Londres só para marcar presença nas festas.

A Kate Moss e a Naomi Campbell eram sempre as duas miúdas mais doidas das festas; elas eram as britânicas e todos os restantes eram mais discretos. Elas estiveram presentes em festas com os Rolling Stones e Jack Nicholson. Era a narrativa dos novos ricos e todos partilhavam o mesmo ar de abastados.

O Café de Paris era o principal local para se terminar uma noite de quarta-feira, por lá tendo passado nomes como Prince, Tina Turner e Bowie. Todos iam lá ter. O Prince nem sequer conseguiu reservar uma zona VIP porque todos achavam ser tão cool como ele era. Ele não gostava de fotógrafos, por isso pediu-nos, quando lá esteve, para nos retirarmos. O dono do Café de Paris disse-lhe: "na verdade, eles estão sempre aqui, por isso ou se junta a eles ou pode sair". Ele ficou!

Kate Moss e Marianne Faithfull
Kate Moss e Marianne Faithfull Foto: Shutterstock

Recordo-me também da festa da Gala ‘Salvar a Floresta Tropical’, no Grosvenor House Hotel, em 1992, que foi fabulosa. Gianni Versace vestiu todas as supermodelos. Todas as estrelas do rock apareceram porque as raparigas estavam lá e as raparigas também foram porque as estrelas do rock lá estavam. Tudo se conjugava e uma coisa levava à outra.

Nessa noite, estive à conversa com a Claudia Schiffer, que na época era nova naquelas andanças, e com a Carla Bruni e Naomi Campbell. Nessa altura, a Carla Bruni andava a sair com o Eric Clapton e tirei uma fotografia incrível do Gianni com eles os dois.

Em 1997, o Ronnie Wood convidou-me para a festa do seu 50.º aniversário. Era uma festa alusiva ao faroeste e dei por mim a festejar com todas aquelas pessoas na sua casa em Kingston Hill. Penso que foi nessa altura que comecei a ser verdadeiramente aceite.

Mick Jagger no 50º aniversário de Ronnie Wood (1997)
Mick Jagger no 50º aniversário de Ronnie Wood (1997) Foto: Shutterstock

O Ronnie estava fantástico, mascarado de pistoleiro. A Kate estava fabulosa com uns calções de ganga e de cigarro na boca. De repente, surge o Mick vestido de índio. Assim que viu os fotógrafos, tirou o chapéu de índio e mostrou-se aborrecido. Mas Ronnie disse-lhe: "Vá lá, são meus amigos". Apesar de tudo, ele era um Rolling Stone.

Fui ter com a Jerry Hall e perguntei-lhe: "O que se passa? Ele não parece estar a divertir-se". Ela respondeu de forma descontraída: "Acho que não gosta da roupa que traz. Fui eu que a escolhi". Nessa altura já ele estava sentado a uma mesa e com um chapéu de cowboy, mas dava para ver que, por baixo, ainda tinha o fato de índio.

Tradução: Carla Pedro

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