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Adeus aos barman: Em breve os robôs podem preparar a sua bebida

Com as restrições impostas pela pandemia do novo coronavírus, poderá a nossa forma de sair à noite estar a mudar?

Adeus aos barman: Em breve os robôs podem preparar a sua bebida
Adeus aos barman: Em breve os robôs podem preparar a sua bebida Foto: Bloomberg
14 de agosto de 2020

Embora pareça haver um novo vídeo a cada dia de jovens sem máscara a socializar alegremente do lado de fora (e dentro) dos bares, na verdade muitas pessoas têm bebido menos durante a pandemia. Metade dos norte-americanos dizem que não se sentem motivados a voltar ao seu bar favorito.

O receio em relação a espaços fechados e pessoas displicentes, que não respeitam o distanciamento social, pode mudar a cultura das saídas à noite durante muito tempo. E já ameaça o futuro do seu simpático barman.

Cocktails preparados por robôs em balcões estão disponíveis há anos. Opções comerciais em larga escala têm combinado bebidas e entretenimento, recorrendo a braços robóticos para agitar cocktails em discotecas da Europa ao Dubai e a bordo de navios de cruzeiro. Mas a pandemia pode ter aberto a porta a uma expansão.

Uma mulher a tirar a sua máscara rosa num bar vazio e a tilintar copos com um barman robótico não será o anúncio de bebidas típico antes da Covid-19. Mas numa época em que companheiros de saídas e bartenders são possíveis vetores de transmissão de doenças, a austeridade de beber um copo sem contacto pode ser reconfortante.

"Em bares robóticos como o nosso, não há nenhum tipo de contacto (com as pessoas) porque as pessoas podem fazer pedidos e pagar pelo telemóvel, portanto não tocam em nada", disse Emanuele Rossetti, CEO da Makr Shakr, com sede em Torino, Itália.

No entanto, os mixologistas robóticos não vão resolver o risco da proximidade - que é parte do que torna os bares focos ideais para a transmissão do coronavírus. Atualmente, o seu bar preferido, provavelmente, também não tem dinheiro para instalar um robô de mais de 100 mil dólares. E os clientes de maior peso, como as empresas de cruzeiros que estão ancorados há meses, enfrentam uma crise financeira devido à pandemia. Rossetti diz que o impacto inicial consistiu numa "desaceleração muito grande", mas as conversas sobre novos pedidos já foram retomadas.

Dina Zemke, professora associada da Universidade Ball State, nos Estados Unidos da América, estuda como os ambientes físicos afetam os serviços e diz que os bartenders robóticos são mais para entreter e menos mixologistas a sério. Acrescenta que embora os bartenders ainda tenham futuro, os bares em si podem mudar.

Existem opções semirrobóticas que podem tornar-se mais populares - como distribuidores automáticos para vinho e bebidas mistas, disse. E também há opções sem álcool: "Sally" é um robô que faz saladas, custa 35 mil dólares e tem como objetivo limpar o buffet de saladas.

Mas Alan Adojaan, CEO da startup Yanu, de Tallinn, na Estónia, acredita que a sua empresa criou um protótipo de barman robô que tem atraído o interesse de aeroportos e casinos.

"O conceito de bar está a mudar completamente, assim como o conceito de casas noturnas e eventos públicos", disse Adojaan. Embora os humanos sejam ainda necessários para a manutenção e reposição de bares automatizados, os mixologistas mecanizados de facto são bem-sucedidos a eliminar o interface cliente-barman."

Saiba mais bens de consumo, bares, pandemia
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