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A enigmática história de um diamante da coroa inglesa

O Koh-i-Noor foi dado à rainha Vitória em meados do século XVIII. Hoje, continua a ser uma das joias mais controversas da coroa britânica, tanto pela sua maldição, como pela forma como foi obtida.

Foto: Getty Images
22 de novembro de 2022 | Ana Filipa Damião

O anúncio da coroação de Carlos III e da futura rainha consorte Camilla Parker Bowles - que está marcado para 6 de maio do próximo ano -, reacendeu uma antiga disputa entre o Reino Unido e a Índia. Isto porque há a hipótese de Camilla usar o Koh-i-Noor na cerimónia de coroação, um diamante incrustado no centro da coroa de Isabel II, motivo de controvérsia sem fim. Porquê? É uma joia amaldiçoada.

O Koh-i-Noor, que em farsi (língua persa) significa "montanha de luz", era originalmente feito de 186 quilates e pensa-se que foi descoberto no sul da Índia, no século XIII. Fez parte do espólio de troféus de guerra no sul da Ásia, e por isso representa "em muitas maneiras a longa história de pilhagem imperialista", afirmou Danielle Kinsey, historiadora, ao site da NBC News. "Penso que as pessoas estão indignadas com a forma como o Koh-i-Noor continua a funcionar como um troféu do império, enquanto este permanecer na posse da coroa britânica".

Isabel II no dia da sua coroação em 1953
Isabel II no dia da sua coroação em 1953 Foto: Getty Images

Ao longo dos séculos, o diamante passou por várias mãos, começando pelos mongóis no século XVI, depois pelos persas e ainda pelos afegãos, antes de Ranjit Singh, primeiro marajá do Império Sikh, o obter em 1813. Foi em meados de 1800 que o império britânico conseguiu adquirir a joia, depois do Tratado de Lahore e de Punjab ser conquistado pelas tropas da Companhia Britânica das Índias Orientais. 

Rumores de que estava amaldiçoado espalharam-se rapidamente após a sua revelação em Inglaterra, em 1851. Segundo a lenda, apenas Deus ou uma mulher poderá possuir o Koh-i-Noor sem sofrer um destino horrível. Por esse motivo, foi envergado durante décadas apenas por mulheres, da rainha Vitória, que o usou em diversas ocasiões como pregadeira, a Isabel II, que o usou pela primeira vez quando foi coroada, em 1953. 

Há vários anos que a Índia exige o retorno do diamante, argumentando que nunca se tratou de um presente e que deve voltar ao lugar de origem. E agora com a futura coroação de Camilla, a disputa está mais acesa do que nunca. 

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