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Quem são as duas novas bilionárias da China?

Fiona Cai apresenta um programa na internet em Nanchang, na China, que transmite ao vivo canções pop do país para vários milhares de seguidores das redes sociais. Tem 28 anos, mas gasta cerca de 1.000 yuans (155 dólares) por mês numa injeção de reforço da pele.

Xangai, a cidade chinesa onde o PIB é mais elevado
Xangai, a cidade chinesa onde o PIB é mais elevado Foto: Pexels
08 de janeiro de 2021 | Bloomberg

"Pode ajudar a fechar os poros e a clarear a minha pele, e sinto que a minha maquilhagem funciona melhor", disse em entrevista. Fiona iniciou o tratamento há um ano. "Mas o meu corpo processa-o em algumas semanas, pelo que tenho de mantê-lo todos os meses".

A indústria é um grande negócio no mercado de beleza em rápido crescimento da China - 13,7 milhões de pessoas usam os tratamentos, e isso pode ser apenas o início. A previsão é de chegar a 25,5 milhões até 2023, elevando o mercado para 311,5 mil milhões de yuans, de acordo com um relatório da iResearch. Globalmente, o negócio gerou 86,2 mil milhões de yuans em receitas no ano passado e deve aumentar a um ritmo anual de quase 10% até 2028, segundo estimativas da Grand View Research.

Duas das maiores beneficiárias são mulheres chinesas.

Jian Jun, presidente da IMeik Technology Development, acumulou dinheiro no ano passado a um ritmo mais acelerado do que qualquer outra empresária asiática no Índice de Bilionários da Bloomberg. A sua fortuna atinge 5,2 mil milhões de dólares, depois de as ações da sua empresa terem disparado mais de 500% desde a entrada em bolsa em setembro. Zhao Yan, da Bloomage Biotechnology, por sua vez, acrescentou mais de 3 mil milhões de dólares à sua fortuna em 2020, com uma valorização de 76% das ações.

As suas empresas são as principais fabricantes de hialuronato de sódio, uma substância hidratante usada em preenchimentos para a pele. Ao contrário do botox, que congela os músculos para parar as rugas e tende a ser usado pelos clientes mais velhos, os preenchimentos são pequenas injeções de vitaminas, minerais e aminoácidos que ajudam a melhorar a aparência da pele, apelando ao público mais jovem.

"O hialuronato de sódio torna-se muitas vezes a primeira escolha dos consumidores", disse Neil Wang, presidente da Frost & Sullivan China, acrescentando que a cultura do país de ídolos do entretenimento e o crescimento da influência na internet estão a elevar os padrões de beleza das pessoas. "O hialuronato de sódio pode responder a várias necessidades dos amantes da beleza modernos e pode manter a sua juventude e melhorar a aparência a um preço acessível."

Os representantes da IMeik e da Bloomage não responderam aos pedidos de comentários e entrevistas com as suas presidentes.

Jian interessou-se pela cosmetologia enquanto trabalhava no estrangeiro, depois de descobrir tratamentos de injeção com nomes como "almoço de beleza", que duram apenas uma ou duas horas. Depois de trabalhar numa empresa norte-americana de comércio e uma empresa têxtil no Panamá, voltou para a China em 2004 e foi para a IMeik no mesmo ano como diretora, tornando-se gradualmente a sua maior proprietária. A mulher de 57 anos tornou-se presidente da empresa em 2016.

Embora apenas 3,6% da população chinesa tenha experimentado cosmetologia médica até 2019 - em comparação com 21% na Coreia do Sul e 17% nos EUA - esse número tende a crescer, de acordo com Kenneth Law, diretor de consultoria financeira da Deloitte China.

"As consumidoras na faixa etária entre 30 e 40 anos são vistas como o grupo de maior gasto com um elevado rendimento disponível", disse Law. "Com maior consciência e ênfase geral numa cultura de bem-estar pessoal, a crescente procura por produtos de hialuronato de sódio foi observada e deve continuar".

Até a covid-19 provou ser temporária. Após uma queda nos negócios durante os confinamentos no início de 2020, a atividade aumentou à medida que a China controlava o vírus. A receita da IMeik subiu 17% nos três trimestres até setembro, com o lucro a aumentar 32%, para 290 milhões de yuans. As vendas da Bloomage aumentaram 24% no mesmo período, enquanto os lucros cresceram 5%, para 438 milhões de yuans.

Os números contrastam com as vendas das empresas de cosméticos, que caíram no ano passado, com a pandemia e as regras de distanciamento social a diminuírem a necessidade de maquilhagem.

A IMeik e a Bloomage, por seu lado, pretendem expandir-se. A primeira está a trabalhar num produto de botox para ajudar a reduzir as rugas, enquanto a outra está a desenvolver uma linha de cuidados da pele com ácido hialurónico e outros ingredientes naturais, que tem como objetivo manter os tecidos lubrificados e húmidos e que é direcionado a clientes mais jovens.

"Homens e mulheres estão a aumentar gradualmente a sua aceitação e disposição para pagar por projetos de cosmetologia médica", disse Wang da Frost & Sullivan China.

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