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Hugo Santos Ferreira. “O luxo verdadeiro é discreto e confiante”

Depois de Nova Iorque, Hamptons e sul da Flórida, a empresa americana Corcoran, que vende imóveis de luxo, abriu um escritório em Lisboa na Avenida da Liberdade. O plano é abrir lojas no Príncipe Real (Lisboa), Comporta, Porto, Algarve e Madeira. Em Portugal, o negócio está entregue a Hugo Santos Ferreira, CEO da Corcoran Atlantic.

Hugo Santos Ferreira lidera a Corcoran Atlantic em Portugal.
Hugo Santos Ferreira lidera a Corcoran Atlantic em Portugal. Foto: DR
29 de janeiro de 2026 | Augusto Freitas de Sousa

Como define luxo? 

Para mim, luxo é aquilo que acrescenta valor real à vida quotidiana. Não se trata de excesso ou de exuberância, mas de qualidade, propósito e tempo. Luxo é viver num espaço bem desenhado, com luz natural, silêncio e conforto, onde cada detalhe existe por uma razão. É a capacidade de escolher com critério e viver com intenção. 

Considera-o um investimento financeiro, emocional ou cultural? 

É inevitavelmente, uma combinação das três dimensões. No imobiliário de luxo, um bom investimento protege e valoriza capital, mas também cria uma ligação emocional profunda ao espaço e integra-se num contexto cultural específico – seja pela arquitetura, pela localização ou pela história. Quando estas três dimensões estão alinhadas, o ativo torna-se verdadeiramente duradouro. 

Que marcas ou experiências são referência para si neste universo e porquê? 

Mais do que marcas, valorizo filosofias. Referências como Claridge’s e Aman destacam-se pela coerência, pela atenção ao detalhe e pela capacidade de criar experiências autênticas e intemporais. São exemplos de luxo silencioso, onde a excelência não precisa de explicação.

Como se distingue da ostentação? 

A ostentação é ruidosa e procura validação externa. O luxo verdadeiro é discreto e confiante. Não precisa de se impor nem de ser imediatamente reconhecido. Está na qualidade dos materiais, no conforto invisível, no serviço irrepreensível e na forma como tudo funciona de forma natural. 

Qual o papel da exclusividade? 

Considero que a exclusividade não está associada ao inacessível, mas ao único. No setor do imobiliário de luxo, exclusividade é uma vista irrepetível, uma localização singular, um edifício com identidade própria ou uma casa pensada ao detalhe para quem a habita. É algo que não pode ser replicado em escala. 

O luxo é mais uma questão de conforto, estética, status ou cultura? 

É sobretudo cultura. O conforto e a estética são fundamentais, o status acaba por ser uma consequência, mas é a cultura, o modo de viver, de habitar e de apreciar o espaço, que transforma um produto caro numa experiência verdadeiramente luxuosa. 

Qual foi o último objeto ou experiência de luxo que o marcou?

Uma experiência recente que me marcou foi uma experiência num hotel minimalista, mas com um serviço personalizado de excelência. Esse aparente minimalismo só é possível quando existe um enorme rigor por trás. Esse é, para mim, o luxo mais sofisticado.

Como lida com tendências? Segue ou ignora? 

As tendências devem ser observadas com atenção, mas filtradas com critério. Nem todas são relevantes ou duradouras. Interessa-me perceber quais reforçam valores estruturais – como sustentabilidade, bem-estar, flexibilidade ou integração com o meio envolvente – e ignorar o que é meramente efémero.

Que serviços ou detalhes fazem uma experiência verdadeiramente luxuosa para si? 

A antecipação das necessidades. Quando o serviço é tão bem pensado que não exige esforço por parte do cliente. No imobiliário, isso traduz-se em serviço personalizado e humanizado, acima de tudo, tecnologia intuitiva, materiais de qualidade e equipas que conhecem profundamente o produto que representam.

O que mais valoriza num hotel? 

Valorizo a experiência completa, onde cada detalhe contribui para o bem-estar e a sensação de pertencer. Isto inclui conforto físico real – bom descanso, serviço atento sem ser intrusivo – e também algo mais subtil: coerência com o lugar e com a identidade do hóspede. Essa busca pela experiência integrada é, aliás, uma das principais razões pelas quais acredito que as branded residences representam uma das tendências mais relevantes no segmento de luxo atual. Ao contrário de um hotel tradicional, combinam a associação a uma marca de hospitalidade reconhecida (que garante serviço, qualidade e standards consistentes), com a privacidade e o conforto de uma residência permanente ou de férias, e a experiência de lifestyle que clientes exigentes procuram, seja em termos de serviço, design, ou programas culturais e de bem-estar. Neste segmento, a Corcoran Atlantic apresenta-se como elo entre a excelência da marca e as aspirações do cliente. Num mundo onde os clientes já não querem apenas um destino, mas um lifestyle consistente, seja para habitar, passar temporadas ou investir, as branded residences são hoje um dos exemplos mais marcantes do que o luxo contemporâneo pode significar. 

Neste universo, que oferta gastronómica procura? 

Procuro autenticidade. Produtos de excelência, respeito pela sazonalidade e simplicidade na execução. A verdadeira sofisticação gastronómica está em valorizar a origem e não em criar espetáculo desnecessário. 

Que novos públicos estão a entrar no universo do luxo? 

Estamos a assistir à entrada de públicos mais jovens, globais e altamente informados. São clientes exigentes, que valorizam experiências personalizadas, sustentabilidade, tecnologia e flexibilidade, mais do que símbolos tradicionais de status. Em Portugal, destaca-se o crescente interesse de clientes norte-americanos e franceses, que procuram projetos de luxo alinhados com qualidade de vida e autenticidade. 

Que papel desempenham as redes sociais? 

As redes sociais são uma ferramenta poderosa de comunicação e posicionamento, mas também representam um desafio. O luxo não pode viver apenas da imagem. É essencial que a narrativa digital seja sustentada por conteúdo, autenticidade e experiência real.

Que novos luxos imagina para o futuro? 

O tempo, a privacidade, o bem-estar e o contacto com a natureza como os grandes luxos do futuro. No imobiliário, isso traduz-se em casas mais bem pensadas, mais humanas, mais eficientes e alinhadas com o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. 

Que objeto possui que considere luxuoso? 

O meu tempo. Num mundo cada vez mais acelerado, poder escolher como e com quem o utilizo é a forma mais pura de luxo.

Saiba mais Casados à Primeira Vista , Casa nova , Casa , Caso , Santos Ferreira , Portugal , Atlantic
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