Estilo / Beleza & Bem-Estar

Como cuidar da barba (e da máscara) em tempo de coronavírus

Zelar pela sua barba com a pompa e circunstância que a dita merece é fundamental, vital quase. Até aqui, sem novidade. Mas com uma pandemia literalmente pelo ar e um novo acessório imposto, será que deve continuar com a rotina de cuidados de rosto habitual?

Foto: Getty Images
04 de dezembro de 2020 | Marta Vieira

Barbas há muitas, pandemias nem tanto. E esta é mesmo para levar a sério – ou não serão todas? Por isso, enquanto o leitor sabe perfeitamente o que fazer para ter a barba dos seus sonhos, o resto do mundo não sabe (ou não parece saber, o que vai dar ao mesmo) como travar a pandemia dos seus pesadelos.

Ainda não há vacina, mas há alguns consensos, entre eles, o uso antes-aconselhável-agora- obrigatório da máscara, quer no espaço fechado, quer no aberto. A máscara é para todos. Na verdade, é mais para uns do que para outros. Se, para quem pode, serve o propósito para uma saída ocasional – digamos às compras, por exemplo – para grande parte da população, implica um uso diário no local de trabalho. São horas a fio.

Barbas e máscaras devem, pois, coexistir de uma forma o mais pacífica possível. Torna-se assim imprescindível aprender a cuidar da barba durante a pandemia.

Ter ou não ter barba

Há a probabilidade de a sua barba conter mais bactérias e germes quando comparada com uma pele lisa, sem pelos faciais. Será por isso menos higiénica? Ao longo dos anos tem havido algum debate, com posições dos dois lados. O que é mais saudável? Uma pele barbeada ou uma barba pujante?

Quando alguém deixa a barba crescer está a incorporar microrganismos na pele e nos folículos capilares. Ou seja, ao tocar numa superfície infetada e de seguida no rosto corre o risco de o contaminar com as bactérias e germes de que já lhe falámos. Até porque quem tem barba pode ter mais tendência a tocar na cara, seja por tique, prurido ou mesmo vaidade. Apesar disso, a mesma situação pode ocorrer num rosto polido. Para além de que a pele pode apresentar alguns cortes resultantes do barbear que potenciem a situação de infeção.

Posto isto, a pele sempre teve bactérias, com ou sem pelos adjacentes. Mais, com ou sem pandemia associada. No entanto, quando o coronavírus e a doença por si provocada, a covid-19 se disseminaram pelo mundo, muito foi posto em causa. Também as barbas foram motivo de escrutínio público.

Será arriscado usar barba durante a pandemia?

Sabem-se algumas coisas: com barba, a aderência da máscara à pele pode ser dificultada, com uma selagem ao redor do rosto imperfeita e que deixa algumas aberturas indesejáveis; também pode ocorrer uma penetração do tecido da máscara por alguns pelos que fiquem sujeitos à exposição das partículas infecciosas que tentamos evitar.

Até ao momento, não houve restrições impostas, exceto um aconselhamento da DGS aos profissionais de saúde que prestam cuidados diretos a pacientes com covid-19 para a remoção da barba, especialmente para aqueles que usam máscaras N95 ou FFP2.

Com efeito, não há evidências científicas de que o vírus se fixe nos pelos, ou que estas pessoas se infetem mais. Ter barba, por si só, não torna uma pessoa mais ou menos vulnerável ao coronavírus, razão pela qual a recomendação não ter sido considerada para a população em geral. Ainda assim e, mais do que nunca, urge a necessidade de uma rotina de skincare cuidada.

1. O básico

Pressupõe-se que saiba usar a máscara corretamente. É necessário lavar as mãos antes de tocar na mesma e verificar que esta se encontra em condições. A cobertura deve ser feita do nariz até ao queixo. Depois, é evitar ao máximo tocar-lhe durante a utilização, e se o fizer, deverá higienizar as mãos de seguida. Deve ser retirada pelas presilhas elásticas e nunca pela face externa.

2. Entre máscaras

Depois de utilizada, a máscara deveria ter um de dois destinos: o lixo (se for descartável) ou a lavagem (se for reutilizável). De facto, depois de várias horas de uso continuo são bastantes as bactérias e os germes que se acumulam no tecido. É imprescindível mudar de máscara com frequência, especialmente depois de quatro a seis horas de uso continuado ou se estiver húmida.

