Lugares

Assim serão as casas do futuro

A arquitetura e o design estão a unir pensamentos para uma habitação de nível superior, tanto na criatividade como na tecnologia.

Foto: Charles Wright Architects
14 de abril de 2020

Desafiam a gravidade

Stamp House, do arquiteto australiano Charles Wright
Stamp House, do arquiteto australiano Charles Wright Foto: Instagram @charles_wright_architects

Com mais de 280 metros quadrados, a Stamp House, do arquiteto australiano Charles Wright, combina a sua dinâmica escultural com a paisagem tropical de uma zona rural de Queensland, Austrália. Concluída em 2013, a casa "flutua" num lago artificial e por isso só é acessível por uma ponte. Os quartos e áreas da casa estão contidos em seis asas que se erguem da construção principal. Os volumes de betão são fortes o suficiente para suportar ciclones e também impedem a entrada de água, já que as tempestades são comuns por aqui. O nome deve-se ao facto de a casa ter sido encomendada por um renomado negociante de carimbos e, até a forma da piscina se baseia no contorno de um selo australiano de 1955.

Levitam

Casa H, do arquiteto chileno Felipe Assadi
Casa H, do arquiteto chileno Felipe Assadi Foto: Instagram @felipeassadi

A arquitetura de Felipe Assadi tem sempre um forte sentido de estabilidade, já que o próprio diz preferir habitar uma estrutura em vez de estruturar uma sala. E assim é a Casa H, no Chile, situada no alto de uma colina com vista para o Oceano Pacífico, perto de Zapallar, na região de Valparaíso. Concluída em 2018, é tudo menos convencional, assumindo a forma de uma vasta viga colocada na colina que corre paralela à costa. O perfil linear do edifício com estrutura em betão é criado por duas lajes gigantes: a base é colocada sobre os contornos naturais da paisagem, baseando-se na ideia de levitação. O telhado também parece flutuar, graças a dois vidros inseridos num espaço aberto entre as duas vigas.

Fundem-se com a natureza

High Desert House, do arquiteto californiano Kendrick Bangs Kellogg
High Desert House, do arquiteto californiano Kendrick Bangs Kellogg Foto: Instagram @lance.gerber

Do lado de fora, a casa lembra um tatu, mas também há quem veja uma criatura marinha ou os fósseis de um dinossauro. Certo é o elemento orgânico que parece viver na High Desert House, do arquiteto californiano Kendrick Bangs Kellogg. A casa fica no Parque Nacional Joshua Tree, na Califórnia, e parece emergir da paisagem remota e rochosa do deserto, vê-se que não está sob a colina, mas parece fazer parte dela. A construção orgânica é feita por lajes de betão fundido na rocha e vidro. A ideia do arquiteto foi desenhar uma casa que ficasse instalada na paisagem, como se um animal estivesse agachado ou adormecido nas rochas. O artista e designer de interiores John Vugrin ficou responsável pela decoração da casa, que mantém o tom da construção. O projeto total levou 20 anos a ser feito e foi concluído em 2014.

Ou transmorfas

Crescent House, do arquiteto norte-americano Wallace Cunningham
Crescent House, do arquiteto norte-americano Wallace Cunningham Foto: Instagram @wallacecunningham

O trabalho do arquiteto norte-americano Wallace Cunningham tem um fio escultural constante, no qual as casas que desenha têm linhas fluidas e estruturas que se conectam visual e fisicamente com a paisagem. Um exemplo é a Crescent House, em Encinitas, norte de San Diego, Califórnia. A casa de dois andares, concluída em 2014, possui janelas do chão ao teto, com vistas impressionantes sobre a água, enquanto uma série de varandas e terraços reforça o senso de conexão com o exterior. O arquiteto quis capturar o máximo do exterior, mas ao mesmo tempo também escondeu as estruturas circundantes, para dar a sensação que a casa estava isolada. A casa foi cenário da última temporada da série Westworld, haverá melhor exemplo da habitação do futuro?

E por que não surrealistas?

Casa para el poema del ángulo recto, do arquiteto chileno de origem croata Smiljan Radić
Casa para el poema del ángulo recto, do arquiteto chileno de origem croata Smiljan Radić Foto: Instagram @estudiopalma | Cristobal Palma

O arquiteto chileno de origem croata Smiljan Radic projetou o Pavilhão Serpentine Gallery de Londres, em 2014, e criou para si próprio uma casa no Chile igualmente cativante. Situada na floresta perto do sopé dos Andes, perto de Vilches, chama-se Casa para el poema del ángulo recto, inspirada pela obra Le Poème de l'Angle Droit de Le Corbusier. Smiljan afirmou que as referências para o exterior e o espaço interior se uniram aqui, e que se inspirou num crustáceo marinho da costa chilena chamado picoroco, que se prende às rochas. Três estruturas pretas com tampa de vidro emergem do edifício em betão. O bosque também está dentro da própria casa, num pátio central com quatro árvores.

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