Artes / Prazeres

“No artesanato português, o tempo é mestre”: a Lisbon Design Week 2026 começa hoje

De 27 a 31 de maio, a Lisbon Design Week regressa a Lisboa para a sua quarta edição, voltando a transformar a cidade num percurso dedicado ao design contemporâneo, ao artesanato e às novas formas de criação.

Bigger Splash apresenta a colaboração de Apartamento x BD Barcelona: The Everyday Objects Collection
Bigger Splash apresenta a colaboração de Apartamento x BD Barcelona: The Everyday Objects Collection Foto: DR
27 de maio de 2026

Escolha a Must como "Fonte Preferida"

Veja as nossas notícias com prioridade, sempre que pesquisar no Google.

Dezenas de exposições, instalações, ateliers, galerias, lojas e workshops, distribuídos por mais de 80 espaços e 11 zonas da cidade, é o que poderá encontrar em mais uma edição da Lisbon Design Week (LDW26), que se reafirma como uma das datas mais relevantes do calendário cultural lisboeta.

Mais ambiciosa e abrangente, a LDW26 continua a acolher novos participantes e espaços, sem nunca perder de vista o seu principal objetivo: valorizar o design contemporâneo, o saber-fazer e o intercâmbio cultural. A programação deste ano promove o diálogo entre design, artesanato, arquitetura, materiais experimentais e novas gerações de criadores, ao mesmo tempo que introduz novas colaborações, espaços inesperados e reforça o equilíbrio - cada vez mais interessante - entre designers e makers portugueses e internacionais a trabalhar em Portugal.

"Este projeto é, acima de tudo, um projeto de construção de comunidade. Sinto que, para fortalecer o setor, muitas vozes têm de ser ouvidas. O talento existe, mas é preciso dar-lhe mais meios para se expressar, ter sucesso e alcançar reconhecimento internacional.", explica a fundadora da LDW, Michèle Fajtman.

Michèle Fajtmam, fundadora do Lisbon Design Week
Michèle Fajtmam, fundadora do Lisbon Design Week Foto: DR

Apesar de não existir um tema oficial, o espírito de colaboração, inclusão e partilha assumem-se como o grande foco desta edição, refletindo-se nas várias exposições conjuntas que poderão ser visitadas. Já os novos participantes prometem trazer uma nova perspetiva ao projeto, onde tradição e experimentação, herança e inovação coexistem de forma natural.

Relacionada

"Espero mesmo que possamos contribuir para incentivar novas colaborações e inspirar novas gerações de artesãos e designers a seguirem os seus sonhos, ajudando a garantir um futuro brilhante para o saber-fazer e o design em Portugal", afirma Michèle, acrescentando ainda que "é ao explorar novos caminhos que nos desafiamos, descobrimos coisas novas e criamos uma ligação mais próxima com um lugar e com as pessoas à nossa volta".

Tudo o que é feito à mão ocupa um lugar central nesta edição, com especial destaque para a exposição principal Design Feito à Mão, apresentada no Arquivo Aires Mateus. A exposição parte de um dos objetos mais antigos criados pelo homem - a jarra - para estabelecer uma relação entre artesanato e design contemporâneo, reunindo artesãos e designers que trabalham diferentes materiais e práticas, onde a mão assume o centro do processo criativo.

Eneida L. Tavares, designer do coletivo Sotaque
Eneida L. Tavares, designer do coletivo Sotaque Foto: DR
BORDALxBÉHEN
BORDALxBÉHEN Foto: DR

E porque não é apenas o tradicional que é valorizado, há também um olhar atento sobre o futuro. Vários participantes exploram as possibilidades da tecnologia através do design e da impressão 3D - entre eles, a nova direção da marca portuguesa Porventura. Uma fusão entre o trabalho manual e a tecnologia que reflete um dos principais objetivos da Lisbon Design Week: apresentar o design português como um território simultaneamente enraizado e em constante evolução. A fundadora relembra que "nada pode substituir o tempo, pois o tempo não é só duração: é aperfeiçoamento, correção, transmissão e devoção. No artesanato português, o tempo é o verdadeiro mestre".

Outra das grandes novidades da 4.ª edição do evento é a parceria com o MUDE - Museu do Design, uma colaboração que reforça a aproximação entre as comunidades criativas e o design da cidade, ao mesmo tempo que consolida o papel da LDW enquanto plataforma de promoção desta arte: "A nossa plataforma pretende celebrar a riqueza da comunidade de design e artesanato em Portugal. Queremos criar uma plataforma digital focada nos makers, que dê visibilidade ao trabalho de designers, artesãos e arquitetos em Portugal, bem como a outros intervenientes do ecossistema, tais como galerias, showrooms e instituições culturais”.

Relacionada

LISBON by DESIGN: para os apreciadores de artesanato

A feira de design contemporâneo e artesanato português está de regresso para a sua quinta edição. Entre os dias 22 e 25 de maio, o Palacete Gomes Freire abre novamente portas à criatividade e à arte ao mais alto nível.

Um dos pilares desta parceria é a open call Young Design Generation (YDG), que se dedica a apoiar designers com menos de 35 anos, que para além de um programa de mentoria, terão a possibilidade de ver uma das suas obras integrar a coleção do MUDE.  "Espero mesmo que possamos contribuir para incentivar novas colaborações e inspirar novas gerações de artesãos e designers a seguirem os seus sonhos, ajudando a garantir um futuro brilhante para o saber-fazer e o design em Portugal”, diz a fundadora.  

Através do programa YDG, um novo designer com menos de 35 anos vai ter a oportunidade de ver uma das suas obras integrar a coleção do MUDE.
Através do programa YDG, um novo designer com menos de 35 anos vai ter a oportunidade de ver uma das suas obras integrar a coleção do MUDE. Foto: DR

Por último, a Lisbon Design Week também estará presente na e no formato de Lounge: chama-se The Living Room e vai ser feito pela arquiteta, artista e designer Joana Astolfi, membro do Mais do que uma exposição, é um lugar concebido para parar, sentar, encontrar e conversar. Vai ter também o balcão de informação da ARCOlisboa e informações essenciais sobre a Lisbon Design Week, tornando-se num ponto central de encontro durante a feira.

Se se está a perguntar pela programação, esta vai sendo revelada no

Relacionadas

O Canalha regressa ao Sublime Comporta

O Canalha está de volta ao Sublime, pela mão chef João Rodrigues, e traz de volta os sabores lisboetas mais marcantes com um toque de frescura que só consegue encontrar na Comporta.

Mais Lidas
Artes As obras mais emblemáticas do Museu de Arte Proibida

Com uma seleção de mais de 200 obras de arte censuradas, proibidas ou denunciadas em algum momento, o novo espaço, em Barcelona, promete pôr os visitantes a pensar sobre os motivos e as consequências da censura, com obras que vão de Goya a Banksy.