3. O tamanho importa

Para quem tem barba, existem já várias opções de tamanhos de máscara no mercado. O objetivo é encontrar uma que se ajuste perfeitamente ao seu rosto. O ideal é que seja extensa o suficiente para a colocar em torno da estrutura da mandíbula e das maçãs do rosto, com tecido lateral aceitável para evitar a circulação do ar ou a entrada/saída de gotículas.

4. Tête-à-tête

É preciso perceber como é que a barba convive com a máscara e vice-versa. Se a primeira for muito espessa e o uso da máscara provocar desconforto, pode ser útil tentar alisá-la com uma escova própria e amaciá-la com óleos adequados. Ou mesmo prendê-la, em último caso.

5. Verbo higienizar

Da mesma forma que adotámos precauções sanitárias extraordinárias, como a etiqueta respiratória, a distância de segurança, o lavar das mãos constante, dever-se-á considerar ter os mesmos cuidados com a barba. Pede-se uma lavagem ao final do dia com recurso a champô ou, pelo menos, água e sabão.

6. Hidratar, hidratar, hidratar

De forma a manter o ph natural da pele e da barba – algo que a máscara pode desregular ­– é necessária uma boa hidratação. Muna-se de um condicionador para a barba, suave, mas rico em vitaminas e adicione um sérum à sua rotina. Dê especial atenção aos que contêm ácido salicílico, um antibacteriano e desinfetante natural. Para a sensação de formigueiro, tenha à mão uma água termal para borrifar o rosto.

7. Toque final

Para além do maskne (termo utilizado para problemas de pele causados pelo uso da máscara, em especial o acne), a pele sofre outras irritações, nomeadamente as provocadas por um barbear mais agressivo. Dê uma oportunidade a um óleo hidratante que sirva de barreira de proteção entre a lâmina e a pele. Se necessário apare a barba, conforme o seu comprimento, de forma a acomodá-la harmoniosamente dentro da máscara.

Uma nota

Ter conhecimento de como cuidar da barba durante a pandemia não evita que possa, igualmente, contrair o vírus. Estará sim, a reduzir a probabilidade de tal acontecer e a proteger os que estão à sua volta. Lave as mãos, lave a máscara, lave a barba. Cuidados extra(ordinários) são mais necessários que o habitual, mas afinal isso já sabe, ou não estaria a viver em 2020.

 

Saiba mais grooming, pandemia, coronavírus, COVID-19, barba, máscara, cuidados de rosto, skincare
Relacionadas

Pelas minhas barbas!

As barbas estão na moda há tantos anos que já deixaram de estar na moda e, no entanto, vêem-se cada vez mais homens com a cara coberta de pelo. Porque será que a nossa geração gosta tanto delas? E o que fazer para deixar crescer uma da qual nos possamos orgulhar?

Cuidados de Beleza para quem não tem tempo

Se o tempo é o mais precioso dos luxos, ser prático na rotina de grooming é uma necessidade de quem não tem um segundo a perder. Deixamos dez sugestões eficazes para não ter de sacrificar o bom aspeto em detrimento do passo acelerado dos seus dias.

Uma história com muitos pelos

Ao longo dos tempos, os pelos faciais têm tido um papel mais relevante do que lhes é atribuído. Tiveram força, simbolizaram poder, ideologias políticas e estatutos sociais tanto quanto já foram ridicularizados e até legislados contra. Foram oprimidos e foram imortalizados através das artes e de personagens icónicas da história. Mas nunca desapareceram de cena.

Mais Lidas
Beleza & Bem-Estar Quem são as duas novas bilionárias da China?

Fiona Cai apresenta um programa na internet em Nanchang, na China, que transmite ao vivo canções pop do país para vários milhares de seguidores das redes sociais. Tem 28 anos, mas gasta cerca de 1.000 yuans (155 dólares) por mês numa injeção de reforço da pele.

Beleza & Bem-Estar Após quase um ano de pandemia, será que perdemos a noite?

Outrora festivas, espaços de experiências e de liberdade, as nossas noites, confinadas, escurecem e escapam-nos, a ponto de desaparecerem. Até mesmo o nosso sono está a perder qualidade, degradado pela angústia. Como podemos viver privados do tempo noturno, salvador que rompe com o quotidiano? Por Sofiane Zaizoune