O novo ano nasce entre vinhas
Um ano novo, um ciclo eterno que se renova nas vinhas. Tradição na Bairrada, inovação em Paredes de Coura e no Douro, um clássico alentejano e um espumante dos Verdes… é tempo de brindar!
Vinho de Talha Tinto Bairrada DOC 2024 Malápio
A história deste tinto recupera uma tradição da Bairrada que Romeu Martins, produtor, vitivinicultor e responsável pela Adega Malápio, em Aguada de Baixo, Águeda, não quis deixar desaparecer. Romeu Martins refere que o avô Aristides já produzia vinho na adega da família e a ideia foi “trazer de volta este método artesanal e de mínima intervenção, que faz parte da herança cultural da Bairrada, recuperando as talhas de barro e preservando e promovendo a vitivinicultura de artesanato”. O vinho foi feito nas talhas com fermentação natural, que o professor Virgílio Loureiro descreve como uma “experiência medieval”. O produtor acrescenta que o Malápio é a sua história “contra a corrente dos métodos modernos”, que decidiu “olhar para trás e recuperar uma técnica antiga para criar um vinho único, com uma forte ligação à terra e à história local”.
Soalheiro Espumante Bruto Barrica
As “bolhas” chegaram à casa 1995 com o lançamento do primeiro espumante de Alvarinho. Para a enóloga do Soalheiro, Asun Carballo, este espumante privilegia o tempo e a dimensão vinícola: “A fermentação e o estágio decorrem integralmente em barrica de carvalho durante 12 meses, antes da tiragem, afastando-se de uma leitura mais imediata do espumante clássico”. A curiosidade técnica reside na sua origem pois ele partilha a base vínica com o Soalheiro Alvarinho Reserva. Mas a responsável refere que na vindima selecionam as parcelas de alvarinho com maior estrutura e longevidade e, a partir daí, “o lote divide-se em dois caminhos distintos, mas com a mesma filosofia de precisão”. Asun Carballo garante que o Alvarinho Bruto Barrica se distingue por ser o único da gama cuja fermentação alcoólica e estágio “decorrem a 100% em barrica de carvalho durante cerca de 12 meses antes da tiragem, uma escolha que estrutura o vinho desde a base, conferindo-lhe maior complexidade e capacidade de envelhecimento”.
Família Margaça Talhão 01
André Fernandes, enólogo da Família Margaça, conta que tudo começou com o Projeto Talhão, “criado com o objetivo de revelar o potencial do terroir de Pias para a produção de vinhos diferenciados e de grande qualidade”. O responsável refere que a plantação organizada de castas e divididas por talhões, lhes permite compreender, “através de microvinificações, o comportamento específico de cada casta naquele ano”. O Talhão 01 é segunda edição deste monocasta Touriga Nacional, uma variedade que, “embora remeta para o Norte, encontra condições excecionais nas vinhas situadas em pleno Monte Branco”. O enólogo refere que “é um vinho claramente gastronómico, intenso e complexo” pensado para harmonizar com pratos de inverno mais intensos e estruturados. André Fernandes explica que usaram o método de vinificação tradicional, seguido de um estágio de 12 meses em barricas novas de carvalho francês.
Quinta Nova Blanc de Noir Reserva 2024
O responsável pela enologia na Quinta Nova de Nossa Sra. do Carmo, António Bastos refere que sempre se procurou “a melhor interpretação de cada parcela e de cada casta”. Este branco é, no entender do enólogo, “singular” e ainda “uma leitura diferente da Tinta Roriz, que explora todo o potencial das uvas provenientes das vinhas mais altas da quinta”. O vinho foi a estreia de um Blanc de Noir Reserva da Quinta Nova, estagiado em barricas usadas de carvalho francês e depósitos de cimento. António Bastos explica que as uvas seguem o método clássico e, “na fase final da fermentação, 73% do vinho é encaminhado para barricas usadas de carvalho francês e os restantes 27% para pequenos depósitos de cimento, onde estagiam durante seis meses”. Mais tarde, os vinhos provenientes da barrica e do cimento são reunidos em depósitos de cimento, onde permanecem por um curto período antes do engarrafamento.
Impossível Brut Nature
Resultado do projeto VineVinu de Manuel e Luís Cerdeira, este espumante é, nas palavras de Luís, o “primeiro produto vínico de Paredes de Coura, criado a partir das primeiras vinhas produtivas da região”. O produtor e enólogo sublinha que “celebra o poder da persistência e a beleza do improvável”. Acrescenta que o resultado da localização e a alta acidez das uvas, “aportam uma frescura cortante, mineralidade intensa e elegância austera, uma expressão pura da montanha e da vontade humana de tornar o impossível, possível”. Luís Cerdeira não tem dúvidas que fazer um espumante é, por natureza, “um exercício de paciência”. Assegura que em Paredes de Coura, onde o relevo é desafiador e o clima imprevisível, “esse processo ganha uma dimensão quase extrema, porque o simples ato de plantar vinha já é um gesto de coragem”.
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