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Os cinco países que podem ser fundamentais para a economia mundial

A Bloomberg fez um estudo e identificou o Vietname, a Polónia, o México, Marrocos e a Indonésia como sendo países conectores (ou desbloqueadores) para unir uma economia mundial fragmentada.

Foto: Pexels
22 de novembro de 2023 | Rita Silva Avelar
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Conectores: é este o nome que se dá a um grupo de países que estão a emergir como elos importantes numa economia global que se está a fragmentar em blocos rivais – neste caso, EUA e China. Em colaboração com a Bloomberg Economics, a Bloomberg Businessweek analisou os dados relativos ao comércio e ao investimento e descobriu cinco países que se encontram nas novas linhas de fratura geopolíticas: Vietname, Polónia, México, Marrocos e Indonésia.

No seu conjunto, estes países registaram uma produção económica de 4 biliões de dólares em 2022 – mais do que a Índia e quase tanto como a Alemanha ou o Japão, avança a Bloomberg. O que têm, então, estes países em comum? Todos eles podem vir a beneficiar de ganhos económicos que podem surgir ao posicionarem-se como novas ligações entre os EUA e a China – ou entre a China, a Europa e outras economias da Ásia.

Os economistas do Banco de Pagamentos Internacionais analisaram dados de mais de 25.000 empresas e "descobriram que as cadeias de abastecimento se alongaram à medida que outros países, especialmente na Ásia, se tornaram paragens adicionais no comércio entre a China e os EUA" avança o artigo da Bloomberg. "As empresas que estão a deslocar as cadeias de abastecimento para fora da China estão frequentemente a transferir a produção para países cujas economias já estão altamente integradas com a da China, como o Vietname." O México, onde os investimentos dos fabricantes chineses aumentaram consideravelmente nos últimos anos, está também a tornar-se um elo importante no comércio entre os EUA e a China. Em última instância, a análise conclui que não é que as economias dos EUA e da China estejam a dissociar-se – "estão apenas a acoplar-se em locais diferentes."

Em resumo, este possível crescimento económico não agradará (nem servirá) a todos. Os economistas alertam para o facto de que o impacto pode ser negativo para os países pobres, a sofrerem mais do que os ricos. "Para os consumidores e para os bancos centrais, um efeito secundário desagradável será o aumento do preço dos bens – e, consequentemente, uma inflação mais persistente – à medida que a deslocação das cadeias de abastecimento fizer aumentar os custos de produção." Ainda assim, os conectores são a prova de que a conversa sobre o fim da globalização é exagerada, conclui a análise da Bloomberg. Os bens e o capital continuarão a atravessar as fronteiras, e cada vez mais.
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