Conversas

De pequena empresa familiar a marca de luxo

Num mercado dominado por gigantes da cosmética, os negócios familiares prósperos merecem um olhar especial. Jose e Edmond Eisenberg, a dupla de pai e filho que elevou a Eisenberg ao estatuto de marca de luxo internacionalmente reconhecida, falaram connosco sobre a sua paixão pela Beleza em todas as suas formas: da Arte à perfumaria.

José Eisenberg & Edmond Eisenberg
José Eisenberg & Edmond Eisenberg
02 de abril de 2020 | Carolina Silva

"O meu maior choque aconteceu quando descobri Florença e a Renascença quando eu era muito jovem", conta Jose Eisenberg, referindo-se ao seu primeiro encontro com a arte que viria a transformar-se num amor vitalício. "Eu fiquei espantado pelo poder e pelo refinamento das peças de arte que encontrava por todo o lado no centro histórico da cidade. E admirava-as, ‘visitava-as’ uma e outra vez." M. Eisenberg tinha 13 anos e acabara de chegar de uma Bucareste em plena Guerra Fria. Começou a trabalhar em pequenas oficinas e nos percursos pelas ruas de Florença foi estreitando uma relação com a cultura. "Por isso, assim que eu ganhei o meu muito baixo primeiro salário, comprei o quadro com o qual sonhava, de um artista romeno que me recordava a minha infância... Talvez ninguém dissesse que se tratava de uma obra de arte, mas eu tive uma ligação enorme com ela. Ainda a tenho e ainda a observo com amor!"

O empresário, apontado como um dos maiores colecionadores de arte do mundo, admite que a Arte está em tudo o que faz e talvez esta sua paixão tenha influenciado o trajeto que começou cedo na indústria da moda italiana. Entre 1968 e 1972, a sua pequena empresa de cinco pessoas passou a empregar milhares de colaboradores que desenhavam e produziam peças para nomes como Gucci, Marks & Spencer e Dior. Este seu empreendedorismo valeu-lhe a Cidadania de Honra por ter contribuído para o desenvolvimento da região da Basilicata. Interessado no potencial da tecnologia adaptado à moda, deu o "salto" para Boston, onde aprofundou os seus conhecimentos sobre inteligência artificial. A sua marca de beleza foi o culminar de todas estas aprendizagens. Juntando arte, moda, tecnologia, progresso e 15 anos de investigação (que resultaram na excecional Formula Trio-Molecular), fundou a Eisenberg Paris, em 2000. Hoje, a seguir os passos do pai, Edmond Eisenberg é o responsável pela estratégia internacional, pela identidade visual e pelos valores da marca francesa. Herdou a paixão pela Arte em todas as suas formas, particularmente pela música, e foi autor e intérprete da música de um dos spots publicitários da marca. Falámos com ambos sobre as suas paixões e visões para o futuro.

 

O seu percurso começou na Roménia, onde nasceu, passou pela indústria da moda em Itália, pelo ramo da inteligência artificial nos Estados Unidos e pela cosmética em França. Como é que tudo isto culminou na marca Eisenberg?

Jose Eisenberg – Eu sempre vivi num ambiente em que a Beleza e o conhecimento eram muito admirados e respeitados. A minha paixão pela Beleza e pela tecnologia rapidamente se transformou num desejo de criar a minha própria coleção de moda e, eventualmente, de trabalhar com o que estava verdadeiramente a revolucionar e a reformular a sociedade e as mentalidades: TI [tecnologias de informação]. Foi por esta razão que, após muitos anos a trabalhar em Moda e em Tecnologia, eu decidi viver todas as minhas paixões numa profissão, criando contudo uma beleza intemporal e começando a imaginar a minha marca, em 1985, com a minha própria identidade, os meus valores e a minha visão de beleza.

 

Edmond Eisenberg – Eu tenho muito orgulho no meu pai e em tudo o que conquistou na vida. Ele começou do nada, construiu o seu percurso através do sucesso e mudou o seu destino, graças à sua determinação, visão, força e luta por uma vida melhor. Admiro-o muito por isso. Mas, acima de tudo, porque fê-lo sempre com respeito, moral e permanecendo fiel aos seus valores, e com extrema rigidez no que diz respeito à ética.

 

Recorda-se dos primeiros passos da Eisenberg?

E.E. – Eu era muito pequeno, na altura, mas recordo-me de me sentir nervoso porque sabia que criar uma marca própria representava um grande risco. Muitos tentam e, apesar do talento, não têm sucesso. Ainda sinto o stress, o meu coração acelerado durante a primeira conferência de imprensa do meu pai, seguido de uma imensa alegria e orgulho quando constatamos que a coleção estava a ser um sucesso.

 

Edmond Eisenberg
Edmond Eisenberg




Lançou a Eisenberg após 15 anos de pesquisa, em 2000. Como soube que o timing era o certo, precisamente no virar do século?

J.E. – Na altura em que eu decidi lançar a minha própria marca, as empresas de cosmética utilizavam células animais para as suas pesquisas e produtos. Eu considerava esta prática absurda, por um lado porque respeitava veementemente os direitos dos animais e, por outro, porque não se podem misturar células humanas com células animais. Assim sendo, a resposta tinha de ser dada pela natureza. Dirigimo-nos a algo que nunca havia sido feito, a biotecnologia pura e absoluta que inaugurou uma nova era. Depois de 15 anos de investigação científica e de testes clínicos, descobrimos uma combinação única de três moléculas, cuja sinergia representava uma inovação revolucionária. Batizei esta descoberta de Trio-Molecular Formula e, hoje, é a que se encontra no "coração" dos nossos produtos

 

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Como é que uma marca de beleza de luxo permanece relevante num mercado tão mutável?

