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Ricos estão a comprar acesso a “paraísos” livres de covid-19

Os ricos não estão interessados apenas nas Caraíbas, onde se podem isolar nas praias. Estão também de olho na Austrália e Nova Zelândia.

Foto: Bloomberg/Matthew Lovette
24 de julho de 2020 | Bloomberg

Na próxima vez que os ricos forem obrigados a ficar em casa, gostariam de ter um plano de fuga pronto para uma praia remota e ensolarada. Ou talvez para a Nova Zelândia, um dos poucos países que conseguiram eliminar a covid-19.

 

E, como é obvio, estão dispostos a pagar pelo privilégio.

 

Os abastados podem recorrer a programas que garantam cidadania ou residência em troca de investimento no país destino, usando empresas especializadas como a Henley & Partners, a maior consultoria em cidadania e residência do mundo. Com a ameaça persistente de surtos virais e quarentenas repentinas, a empresa ajuda pessoas com carteiras recheadas a comprarem acesso a um porto seguro.

 

Por exemplo, é possível adquirir o direito de morar, trabalhar e estudar na Nova Zelândia por 3 milhões de dólares neozelandeses (1,7 mil milhões de euros) ou 10 milhões de dólares neozelandeses, dependendo do tipo de visto de residente que for escolhido pelo investidor. Cerca de 1,2 milhão de euros, incluindo a compra de um imóvel, garantem a cidadania para um casal em Malta.

 

As pessoas "agora estão a pensar: vamos mesmo implementar um plano de contingência", disse Dominic Volek, chefe de vendas da Henley, sobre os seus possíveis clientes. "É por isso que assistimos a um pico agora, não apenas das consultas, mas também de famílias que se inscreveram e disseram: ‘Vamos começar o processo’."

 

As novas consultas deram um salto de 49% nos primeiros quatro meses deste ano em comparação com o mesmo período de 2019, de acordo com a empresa. Houve um aumento de 22% dos que desejam dar andamento a pedidos de cidadania ou residência.

 

Os ricos não estão interessados apenas nas Caraíbas, onde se podem isolar nas praias. Estão também de olho na Austrália e Nova Zelândia, países que impressionaram no combate à covid-19.

Nadine Goldfoot, sócia-gerente do escritório de advogados Fragomen, disse que a pandemia levou pessoas ricas à ação. "O que se tornou e continuará a ser agora muito importante no processo de seleção das pessoas é o desempenho do país durante a pandemia e qual foi a abordagem do governo", disse.

 

Adicionalmente, as pessoas vêm esta mudança como uma ferramenta de gestão de ativos, e também uma forma de viajar sem necessidade de passaporte. O interesse no programa de vistos gold de Portugal aumentou nos últimos meses, atraindo clientes interessados em investir no estável mercado imobiliário português e tirar partido do relativamente baixo número de casos de coronavírus no país.

Mas a verdade é que até os mais ricos do mundo não conseguem escapar a quarentenas imediatas e proibições de viajar. O acesso a segundos passaportes ou direitos de residência leva o seu tempo – pelo menos três meses nas Caraíbas e muito mais para os países da UE.

 

Ainda assim, mesmo que os negócios relacionados com as viagens esteja a sofrer, a Henley está a expandir-se. A consultora estabeleceu-se recentemente na Nigéria e vai em breve abrir escritório na Índia, onde o forte aumento de casos de covid-19 e de tensões na fronteira com a China provocou o crescimento do número de pessoas ricas a preparar uma potencial fuga.

 

Dado que o vírus e os consequentes lockdowns são "um risco com o qual as pessoas vão ter que se habituar a viver para sempre, pretendem encontrar um sítio onde possam gerir a situação", diz  Nadine Goldfoot.

 

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