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Millennials coreanos aflitos recorrem à bolsa para ficarem ricos

Jenny Lee tem um sonho: ter um apartamento em Seul, capital da Coreia do Sul, onde os imóveis custam cerca de 1 milhão de dólares cada.

Foto: Bloomberg
25 de setembro de 2020 | Bloomberg

Para a jovem de 27 anos, que ficou sem emprego por um ano até o mês passado e aluga um quarto num dormitório perto de Seul, será difícil ganhar tanto dinheiro. Não tem um diploma de uma "boa" universidade - essencial para conseguir um emprego cobiçado em conglomerados como a Samsung Electronics, que dominam a economia, e é uma mulher num país onde as normas patriarcais são difíceis de eliminar. Agora, acha que encontrou uma solução: o chamado "day trading", a prática de amadores de negociar ações todos os dias.

"Na Coreia, nós, com 20 e poucos anos, só temos duas maneiras de ficar ricos: ou ganhamos na loteria ou negociamos ações", disse Lee, cujo novo emprego é num hospital, talvez o único grande empregador nestes tempos de covid-19. "Sabemos que nunca seremos ricos com os salários que ganhamos. Nunca ganharemos o suficiente para comprar uma casa."

Millenials coreanos a investir na bolsa
Millenials coreanos a investir na bolsa Foto: Bloomberg

 



De muitas maneiras, Lee, que atualmente aposta em ações de tecnologia dos Estados Unidos, faz parte da expansão global em transações em bolsa por particulares durante a pandemia. Este tipo de investimento cresceu rapidamente em popularidade nos EUA, com pessoas entediadas ou recém-demitidas em casa e em quarentena que aproveitam as aplicações sem comissões e fáceis de usar como o Robinhood e os cheques de estímulo que receberam do governo.

Aumento dos preços no setor imobiliário
Aumento dos preços no setor imobiliário Foto: Bloomberg




Lee
é um dos milhões de investidores de retalho da Coreia do Sul que respondem por 65% do valor de negociação do índice Kospi este ano, o que compara com 48% em 2019. A maior parte destes investidores iniciantes está na casa dos 20 ou 30 anos, de acordo com a Korea Investment & Securities, corretora com sede em Seul. E muitos deles contraem dívidas: o financiamento de margem cresceu 33% entre dezembro e junho deste ano, mostram dados do Serviço de Supervisão Financeira.

"Sociologia" é um melhor indicador do que está a impulsionar o mercado acionista do que a economia, disse Jeon Kyung-Dae, diretor de investimentos da Macquarie Investment Management Korea. As baixas taxas de juros pioram as coisas, disse, pois corroem o valor da poupança todos os dias.

"Os millennials coreanos estão desesperados, a  enfrentar um mercado de trabalho congelado", disse Lee Han Koo, professor de economia da Universidade de Suwon, acrescentando que o aumento dos preços dos imóveis aumenta a sensação de frustração. "Neste ambiente, a negociação de ações torna-se uma oportunidade única na vida" para ficar rico.

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