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Wimbledon. Tradição, favoritos, etiqueta e boas histórias

É o torneio de ténis mais antigo do mundo. Aquele que mais contribuiu para escrever a história do ténis e, nesta edição, podemos muito bem assistir ao virar de mais uma página importante no desporto.

Foto: Rolex/Jon Buckle
06 de julho de 2023 | Bruno Lobo
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Até ao próximo dia 16 de julho, todos os olhos estão concentrados no All England Lawn Tennis & Croquet Club, vulgo Wimbledon. Basta a mera menção do nome para deixar muitos fãs de ténis com pele de galinha - e em filas intermináveis, com mais de seis mil pessoas, como aconteceu este ano, para conseguirem bilhete. É o mais antigo torneio de ténis do mundo, um dos quatro Grand Slam e o único onde ainda se joga em relva - cortada exatamente com 8 mm de altura, tal como se fazia em 1877, o ano da prova inaugural.

Wimbledon reserva-nos sempre algumas surpresas quanto aos vencedores, mas este ano Novak Djokovic é claramente o favorito nas casas de apostas - e apostar é outro passatempo nacional britânico. O sérvio venceu as quatro últimas edições, é forte em relva e venceu também o último Grand Slam em Roland Garros, desempatando o recorde de vitórias nos quatro torneios mais importantes, passando a ter 22, contra as 21 de Nadal. Se vencer aqui em Wimbledon, não só aumenta essa vantagem como atinge mais um recorde e empata com o campeoníssimo Roger Federer, que venceu oito finais. Mais: esta será ainda a sua quinta consecutiva, o que o coloca também em igualdade com Federer neste capítulo. 

Foto: Rolex/Jon Buckle

Tudo recordes que poucos esperavam ver batidos, mas aos quais Djokovic chegou com aparente facilidade. Aliás, o sérvio não perde uma partida no Court Central de Wimbledon desde 2013, apesar de ter perdido outros jogos depois disso, mas não no court central. A última vez foi contra o escocês Andy Murray, que o bateu na final tornando-se no primeiro britânico a vencer Wimbledon desde Fred Perry, em 1936. Murray repetiu o feito em 2016, mas apesar de ser um favorito do público, e de estar em crescendo de forma, poucos acreditam que possa bater novamente o sérvio este ano.

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Maior ameaça parece ser Carlos Alcaraz. O prodígio espanhol tem apenas 20 anos, é o número 1 do mundo, e se na última edição de Roland Garros perdeu com Novak nas meias-finais, só aconteceu depois de ser afetado por problemas físicos, porque até então o jogo estava totalmente dividido. É verdade que Alcaraz, não é um especialista em relva, como o próprio admitiu ("não sei como me mexer em relva") antes de uma das principais antecâmaras para Wimbledon, o torneio de Queens, em Londres. Mas isso foi passado, porque depois ninguém concordaria com ele: chegou, viu e venceu. E desta vez o quadro dita que os dois apenas se podem encontrar na final, caso vençam as respetivas partidas, evidentemente.  

No quadro feminino o título parece muito mais aberto, com as três primeiras cabeças de série, Iga Swiatek, Aryna Sabalenka e Elena Rybakina com chances muito semelhantes. Das três, apenas Rybakina venceu o torneio, mas por uma vez apenas e nenhuma das tenistas em competição tem a possibilidade de quebrar o recorde de Martina Navrátilová, que aqui venceu por 9 vezes. Sendo, portanto, a recordista mundial de títulos, homens incluídos. A grande novidade nas senhoras parece ser o afrouxar das regras de etiqueta no que toca ao vestuário. 

Foto: Rolex/Jon Buckle

Ao contrário dos outros torneios, onde os jogadores se equipam com as roupas que os patrocinadores bem entendem, em Wimbledon mandam as regras que devem vestir-se de branco integral. "Não quase branco, cru ou bege, mas branco" pode ler-se no site. A única exceção são duas faixas no pulso e na cabeça, que "podem ter no máximo um centímetro de cor" e, a partir deste ano, "roupa interior escura para as senhoras". Trata-se da primeira alteração importante às regras de vestuário desde 1877, e apenas possível desde que "não ultrapasse o tamanho da saia". Esta alteração era uma antiga pretensão das tenistas, com receio do que poderia acontecer (ou notar) no caso de estarem com o período. Uma exigência perfeitamente justa, que a organização acabou por aceitar, apesar do tempo que tardou.

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Em Wimbledon a tradição ainda é o que era, e são também estas idiossincrasias que tornam os Championships tão especiais, mesmo dentro dos Grand Slam.

As lendas e o sangue novo

Além da Slazenger (ver caixa), a Rolex é uma das mais antigas parceiras de Wimbledon, com uma relação que começou em 1978, há 45 anos. Hoje, a marca de relógios suíça (que nasceu em Londres) patrocina todos os quatro Grand Slam, mas também diferentes jogadores, desde lendas como Rod Laver, Bjorn Borg e Roger Federer, aos jovens jogadores e grandes promessas, casos de Iga Swiatek, Coco Gauff, Carlos Alcaraz, Stefano Tsitsipas ou Taylor Fritz. 

Foto: Rolex/Jon Buckle
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Entre os primeiros estão dois jogadores que disputaram as duas finais mais inacreditáveis de Wimbledon e de todo o desporto. Falamos evidentemente da final entre Björn Borg e John McEnroe, em 1980, e da batalha entre Rafael Nadal e Roger Federer, em 2008. Em nenhuma das duas faltou drama e ténis ao mais alto nível, e se da primeira até fizeram um filme (toda a trama de Borg vs McEnroe é, basicamente, uma preparação para o clímax da final) sobre a segundo foi o próprio McEnroe a admitir que nunca tinha visto uma final tão bem jogada. Quem sabe se na lista de jovens talentos não estão os próximos dois protagonistas de uma final épica? Para todos Björn Borg tem um conselho: "Oiçam as pessoas em quem confiam. Persigam os vossos sonhos e não deixem de trabalhar no duro. Numa percam esse apetite, porque será ele a levar-vos à grandeza." Sábias palavras, de um campeão.

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