E.E. – As marcas de luxo de hoje, mais do que todas as outras, têm de "falar" aos seus consumidores de uma perspetiva mais alargada do que há uma década. As pessoas já não compram apenas os produtos, pois compram uma história, valores, sonhos… Mais importante: o consumidor já não é ingénuo e procura qualidade e resultados reais. No entanto, o luxo e o marketing inteligente não são o suficiente para garantir um sucesso eterno: uma marca premium tem de ser inovadora, manter a sua promessa e entregar resultados. Acredito que a Eisenberg representa esta mistura que todos procuram: autenticidade e paixão.

 

Posicionou a Eisenberg como uma marca de luxo, mas esperava que o feedback fosse tão positivo por parte dos consumidores, alguns deles célebres?

J.E. – Eu acreditava, desde o início, que seríamos únicos no mercado de beleza. Não somos uma corporação multinacional. Somos uma marca familiar com a nossa própria identidade e valores. Nutrimos e cultivamos a nossa independência criativa, o que nos permite concentrarmo-nos em fazer os nossos produtos com perfeição, mesmo que isso implique algum tempo… Eu acredito que a eficácia de um produto é fundamental no sucesso de uma marca e os nossos cuidados de pele entregam resultados instantâneos e visíveis e de longa duração graças à nossa fórmula patenteada e aos ingredientes de alta tecnologia que escolhemos cuidadosamente. Desde o início que temos dado elevada importância a ser uma marca universal que oferece soluções para todo o tipo de peles e necessidades.

 

A sua conexão com a Arte vai mais além de colecioná-la. Pode falar-me desta paixão e de como começou?

J.E. – Eu não sou contra colecionar Arte. Eu sou contra a especulação, sou contra os amantes de arte falsa e sou contra pessoas que compram e guardam peças de arte maravilhosas e nunca sequer olham para elas. Estão apenas fascinados com aquilo que possuem. Arte é emoção e não especulação. Arte é generosidade, um amor à primeira vista, uma conexão instantânea entre duas mentes, harmoniosa ou violenta. É uma janela aberta para a alma do artista, um olhar para o seu mundo e para a sua humanidade, no qual cada um pode encontrar perguntas e respostas, paz ou guerra, até o seu próprio autorreflexo. Isto deve ser respeitado, reconhecido e verdadeiramente admirado. Eu sinto verdadeiramente que a Arte faz parte do meu ADN: pintura, música, ópera, escultura... Sou um apaixonado por todas as formas de arte porque existe uma perfeição, um significado em cada nota, posição, cor, material. Cada peça que eu adquiro é um tesouro para mim.

 

Qual é a sua preferida?

J.E. – Um quadro de Juarez Machado que lhe pedi que fizesse para mim, depois de termos trabalhado juntos na coleção L’Art du Parfum. Levou dois anos a alcançar o resultado final que eu havia imaginado. O que eu posso dizer sobre ele é que é uma ode às mulheres, à beleza e a Veneza de 1700... E que eu estou no quadro!

 

Imprimiu esta paixão na Eisenberg, particularmente nas fragrâncias. Porquê?

J.E. – Acredito que como a pintura, a escultura, a escrita ou a música, os perfumes são peças de arte que falam à alma e que despertam as nossas emoções mais profundas. Resultam de um processo emocional e artístico que requer verdadeira introspeção. Um aroma pode provocar-nos nostalgia, excitação ou perturbação, dependendo da nossa perceção do cheiro e da experiência associada ao mesmo. Apela de formas distintas aos nossos sentidos e recria uma emoção duradoura. A coleção L’Art du Parfum personifica na perfeição esta conexão entre arte e perfumaria. Aproximam-se para expressar a essência da vida, a sensualidade, o luxo e a beleza. Um perfume conta a história de quem somos e de quem queremos ser e está mais ligado à imaginação e às emoções do que à cosmética, que consiste em produtos que são primeiramente criados para responder a uma necessidade prática e específica. Diria que as fragrâncias fazem parte do mundo inatingível da beleza, enquanto a cosmética pertence a um mundo mais concreto e visível.

 

Fragrances & Skincare ( Eisenberg)
Fragrances & Skincare ( Eisenberg)




Quais são as suas expectativas para a marca Eisenberg num futuro próximo?

J.E. – Eu espero que cresça dia após dia e que se distinga orgulhosamente entre as marcas mais "antigas" e bem estabelecidas. A Eisenberg é cada vez mais amada e mais respeitada. Eu sinto-me muito sereno porque sei que o meu filho, Edmond, é uma ótima pessoa, extremamente comprometido e inteligente, e que irá perpetuar os nossos valores e identidade com paixão e rigor.

 

O que considera ser o futuro da cosmética, no geral?

E.E – Mais do que nunca, as pessoas estão a pensar em limpar, proteger e hidratar a pele para mantê-la saudável, especialmente porque há muitas questões ambientais a prejudicar o planeta. O futuro também passa pela ciência e pela natureza e a Eisenberg continuará um passo à frente neste campo.

 

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