Viver

Chamem-me Mr. Monaco, o melhor amigo dos milionários

Se quiser dar uma festa para multimilionários, vai precisar de champanhe vintage, de mulheres jovens e muito sensuais e de um iate de luxo. E, eventualmente, de incluir um atleta olímpico ou um astronauta na lista de convidados. Isto, de acordo com Nicholas Frankl, que se define como um “conector”, um homem que estabelece contactos UHNW*. Só visto!

Foto: The Sunday Times
31 de dezembro de 2019 | Charlotte Edwards- the Sunday Times

Mr. Monaco é a alcunha de Nicholas Frankl, um homem cuja existência banal passa por ser o melhor amigo de membros da realeza, de pessoas com elevado património líquido, de celebridades, de atletas e de indivíduos que alcançaram um êxito extraordinário. Basicamente, um Mr. Big. Neste enclave de multimilionários, ele é, simultaneamente, anfitrião de festas, relações-públicas e "fixador", uma função que ele apelida de "conector global". Quem diria que os multimilionários precisavam de ajuda para conhecerem outras pessoas? Pois é, precisam. "Não se trata, apenas, de gostarem de estar uns com os outros", diz ele. "Eles também procuram ‘capitalizar os seus relacionamentos’. E confiam em mim. Eu posso pô-los, rápida e facilmente, em contacto. Eu sei do que eles gostam e com quem se devem dar. Seja qual for o assunto, eu sugiro, sempre: ‘Vocês deviam conversar.’ E eles podem, até, estar situados em lados opostos do mundo. Trata-se, apenas, de pôr em contacto indivíduos bem-sucedidos e com uma mentalidade semelhante.

Frankl facilita estes contactos, organizando eventos em iates de luxo, com um valor de participação exorbitante, fretados no Mónaco e em Art Basel, em Miami Beach, no Concours d’Elegance, em Monterey, ou em locais similares. Os convidados pagam 16 mil euros por casal para consumirem quilos e quilos de caviar (que custam mais uns "milhares") e, pelo menos, 20 mil euros em champanhe vintage (rosa). As pessoas são atraídas pelo alto nível dos participantes, pela intimidade. É isso que torna estes eventos famosos. As pessoas aplaudem-no: "Nicholas, esta festa é um acontecimento verdadeiramente excitante!" Desde há 12 anos que Frankl organiza, anualmente, uma dessas festas em Kennedy Quay, com vista para o circuito de Fórmula 1, no Mónaco. Há, diz ele, 15 ancoradouros "exclusivos" que custam cerca de 50 mil euros por semana. E pôr tudo isto a andar implica um investimento de cerca de seis dígitos. Esta é a primeira das três noites de extravagância e começa com um jantar. O património líquido destes convidados, diz-me ele mais tarde, pode totalizar "mais de 100 mil milhões de dólares". Mas ele insiste que conviver com tanta riqueza não o alterou em nada. "Muito sinceramente, quando olho para eles não penso: quanto é que eles valem?" Como se sabe, o Mónaco é o microestado governado pelo príncipe Alberto II, que, de resto, é um grande amigo de Frankl. O principado é o mundo de Sir Philip Green. É um lugar onde a ostentação é um requisito e onde a pobreza é quase invisível (quem pretenda ir viver para o Mónaco é investigado financeiramente). Um gelado custa 20 euros, uma mesa numa discoteca 30 mil (com bar aberto). Ao cair da noite, algumas centenas de milhares de euros rodam pelas roletas de Monte Carlo. Nicholas Frankl expressa uma timidez burlesca quando lhe pergunto se é milionário. Ele tem apenas um "pequeno apartamento" no Mónaco. Mas é menos tímido quando afirma que, para se viver no principado, tem de se ter uma soma substancial de dinheiro depositada numa conta bancária do país: entre 300 mil e um milhão de euros. Os lucros ou ganhos de capital obtidos por estrangeiros não são tributados. À minha chegada, o som da aceleração dos motores dos carros de corrida saúda-me. Sim, o Grande Prémio está a decorrer. O porto está repleto de iates de luxo. Fundeado à distância, o Dilbar, de Alisher Usmanov, do tamanho de um navio de guerra, impõe-se na paisagem. Frankl diz que o Eclipse, de Roman Abramovich, também ali esteve, recentemente. Por todo o lado, as mulheres desfilam no que parece ser um código de vestuário com apenas duas opções: roupas de praia ou roupas de noite (ambas tendo o champanhe como acessório). Frankl, de 45 anos, oferece-se para me dar uma mostra desta vida de ritmo vertiginoso. Para tanto, irei passar algum tempo a bordo do seu iate de luxo. A minha primeira impressão é que todos os homens do Mónaco querem ser o Steve McQueen. E Mr. Monaco não é uma excepção. Atravessa o lobby do hotel, onde marcámos o nosso encontro, com uns óculos de sol made by Persol: Steve McQueen, edição 714. "McQueen é um dos meus grandes heróis", esclarece. "Eu piloto aviões e ele era piloto. Ele costumava voar na Califórnia, onde eu também voo. Era a única imagem que eu usaria numa T-shirt." Em comum, apenas um brevet. Frankl é mais requintado do que robusto. Tem um bom corte de cabelo e as unhas bem tratadas. Enverga um fato Savile Row com o forro com flamingos rosa. É uma brincadeira que partilha com os amigos do Gustavia Yacht Club, em St. Barths, como explica. "O flamingo é o nosso emblema não oficial, porque há um restaurante em St. Barths que tem flamingos cor-de-rosa e é onde nos inebriamos com rosé." O seu relógio Omega é, afirma, um legado do seu tio, Maurice, um grande fã de Fórmula 1.

