Sem nostalgia. A maturidade criativa da Ernest W. Baker
A nova coleção revisita códigos do passado, mas não para os repetir. Afina-os, consolidando uma linguagem visual coesa e uma identidade que se afirma pela confiança.
Perante a tentação constante da novidade a qualquer custo, a Ernest W. Baker escolheu outro caminho para a nova coleção: o da introspeção. Mas ao invés de voltar-se para um caráter nostálgico, utilizou-a como exercício de clareza. Olhar para trás, revisitar códigos, reconhecer padrões - não para os cristalizar, mas para os compreender. O resultado é uma coleção que não tenta reinventar a marca, antes confirma a sua identidade com uma confiança silenciosa, amadurecida.
"Vemos esta coleção como uma evolução natural da nossa identidade", explicam os designers Reid Baker e Inês Amorim, em entrevista à Must. "Olhar para trás foi algo instintivo, porque as origens da marca sempre tiveram como base a ideia de reinterpretar peças clássicas com cuidado, em que cada corte, tecido e detalhe é pensado com intenção." Essa ideia de intenção, quase obsessiva, atravessa toda a coleção. Nada parece arbitrário; tudo parece deliberado.
Ainda que a coleção dialogue com propostas anteriores, os criadores rejeitam a ideia de um arquivo literal. Não se trata de uma retrospectiva, mas de um processo vivo de depuração. "Revisitamos códigos de coleções passadas, mas sempre com a intenção de os reinterpretar, preservando a identidade da marca, refinando esses elementos para que façam sentido no presente e apontem também para o futuro." É nessa tensão entre memória e presente que a Ernest W. Baker encontra o seu território criativo.
Ao longo desse processo, algo se tornou particularmente evidente: a coerência interna da marca. "Descobrimos que a identidade da Ernest W. Baker é mais coesa e contínua do que imaginávamos", admitem. Essa constatação trouxe também uma mudança de atitude. "Uma nova confiança: a de continuar a aprofundar o nosso próprio vocabulário, em vez de procurar algo exterior ou seguir tendências." Num sistema de moda saturado de referências e estímulos, esta escolha revela-se quase radical.
Visualmente, essa coerência manifesta-se na repetição consciente. Padrões, materiais e silhuetas regressam em variações subtis, criando uma sensação de unidade quase gráfica. O xadrez - apresentado em três interpretações distintas - torna-se um fio condutor, estendendo-se do vestuário aos acessórios. "Traduzir esse mesmo xadrez desde o tecido para acessórios como sapatos e carteiras, e também em malhas, reflete a nossa intenção de clareza e coerência visual", explicam, sublinhando a importância dos total looks como linguagem central da marca.
Mas esta coleção não se esgota na forma. Existe nela uma dimensão emocional clara, quase narrativa. A ideia de viagem - física e simbólica - atravessa todo o projeto. Talvez por isso o desfile tenha acontecido num barco, no Rio Sena, em Paris. "Por ser o nosso primeiro desfile, quisemos criar uma coleção que evoca à reflexão, e trazer com ela a poesia e o romantismo que sempre estiveram presentes na marca, numa viagem quase às nossas próprias memórias." O cenário não foi apenas pano de fundo; foi parte integrante do discurso.
O facto de ser a estreia da marca em passerelle teve um peso decisivo. Tudo foi pensado como extensão da identidade da Ernest W. Baker. “Era fundamental que a identidade da marca se refletisse em cada detalhe”, dizem. “Desde a localização, às peças, acessórios, assim como a música.” Mais do que um desfile, foi uma encenação cuidada de um universo criativo.
E se olhar para trás pode ser confundido com nostalgia, aqui assume outro papel. “Para nós, o olhar para trás serve para construir com mais consciência o que vem a seguir.” O passado surge como ferramenta estratégica, não como refúgio emocional. É um método de trabalho, quase um sistema de valores.
No final, a pergunta impõe-se: para onde vai a Ernest W. Baker depois deste momento tão definidor? A resposta é clara, mas aberta. "A Ernest W. Baker está segura da sua identidade, o que nos permite continuar esta viagem de reimaginação e construção do futuro da marca.” Não há pressa, nem ansiedade de reinvenção. Apenas a convicção de que saber quem se é - e de onde se vem - é, hoje, um dos gestos mais contemporâneos que uma marca pode fazer.
Condé Nast Johansens destaca três spas portugueses no Luxury Spas & Wellness 2026
Três spas portugueses integram o exclusivo Luxury Spas & Wellness 2026, reafirmando Portugal como destino de referência em experiências sofisticadas de spa e wellness que aliam o luxo e a estética ao bem-estar do corpo e da mente.
O homem pelos olhos de Jonathan Anderson
Superbe! O criador irlandês devolveu a diversão à Semana da Moda Masculina de Paris com a sua coleção para a Dior Men Inverno 2026-2027.
O frio não é obstáculo para o estilo – e estes casacos são a prova
Sobretudos, blusões, puffers, bombers, todos os modelos são válidos - e tendência.
Estas são algumas das imagens que ficaram para a história da moda pelo seu conteúdo pouco consensual.
Alguns designers associaram-se a grandes marcas de desporto como a Sacai com a Nike, Junya Watanabe com a New Balance e os designers Craig Green e Wales Bonner com a Adidas. Outros lançaram os seus próprios modelos que nem por isso são menos cool.
Em sets de filmes, na praia, de férias em destinos idílicos, Jane Birkin, Joan Collins, Ava Gardner ou Claudia Cardinale estão entre as mulheres mais emblemáticas e bonitas de sempre, aqui em pleno verão.
Gabriel-Kane Day-Lewis é músico e modelo e vive entre Nova Iorque e Paris. Um ícone de estilo, aos 25 está a perseguir uma carreira em nome próprio, e Hollywood já lhe piscou o olho.