Estilo / Relógios e Jóias

Watches and Wonders 202. Os relógios mais desejados da grande montra da relojoaria mundial

Durante uma semana, em Genebra, só se falou de relógios. Com Rolex, Cartier, Patek e todas as outras grandes marcas reunidas para mostrar as suas novidades, o que mais nos impressionou?

Foto: Vacheron Constantin
31 de março de 2023 | Bruno Lobo
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Cartier Santos

Em 1904 Luis Cartier desenhou um relógio para o seu amigo Alberto Santos Dumont, um dos grandes pioneiros da aviação. A ideia era que este o pudesse consultar facilmente enquanto estava aos comandos desses primeiros aviões. Em 1911 o modelo ganhou vida comercial e a história atesta bem o sucesso do Santos, ainda hoje entre os relógios mais vendidos em todo o mundo. Para esta edição da Watches&Wonders, a Cartier recriou um modelo Santos em versão esqueleto, com uma série de detalhes no movimento que rementem para a vida deste grande brasileiro. O mais evidente, e importante, o mini rotor às sete horas em que a massa oscilante, é uma réplica do modelo Demoisselle, o avião mais famoso que desenhou e, na altura, o mais produzido em todo mundo. O avião parece sobrevoar um globo.

A Cartier lançou dois Santos neste modelo, em ouro rosa e aço e um novo calibre próprio o 9629 MC. Esse calibre, com o micro-rotor, tem 212 peças e demorou cerca de dois anos a desenvolver. 

Foto: Cartier
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Tudor GMT

Tudo o que tem a palavra GMT chama a atenção. Especialmente se tem a palavra Rolex ou Tudor antes, porque a irmã mais nova recuperou a luneta pepsi que tanta fama deu ao GMT Master e acrescentou-lhe um mostrador branco - "não é bem branco, é opalino", corrigem-nos – absolutamente irresistível. É o GMT com que muitos sonhavam, até porque acrescenta um novo calibre (COSC) MT5652 com 70 horas de reserva de marcha, data instantânea, 200 metros de estanquidade e, claro, a luneta em alumínio anodizado com indicação das 24 horas. 

Foto: Tudor

JLC Reverso

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Os mais apaixonados por relojoaria conhecem as origens do Reverso. E os menos ficam agora a saber: chateados por ficar tantas vezes com os relógios estragados durante as partidas de Polo, que organizavam muito durante os anos 1920 e 1930 na Índia, os oficiais britânicos, lançaram o repto a quem conseguisse criar um modelo à prova dos embates no jogo. O resultado foi uma caixa que se fechava sobre si, para proteger o mostrador, e o resto é história. O Reverso tornou-se num dos modelos mais icónicos de toda a indústria e, cada vez mais, a grande oferta da Jaeger-LeCoultre. Hoje em dia é considerado sobretudo como um relógio clássico mas, indo buscar a inspiração nessas raízes desportivas, surgiu este ano um modelo cronógrafo. De um lado tem um mostrador super elegante, do outro é mais desportivo. Mais: tem cronógrafo e segundo fuso horário. Genial. 

Foto: Jaeger-LeCoultre

Vacheron Constantin Patrimony Retrograde

Este ano foram apresentados muitos mostradores de cor salmão, mas nenhum chegou à mestria - subtileza, harmonia, elegância… sintam-se à vontade para acrescentar adjetivos elogiosos – deste Patrimony. Muito inspirado nos anos 20 e 30 do século passado, o VC Retrograde oferece uma indicação retrógrada de dia e data, o que significa que quando os ponteiros azuis marcam 31 ou domingo "saltam" de volta para o dia 1 ou segunda-feira. É simplicidade: Less is more, sobretudo quando temos este contraste entre mostrador e caixa em platina. 

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Foto: Vacheron Constantin

IWC Ingenieur

Os anos 1970 do século passado foram especiais para a indústria da relojoaria suíça. Desde logo porque a chegada de relógios quartzo, precisos e baratos vindos do Japão, a atirou para uma crise de vendas quase fatal. Mas, no meio dessa agitação, surgiram algumas das melhores novidades de sempre, e muitas delas pela mão do mesmo homem, Gérald Genta, que viria a desenhar alguns dos modelos mais icónicos da relojoaria até aos dias de hoje. Falamos, é claro, do Royal Oak da Audemars Piguet e do Nautilus, da Patek Philippe.

Mas Genta colaborou como outras marcas nesse período, nomeadamente com a IWC, para quem redesenhou o modelo Ingenieur. Infelizmente, ou porque era muito caro, muito grande ou por outra razão qualquer a verdade é que o Ingenieur nunca chegou a ter o mesmo sucesso comercial dos seus irmãos e após 1000 unidades produzidas a IWC fechou a torneira. Está bom de ver que esses relógios se encontram hoje entre os IWC mais procurados em leilão e, por essa razão também, a marca de Schaffhausen decidiu recriar o modelo em toda a sua glória.

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O grande desafio, conta Christian Knoop, diretor de design da IWC, foi "trabalhar um ícone como o Ingenieur SL. Estávamos bem cientes da enorme responsabilidade que isso implicava", mas também não deixar tudo como estava e "criar uma interpretação nova e contemporânea, aperfeiçoada nos seus menores detalhes." A ideia é ter um modelo bastante fiel à assinatura de design original, mas com várias melhorias em termos de ergonomia, de resistência ou facilidade de leitura.

Destaque ainda para o excelente movimento que também não existia na época de Gérald Genta. O calibre 32111, manufaturado pela IWC, é um dos grandes movimentos da indústria e oferece umas impressionantes 120 horas de reserva de marcha. 

Foto: IWC Schaffhausen

Chopard L.U.C 1963 Heritage Chronograph

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A Chopard está cada vez mais verde, como podemos ver neste relógio com um mostrador irresistível em British Racing Green e caixa em Lucent Steel, o aço que desenvolveu e que é 80% reciclado. Trata-se de um avanço com um impacto muito significativo para a sustentabilidade da indústria. Um modelo superclássico a apontar o caminho para o futuro e que conta ainda com cronógrafo Flyback e certificações COSC e Poinçon de Genéve, os standards mais altos da relojoaria suíça. Terá, infelizmente, uma produção limitada a 25 unidades pelo que não será fácil (para não dizer impossível) deitar as mãos a um, mas felizmente vamos encontrar uma serie de cronógrafos Mille Miglia para apagar essa deceção. 

Foto: LUC - Chopard

Rolex Cosmograph Daytona

A Rolex reservou muitas surpresas para esta edição da W&W, começando por cinco novos cronógrafos Daytona, incluindo uma versão em platina que ficará certamente para a história como um grail watch. Platina com uma pequena percentagem de ruténio, que lhe confere maior resistência à corrosão, choques e riscos. Mas nada como virar o relógio, porque pela primeira vez na história da Rolex temos um fundo transparente, com vidro de safira. A ideia será admirar o novo calibre 4131, que foge um pouco da estética tradicionalmente mais industrial da Rolex, para apresentar uma decoração mais elegante - chamam-lhe Côtes de Genève Rolex – e um rotor em ouro. Desenvolvido pela Rolex nos últimos anos, o novo cronógrafo tem um escape Chronergy, que reduz a perda de energia e oferece uma reserva de marcha de 72 horas, e amortecedores Paraflex, para maior proteção do mecanismo.  

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O calibre é comum a todos os novos modelos, que viram a caixa e a luneta redesenhada com pequenos detalhes. Destaque ainda para a versão panda dial em aço, que vai certamente atrair a maior parte dos fãs. 

Foto: Rolex
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