Nicholas Frankl num evento da My Yacht F1 Club em 2013
Nicholas Frankl num evento da My Yacht F1 Club em 2013 Foto: Getty Images

 Antes de irmos para o iate de luxo, Nicholas Frankl sugere mandarmos vir comida para almoçarmos na praia. Atira os seus dois telefones para cima da mesa e encomenda, em Inglês, uma salada niçoise, acrescentando um "S’il vous plaît" ("eu mal ‘arranho’ o Francês", confessa). Infelizmente, não fazem salada niçoise, pretexto para Frankl aludir, com nostalgia, aos bons velhos tempos. Enquanto esperamos, devoro uma tigela de frutos secos. Ao fim de uns minutos, apercebo-me que Frankl está a olhar para mim. "Ainda não comi nenhuma", diz, apontando para as nozes. "Ainda sobraram algumas", respondo. "Não a vou convidar para o meu iate", resmunga. "Você vai comer todos os aperitivos antes de alguém ter tempo de começar." Ofereço-me para pedir mais ao empregado, mas ele diz-me para não me incomodar. Esta será a minha primeira experiência em que Frankl deixa cair a sua máscara de encanto. Entretanto, ele retoma a conversa, referindo que na noite anterior esteve no "lendário" Sass’ Café até às 2 da manhã. "Juntou-se muita gente a nós. Começámos dez e terminámos vinte e cinco", remata. No último mês, viajou por Hong Kong, Cannes e Los Angeles. Fornece-me detalhes pitorescos. Por exemplo, Cannes é "tão vulgar, nos dias de hoje". E em LA, na semana passada: "Estive hospedado no Chateau Marmont, um lugar adorável. O serviço é um pouco medíocre, mas a senhora da porta conhece toda a gente. Não a via há seis meses. ‘Olá, Nicholas! Que bom vê-lo! Entre’", recorda. Não gosta de Londres. "É uma cidade suja, cheira mal." Ou de Mustique. "É preciso ser-se um dos melhores amigos de Mick Jagger para se ser aceite no meio, nos grupos mais divertidos." Gstaad é "entediante". Phuket, na Tailândia, "é horrível, horrível". Viajar tanto pode parecer "fascinante", prossegue Frankl, mas torna difícil ter-se uma namorada. "E eu ainda não encontrei uma mulher suficientemente fantástica para desejar que ela me acompanhe nas viagens à volta do mundo." A relação mais prolongada durou "três anos e meio". Mas ele acrescenta, rapidamente: "Actualmente, quase todos os meus amigos estão divorciados. Dizem-me todos: ‘Não te cases. Tens uma vida fantástica. Não assines o papel.’" Explica-me qual é o seu tipo de mulher: "Infelizmente, sinto-me atraído por modelos altas, com pernas altas", confidencia. "Algumas delas também parecem gostar de mim, o que é bom no imediato, mas não se revela muito satisfatório, a longo prazo. Na verdade – recorda –, conheci uma mulher bonita, com apenas trinta anos, no Soho House, em Los Angeles. É inglesa. É o meu tipo de mulher." Uma modelo? "É que as modelos e as actrizes são inseguras", diz. "Mas conhecer uma mulher que optou por ser advogada ou médica, quando podia ter sido modelo, essa, sim, é uma escolha de vida interessante." Talvez ele procure nos lugares errados, sugiro. "As pessoas dizem-me: ‘Nicholas, só vais aos sítios errados.’ Mas eu vou a eventos culturais. A eventos desportivos. Ao supermercado…" Ao supermercado? "Pode-se conhecer pessoas, casualmente." As raparigas com que ele sai estão na casa dos vinte anos, algumas "um pouco" mais velhas. "Se quiser assentar, gostava de encontrar alguém com trinta anos." Prefere raparigas completamente depiladas lá em baixo, comenta, e – como por associação – começa a falar no "livro de cheques peludos" (usar o sexo para pagar um serviço). Quando se está sem dinheiro, tem de se recorrer ao "livro de cheques peludos". No caminho para o tender (lancha de apoio), somos assistidos por uma cadeia de homens com pólos e bonés de basebol fornecidos por Frankl e com o logotipo da sua empresa, a My Yacht. Oferece-me um produto para limpar ecrãs, cujo logotipo é um Ferrari com um iate no Grande Prémio do Mónaco. "Está a ver o que é que se pode dar às pessoas que têm tudo?", observa. "Agora, você passa orgulhosamente a pertencer ao nosso restrito clube." A lancha acelera e Frankl eleva a voz acima do ruído para me dar algumas explicações. "É um iate de 156 metros e pertence a um oligarca russo. É o maior do mundo." Mais tarde, observa um carro na pista da corrida e afirma: "É um LaFerrari, de Genebra. Um carro de quatro milhões de euros." Este conhecimento enciclopédico de carros de corrida e de iates de luxo foi acumulado ao longo de uma vida ligada à Fórmula 1. Foi ao Mónaco durante "vinte e sete anos consecutivos". O seu pai, Andrew, durante cinquenta e dois. Andrew Frankl, um refugiado húngaro, era jornalista desportivo e Nicholas cresceu nos pit-boxes e paddocks durante a época dourada do automobilismo, antes de os pilotos serem segregados pelos relações-públicas, diz. "Uma vez, estava num aeroporto, a apanhar o voo para o Spa-Francorchamps para o Grande Prémio. O voo foi cancelado. Graham Hill estava lá. Ele tinha um avião bimotor a hélice e disse-lhe: ‘Venha, Andrew, junte-se a mim. Vou eu a pilotar.’ Não me parece que, nos dias de hoje, o Lewis [Hamilton] convide as pessoas para se juntarem a ele no seu Challenger 605", acrescenta, com uma risada. Conheceu Bernie Ecclestone e Max Mosley, diz-me. "Uns tipos excelentes. Não fiz negócios com eles. Gostava de ter tido essa oportunidade. Provavelmente, teria feito muito dinheiro, como todos os que se associaram a eles. Infelizmente – comenta –, a Fórmula 1 já não é tão excitante como era. Agora é muito mais corporativa, muito mais regulamentada e os pilotos perderam o seu carisma e excentricidade. Mas é assim que o mundo está agora: tudo muito politicamente correcto. Temos de ter muito cuidado com o que dizemos para evitarmos aborrecer a pessoa errada." Sugere-me que assista a um filme chamado When Playboys Ruled the World, sobre o automobilismo de meados dos anos 70. "Barry Sheene ganhou o Campeonato Mundial de MotoGP/500cc e James Hunt venceu o campeonato de Fórmula 1. Eram rapazes muito mal-comportados. Bem, as raparigas que andaram com eles também se estavam a divertir, mas actualmente isso seria um comportamento censurado. A maioria dos pilotos não anda em farras. São casados ??e com filhos. A ideia de, antes da qualificação, dar uma ‘rapidinha’ numa autocaravana com uma mulher fantástica, já não cai bem."

