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Ricardo d’Assunção: “No luxo, exclusividade significa relevância”

O diretor de operações do Amorim Luxury Group identifica os “escassos e preciosos momentos offline” como um dos principais luxos na sociedade atual. Esteve anos na PwC (PricewaterhouseCooper) antes de começar a trabalhar no grupo liderado por Paula Amorim em 2020.

Ricardo d'Assunção
Ricardo d'Assunção Foto: DR
25 de março de 2026 | Augusto Freitas de Sousa

Como define “luxo” para si? 

Para mim, luxo é descomplicação. É exclusividade com autenticidade, sem excessos. O luxo está muito relacionado com a capacidade de valorizarmos o que nos rodeia e de nos focarmos no que realmente apreciamos. 

Considera o luxo um investimento financeiro, emocional ou cultural? 

Cada vez menos material e cada vez mais emocional. O verdadeiro luxo não se mede em valor financeiro, mas sim através da forma como nos sentimos e na memória que as experiências criam. 

Que marcas ou experiências são referência para si neste universo e porquê? 

Aman Resorts é uma referência absoluta pela excelência do serviço e pela forma como colocam a experiência do cliente no centro de tudo, com a respetiva adaptação ao meio envolvente. A Loro Piana, por outro lado, representa o luxo silencioso: qualidade extrema, discrição e uma ausência total de ostentação, o que considero profundamente sofisticado. 

Como se distingue da ostentação? 

Luxo é precisamente o oposto de ostentação. Identifico-me com a expressão quiet luxury: não precisa de ser explicado, mostrado ou validado. Reconhece-se nos detalhes, na qualidade e na coerência, não no excesso – less is more

Qual o papel da exclusividade? 

No luxo, exclusividade significa relevância. Não é estar disponível para todos, mas ser profundamente marcante para poucos. É uma relação de afinidade, não de escala. 

O luxo é mais uma questão de conforto, estética, status ou cultura? 

Conforto e estética são hoje expectativas básicas. O status surge como consequência, não como objetivo. Mas é a cultura, os valores, a história e o contexto que criam verdadeira identidade, significado e ligação emocional. 

Qual foi o último objeto ou experiência de luxo que o/a marcou? 

Estadia num hotel com serviço verdadeiramente focado no bem-estar do cliente numa geografia com hábitos bastante diferentes dos ocidentais. Mais do que a qualidade do serviço, a autenticidade e integração no meio envolvente foi brilhante. 

Como lida com tendências? Segue ou ignora? 

Gosto de estar atento. Acompanhar tendências é importante para compreender o contexto cultural e social, mas não as sigo por definição. Prefiro filtrar, interpretar e adaptar de forma coerente com a identidade e os valores que defendo. 

Que serviços ou detalhes fazem uma experiência verdadeiramente luxuosa para si? 

A antecipação e discrição. Quando alguém compreende as suas necessidades antes mesmo de serem verbalizadas. Não ter de pedir é um dos maiores sinais de sofisticação no serviço. 

O que mais valoriza num hotel? 

A qualidade e a harmonia dos quartos, assim como a simplicidade do serviço e autenticidade. Quando tudo é intuitivo, fluido, sem esforço e sem demasiados standarts, a experiência torna-se memorável. Um bom concierge é fundamental. 

Neste universo, que oferta gastronómica procura? 

Procuro sempre uma ligação genuína ao local onde estou. Gastronomia com identidade, produtos locais e narrativa própria. É precisamente o oposto do que temos assistido com a globalização excessiva e a massificação de conceitos replicáveis independentemente do local. 

Que novos públicos estão a entrar no universo do luxo? 

Sobretudo as gerações mais jovens que estão a redefinir o luxo através de valores como sustentabilidade, autenticidade e experiências, em vez de ostentação. Também consumidores de mercados emergentes, impulsionados pelo crescimento do rendimento e por uma nova relação com o consumo aspiracional. 

Que papel desempenham as redes sociais? 

As redes sociais amplificam o desejo, moldam narrativas e ligam marcas a públicos globais de forma imediata. Transformaram o luxo de algo distante e inalcançável para algo aspiracional e, em certa medida, participativo, o que exige das marcas ainda mais coerência e autenticidade. 

Que novos luxos imagina para o futuro? 

Tempo, privacidade e silêncio. Acesso não no sentido material, mas ao que é raro e experiências verdadeiramente personalizadas. O luxo do futuro será cada vez mais invisível e intangível com muito foco no bem-estar e longevidade. 

Que objeto possui que considere luxuoso? 

Os escassos e preciosos momentos offline. Algo tão simples como desligar do ruído que nos rodeia é hoje um dos maiores privilégios. 

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