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Viúva Gomes 1965: a elegância singular dos vinhos de areia

Os vinhos de Colares perdem-se na história. Como em grande parte do território nacional, terão sido os romanos a difundir a cultura da vinha, e Colares não foi exceção.

ViuvaGomes - José e Diogo Baeta
ViuvaGomes - José e Diogo Baeta Foto: DR
17 de julho de 2026 | Augusto Freitas de Sousa Adicione como fonte preferencial no Google

Mas, entre outras particularidades, há uma característica única da mais pequena região demarcada de Portugal: no final do século XIX, a filoxera dizimou grande parte das vinhas europeias, mas as vinhas de Colares, plantadas em areia, escaparam à praga. O solo arenoso não permitia que o inseto se instalasse nas raízes.

Uma das empresas mais antigas, fundada em 1898, a Viúva Gomes está hoje na posse de José e Diogo Baeta, a 4ª e 5ª gerações de guardiões da vinícola. Diogo explica que a adega foi adquirida pelo bisavô para estágios e engarrafamentos, mas “passou de negociant a vigneron e, hoje em dia, toda a atividade está centrada nas instalações da Viúva Gomes, em Almoçageme, Colares”.

viuva gomes
viuva gomes Foto: DR

Diogo Baeta descreve este vinho – Viúva Gomes Tinto 1965, DOC Colares – como mantendo “a garra e a tensão de um Ramisco de Colares, embora já com o carácter da sua evolução habitual, mas mantendo acidez e tanino firmes”. Acrescenta que estes vinhos antigos “fermentavam a partir de cacho inteiro, em balseiro, e estagiavam em toneis de castanho português e mogno”. Hoje, a casa liberta um número limitado de garrafas por ano, mas tanto o 1965 como o 1967 estão já em fim de stock.

Viuva gomes adega
Viuva gomes adega Foto: DR

O produtor explica que na Viúva Gomes trabalham cinco hectares em modo de produção biológica, compram uvas a mais dois viticultores locais, a quem dão apoio técnico na vinha, e ainda têm direito “a um pequeno share histórico proveniente dos viticultores associados da Adega Regional de Colares”. Diogo Baeta conta que são usadas as castas Ramisco e Malvasia de Colares em vários tipos de solo, DOC e não-DOC, “estando representadas em mais de 60% dos lotes”. Refere que o Castelão “é também bastante relevante, perfazendo cerca de 30%, enquanto os restantes 10% são outras castas, como Molar, Tinta Miúda, Arinto e Fernão Pires”.

Há outros vinhos como os colaborativos, elaborados com uvas de viticultores locais e uvas próprias, e os Viúva Gomes de localizações específicas, podendo ser DOC ou não. Há também os Viúva Gomes Pirata, experimentais e pop-up, e este Viúva Gomes Colares, com denominação de origem, proveniente de vinhas plantadas em pé-franco, nos solos arenosos da região. Ramisco nos tintos e Malvasia de Colares nos brancos. Ou seja, conclui Diogo Baeta, “vinhos que valorizam e distinguem o lugar”. Os rótulos usados nas novas colheitas continuam a ser os originais e, todos os anos, saem entre 1500 e 2000 garrafas de branco e tinto, em garrafas de 500 ml.

viuva gomes ficha
viuva gomes ficha Foto: DR
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