Frankl fala-me do seu passado. Houve um curto período em que trabalhou como comentador de rádio. "Na BBC Radio South. Deve ter sido em 1990", ri-se. "Recebia dez libras por cada transmissão. Gastava mais do que isso no telemóvel, mas era divertido. Nunca esquecerei o valor de um tenner (dez libras)." A seguir, durante três anos, a partir de 1996 e depois de conhecer Edward Asprey num jantar, foi encarregado de gerir o patrocínio da Asprey a uma equipa de Fórmula 1. A marca Asprey acabara de ser vendida por 100 milhões de libras – "muito dinheiro, na altura" – ao príncipe Jefri Bolkiah, irmão do sultão do Brunei. "O príncipe Jefri estava, um pouco, numa ‘onda’ de gastos. Achou boa ideia patrocinar uma equipa de Fórmula 1 e, por isso, fez com que a Asprey entrasse no mundo dos Ferraris. Era a época em que Michael Schumacher e Eddie Irvine pilotavam. No contexto destas novas funções, fui apresentado a um grande número de pessoas que, claro, eram bastante ricas. Eu tinha apenas vinte e cinco anos." Assim, quando o patrocínio terminou, o seu livro de contactos estava recheado de nomes que iam desde empresários de dotcom até à aristocracia. "Em 2000, passei a ser conhecido como Mr. Monaco. Começaram a ligar-me, a dizer: ‘Olá, gostávamos de voltar ao Grande Prémio do Mónaco. Será que nos pode ajudar?’ E eu respondia-lhes: ‘Claro! O que precisa?’ E eles explicavam: ‘Um quarto, uma mesa no Jimmy’z e um lugar para assistir à corrida.’ Mas eu percebi que assistir ao Grande Prémio de um iate de luxo torna tudo ainda mais fantástico. Está-se neste porto natural e o Grande Prémio a decorrer em redor. E toda a gente – quem quer que seja – quer andar num iate de luxo. Se receber um convite que diz: ‘Olá, quer vir ao meu terraço?’ Ou outro do género: ‘Olá, quer vir assistir do meu iate de luxo?’ Acredite em mim, você escolhe o iate." O mais estranho do seu CV é que, sendo já Mr. Monaco, ele foi para a Hungria para aprender bobsleigh e acabou por se qualificar, como elemento da equipa húngara, para os Jogos Olímpicos de 1994, 1998 e 2002. Tem um imenso orgulho em ser um "atleta olímpico". Como ele explicou a um entrevistador: "Permanece-se atleta olímpico para sempre. Assumem-se ideais, qualidades e comportamentos que se devem honrar para sempre." O Príncipe Alberto destacou-se no mesmo desporto. Aparentemente, o grande prazer do monarca é ir a pubs com os seus companheiros de bobsleigh. Houve também um pequeno período na Califórnia, em 2005, quando a Warner Bros decidiu realizar um filme no circuito de Fórmula 1 do Mónaco. "Tivemos o adorável realizador Steven Soderbergh", diz. "Eu trabalhei muito com a BAFTA, do lado dos patrocinadores. Tivemos inúmeras tarefas de ‘carpete vermelha’. Andei a apresentar Robert De Niro a uma determinada pessoa, e Tom Cruise a outra. Nos bastidores… Julia Roberts, George Clooney, todos eles. Foi tudo muito divertido e fantástico, eles são ícones, mas eu prefiro sair com pessoas com os pés assentes na terra." Então, novamente, refere-se ao Príncipe Alberto como HSH (His Serene Highness). Ele afirma que HSH "tem feito um trabalho incrível" desde que se tornou chefe de estado. "Nos velhos tempos, as pessoas vinham para cá para se reformarem... Agora, já não é assim. Ele atraiu os jovens para trabalharem aqui." Pessoas como ele. No Mónaco, Frankl percebeu que havia um nicho de mercado que ligava o mundo da Fórmula 1 ao mundo dos ricos. O seu mérito, como sublinha, foi fazer com que os ricos se sentissem "confortáveis". Não foi difícil arranjar patrocinadores. Ele associou-se à sua irmã gémea, Annabelle, que tinha experiência em PR (relações-públicas). "E foi assim que, lentamente, se criou a empresa My Yacht. Nós vemo-nos como conectores. A nossa primeira tarefa foi uma pequena festa num iate. Muito rapidamente, percebemos que poderíamos proporcionar fins-de-semana fantásticos. Organizamos tudo, excepto os voos. Eles viajam em classe business, em primeira classe ou têm os seus aviões privados. Mas, uma vez chegados ao Mónaco, nós tratamos de tudo."

