Artes

Livros de outono

As tardes de outono inspiram leituras e recolhimento. Deixamos cinco pistas para explorar.

17 de outubro de 2019 | Rita Lúcio Martins

Em Todos os Momentos Estamos Vivos, de Tom Malmquist (Porto Editora)

Não raras vezes, a realidade ultrapassa a ficção. É assim neste romance autobiográfico, onde o premiado autor sueco conta como, a poucas semanas de ser pai, descobriu que a mulher tinha uma doença grave, acabando por morrer. Uma vida em colapso e um bebé no colo, num livro sobre dor e luto que também é uma lição de coragem e de resiliência.

O Jornalista Desportivo, de Richard Ford (Porto Editora)

Originalmente publicado em 1984, foi o primeiro volume da trilogia Bascombe, que projetou este premiado escritor natural do Mississippi, apontado como um sério candidato ao Nobel. O romance centra-se em Frank Bascombe, um jornalista desportivo de 38 anos que, por detrás da aparência de uma vida perfeita, vive atormentado por perdas e lutos. Uma personagem realista e ao mesmo tempo simbólica, que retrata de forma profunda e multidimensional o homem da América contemporânea.

O Jornalista Desportivo
O Jornalista Desportivo

O Rapto de Edgardo Mortara, de David I. Kertzer (Editorial Presença)

Finalista do National Book Award, este livro parte de um episódio histórico pouco conhecido mas de um enorme impacto, já que abalou a estrutura do Vaticano, enquanto poder secular. A história remonta a 1858, ano em que uma criança é arrancada dos braços do pai, em Bolonha, após ter sido baptizada. Filha de judeus, é então levada por dois oficiais da Inquisição, sob o pretexto de concluírem a sua conversão. A partir deste momento chocante, o historiador desenha um thriller que é também um documento do seu tempo, retratando a Itália do século XIX.

O Rapto de Edgardo Mortara
O Rapto de Edgardo Mortara

O Diabo Foi Meu Padeiro, de Mário Lúcio Sousa (D. Quixote)

Mário Lúcio Sousa nasceu no Tarrafal, na ilha de Santiago. Homem de múltiplos talentos, este cabo-verdiano licenciado em Direito já foi deputado e Ministro da Cultura do seu país. É ainda compositor, instrumentista e autor de vários livros premiados. Nesta obra, publicada 45 anos depois do encerramento do Campo de Concentração do Tarrafal, relata a história da prisão que haveria de ficar na história pelo horror e violência, acabando assim por homenagear todos os que por lá passaram.

O Diabo Foi Meu Padeiro
O Diabo Foi Meu Padeiro

Augustus, de John Williams (D.Quixote)

É um livro em formato de sublime colagem, uma obra em que o autor se rodeia de cartas, biografias e memórias para recriar o império romano, da morte de Júlio César até aos últimos dias de Augusto. Internacionalmente aplaudido, este romance histórico tem sido elogiado pela sua grandeza da história mas, simultaneamente, pelo rigor e detalhe da escrita, trançando uma narrativa cativante já distinguida National Book Award.

Augustus
Augustus

 

Saiba mais livros, outono, novidades, leitura
Relacionadas

Cartas privadas de Prémio Nobel a Jackie Kennedy vão a leilão

O objetivo de qualquer coisa considerada “colecionável” - um cartão de beisebol, um selo, um autógrafo - é que o seu valor se baseia em critérios definidos pelo mercado. Se não houver consenso sobre quais são esses valores, os cartões de beisebol são apenas papel laminado, e os selos são apenas, bem, também papel laminado.

Os segredos de um restaurante Michelin

Para assinalar os 15 anos do restaurante Eleven, em Lisboa, o chef Joachim Koerper partilha receitas daquele que é um dos mais emblemáticos restaurantes da capital.

Mais Lidas
Artes As Bond girls mais sexy de sempre

De Ursula Andress a Denise Richards, passando por Halle Berry e Monica Bellucci, estas são as mulheres mais icónicas que passaram pelos 25 filmes de James Bond desde 1962.

Artes Todas as imagens do Calendário Pirelli 2020

Para a 47ª edição do calendário, Paolo Roversi inspirou-se de uma das mais emblemáticas personagens de William Shakespeare. Este ano, e pela primeira vez, as fotografias deste calendário são acompanhadas de um mini filme.