Nicholas Frankl e o ator Hayden Christensen na 66ª edição do Festival de Cannes, 2013
Nicholas Frankl e o ator Hayden Christensen na 66ª edição do Festival de Cannes, 2013 Foto: Getty Images

Na actualidade, o Grande Prémio do Mónaco é, apenas, um dos eventos que ele organiza anualmente. Mas ainda me custa a perceber porque é que os multimilionários precisam de um "conector global", como Frankl. Ele diz-me, repetidamente, que é porque ele conhece as pessoas interessantes: uma "elite global". Essa elite integra desde actores de Hollywood, vindos directamente do Festival de Cinema de Cannes (Gerard Butler e Matt LeBlanc participaram nas suas festas, tal como Christian Slater), "até desportistas olímpicos, astronautas e políticos". "Tivemos cá o Shaukat Aziz, o ex-primeiro ministro do Paquistão. Um tipo adorável. Há aristocratas: lords e ladies, duques e outros do género. O príncipe Michael de Kent. O seu filho Freddie [Windsor] é um tipo adorável, um velho amigo." Há fotografias dele com HRH, o príncipe Leopoldo da Baviera, Buzz Aldrin e, até, vejo Miss Oklahoma no seu website. Ele insiste que os barcos são um grande nivelador de egos porque é obrigatório descalçar os sapatos para não se destruir a madeira dos decks. "Tirar os sapatos baixa o ego, literalmente", afiança. "Quero que todos se divirtam. E se não é capaz de fazer isso, se não tem sentido de humor e se não aceita uma piada, então pode-se pôr a andar. Vá para outra festa. Não estou para presunções." Já teve de lidar com pessoas com ares de superioridade? "Bem, sim, na verdade. As mulheres… Sempre as mulheres. Mulheres com títulos. Aparecem, mesmo que não sejam convidadas. Para elas [a minha festa] tem uma função social importante." Porquê? Fica espantado por eu não saber. "Porque elas andam à procura de marido! E toda a gente sabe que eu organizo este evento. É um grande evento social. Mas para elas é um trunfo. Estou a receber textos delas agora [levanta o telefone]. É uma loucura. ‘Lembra-se de mim?’… ‘Vou até aí, à cidade’... Sempre vai dar a sua festa?’" Ele não pretende aumentar o número de participantes da festa porque diz que é fundamental manter a sensação de intimidade. "As pessoas dizem-me sempre: ‘Nicholas, que festa maravilhosa. Devias arranjar um barco maior, para poderes convidar mais pessoas.’ E eu respondo: ‘Eu não quero mais pessoas.’ Só quero umas cento e vinte, ou seja, os melhores convidados, na minha opinião."

Gostava de saber quais são os multimilionários que ele conhece. Conheceu o Paul Allen? "Sim, conheci o Paul, um tipo adorável. Estive algumas vezes a bordo do Octopus. Ele deu-me um livro com uma dedicatória." Conheceu o Eric Schmidt? "Há uns anos, em Los Angeles. Falámos dos Jogos Olímpicos e de outros assuntos." Bill Gates? "Não. Fui recentemente apresentado ao [empresário] James Caan. Ele mudou-se, há pouco tempo, para cá. A sua história é completamente inspiradora. É extremamente humilde. Gosto de pessoas humildes e bem-sucedidas. James contou-me que começou o seu império numa pequena caixa postal de um escritório em Mayfair. E agora está aqui, no Mónaco."

O barco parece estar povoado de multimilionários barrigudos sem camisa e com uma equipagem holandesa com bíceps salientes. É tudo muito apertado a bordo e a proximidade ao iate vizinho assemelha-se à proximidade que existe em blocos de apartamentos. E, aqui, não há as paredes finas típicas desses apartamentos que protegem da música das outras casas, mas apenas a visão de mulheres com biquínis enfiados nos rabos. A pista está tão perto que conseguia cuspir nela. Descemos para o deck inferior, onde criados carregam caixas de champanhe. Frankl apenas se refere à marca, batendo palmas para anunciar "Olhe, o Perrier-Jouët chegou", para que fique claro que eles são patrocinadores. "Estamos a servir o vintage de 2007!"

Não se avalia uma festa pela qualidade do champanhe, mas servir o melhor ajuda. "Normalmente, em cada evento, há um Mr. Big. Há uma atracção, uma celebridade ou um multimilionário ou o que quer que seja." Para ilustrar este aspecto, Nicholas Frankl cita o programa de televisão Billions. "A personagem principal disse esta frase clássica: ‘Deixe-me dizer-lhe o que é ser multimilionário. É como entrar numa sala cheia de homens e ser a rapariga mais sensual com os maiores seios. Todos querem um pedaço de si.’ E isso é o que, normalmente, acontece com estes indivíduos. Mas temos, aqui, um iate repleto deles. Uns são multimilionários e outros apenas milionários. Muitos dos proprietários de iates de luxo vêm cá esta noite. Não é por terem falta de entretenimentos. Podiam deixar-se ficar no seu próprio iate. Mas eles gostam de conhecer pessoas interessantes. E gostam de conhecer mulheres bonitas." Há muitas mulheres bonitas? "Vai haver muitas mulheres bonitas", confirma, com um sorriso presunçoso. Modelos? "Algumas modelos, mas também mulheres bonitas que têm empregos e que não são modelos. Prefiro as mulheres bonitas que poderiam ser modelos, mas que optaram por uma outra profissão. Assim, usam os seus cérebros, o que faz com que não se reduzam a meros objectos de decoração." Então, os homens podem ser escolhidos pelo dinheiro e as mulheres pela aparência? Ele ri-se. "Não se trata apenas do visual. Não há nada pior do que uma rapariga gira que não tem nada para dizer. Para que é que servem? Há um espaço finito a bordo e queremos manter a excelência." Sinto que estou a chegar a uma questão fulcral. Os convidados esperam que ele convide mulheres bonitas? "Há multimilionários que perguntam: ‘OK, esta noite vêm gajas boas?’… E eu respondo-lhes: ‘Sim.’ E eles dizem: ‘OK, até logo.’" O mundo não muda apenas porque estamos num iate de luxo. Não é diferente de qualquer clube privado, clube público ou bar, pois não? "Bem, ouça, são precisos dois para dançar o tango. As mulheres vêm porque querem ver homens atraentes. E há dois tipos de homens atraentes: há homens atraentes e há carteiras atraentes. Alguns homens ficam mais atraentes quando se colocam em cima da carteira. Ficam mais altos." Sugiro que ele dá uma imagem transacional da questão. "Foi sempre transacional", insiste. "Nos velhos tempos, os homens recebiam um dote para tirar as mulheres de casa dos seus pais. Isso não mudou. Um acordo de casamento é um acordo. Um acordo financeiro. Sim, o amor é uma coisa maravilhosa. Mas a verdade é que a maioria dos casamentos, agora, termina em divórcio."

*Ultra High Net Worth

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