Casa Amarela, um oásis de bem-estar em Beja
Com nove quartos, um spa, um terraço e uma piscina aquecida estão os ingredientes reunidos para uma estadia de luxo no Baixo-Alentejo, mais precisamente naquela que é a Capital Europeia do Vinho de 2026.
Estamos de frente para a fachada do número 7, da Rua Tenente Valadim, em Beja, e há de imediato uma sensação de familiaridade que nos faz sentir bem, uma harmonia de cor que nos leva a crer que está tudo no sítio certo, sem sabermos bem porquê. Assim que entramos pelas grandes portadas da Casa Amarela, percebemos que essa sensação nos vai acompanhar ao longo das 24h de permanência neste sítio.
É Manuel Cano quem nos recebe, com um sorriso de bom anfitrião, e que nos explica com todo o cuidado e rigor como os recantos de cada quarto comunicam na perfeição (os quartos são 9, variam entre os 180 e os 250 por noite, e nas modalidades duplo deluxe e duplo superior). O amarelo, tantas vezes associado à alegria, à criatividade e à energia, esteve no centro do projeto de arquitetura de Inês Regata, com execução do Grupo Norma, empresa de construção e arquitetura, que Raquel Montes e Luís Pedro Serrano, proprietários da Casa Amarela, fundaram há vários anos.
Inicialmente, a casa seria para habitação própria, mas só ao fim de dez anos Raquel e Luís encontraram o verdadeiro propósito desta antiga casa senhorial. “Sempre foi uma casa de família, seria a nossa casa, mas rapidamente percebemos que tínhamos outros desígnios, e a obra acabou por avançar para configuração de hotel e demorou dois anos” diz-nos Raquel, que entretanto se junta a Manuel para a recepção. Um tempo record, diríamos, para a qualidade de todos os detalhes e acabamentos. Mais tarde, juntou-se Joana Astolfi, Clara Urbinati, Inês Nogueira, André Rocha, Eleonora Causin da equipa do Studio Astolfi.
Voltando ao amarelo, Raquel Montes revela que a fachada já tinha "um amarelo muito semelhante, que tentámos replicar ao máximo, com o novo revestimento", depois de notarmos que esse amarelo dos azulejos exteriores se distinguia dos outros tons de amarelo escolhido para o interior, predominantemente ocre. Um detalhe que chega como um bom augúrio de que se faria bastante jus aquilo que aqui existia. Assim é: em tudo o que havia portadas, mantiveram-se as portadas, em tudo o que havia vitrais, mantiveram-se os vitrais, mesmo aqueles que foi preciso substituir por inteiro. Nalguns pontos, o chão oscila entre tijoleira tradicional e madeira, o que acrescenta conforto.
Ficámos num dos quartos da entrada, com uma casa de banho com apontamentos árabes, onde o mármore sobressai com elegância nas bancadas da casa de banho (nos outros quartos, o mármore vai variando de cor, e é particularmente bonito no quarto mais grená). É nos detalhes que está a graça e, no nosso quarto, quando notamos que os chinelos descartáveis vêm embrulhados em papel reciclado, percebemos que há uma preocupação em manter a estadia sustentável. Também será por isso que não há mini-fridge (o que para detetives sonoros como nós, é um alívio), e há frigoríficos comuns na zona da cozinha. Notamos os detalhes do Studio Astolfi em todo o lado, dos famosos cabinets aos bibelots cuidadosamente escolhidos, que tanto podem ser livros de antologias antigas como brinquedos vintage ou peças de artesanato português.
Afinal, estamos numa cidade alentejana do Baixo-Alentejo (recém nomeada Capital Europeia do Vinho de 2026), e não faltam as cestas de vime e as cadeiras pintadas à mão, onde o nosso bebé ainda não se pode sentar, mas que em breve já o fará. Nota-se que é uma casa preparada para crianças, sem que elas sejam o centro - é preciso mantê-las afastadas dos cabinets! - mas onde há jogos de cartas e vinhos regionais servidos a copo para juntar os hóspedes de todas as idades nos espaços comuns. A casa, que é térrea, ajuda à sensação de harmonia. Há um longo corredor - os quartos vão-se dividindo de ambos os lados, que termina nessa sala comum à direita (lindíssima, por sinal, onde os pequenos almoços são servidos, cuidadosamente preparados pelo Manuel, que nos traz requeijão e queijo fresco locais, e nos prepara cuidadosamente bowls de fruta despretensiosos), e numa cozinha comunitária à esquerda. Se formos para o exterior, há um terraço maravilhoso equipado com cozinha, com uma vista que alcança vilas vizinhas como Cuba, Vidigueira ou Alcaria da Serra, com a Serra de Ficalho no horizonte.
Na parte inferior, há um outro páteo onde está a piscina, uma zona que convida ao tal slow-living a que tantos hotéis apregoam, mas onde depois não se sente o feng-shui. Ao lado, tem o bar, uma espécie de barra espanhola que vemos com potencial para um restaurante uber privado. Raquel não parece descartar a ideia. Ao entardecer, permanecemos aqui a beber uma cerveja - há, também, uma carta de vinhos onde constam vinhos da região como Herdade Grande ou Gerações da Talha - junto ao jardim central, esta zona convida a sentar numa das várias espreguiçadeiras, contemplando as primeiras noites de primavera. A piscina é aquecida - de momento, essa funcionalidade não está, porém, disponível -, sendo que o spa com banho turco e sala de massagens fica mesmo ao lado. Para marcar uma das massagens é preciso agendar com Manuel.
O Health & Spa da Casa Amarela tem massagens como “Essência do Alentejo” (60min, €100), de corpo inteiro, com “óleos essenciais do TERRA de lavanda e alecrim, reconhecidos pelas suas propriedades relaxantes e revitalizantes”; “Calor da Terra” (75min, €120), “massagem profunda que combina técnicas de relaxamento com o poder das pedras vulcânicas aquecidas, capazes de transmitir o calor genuíno do Alentejo.” A brisa quente da manhã, no terraço, enquanto bebemos um café, transmite aquilo que qualquer bon vivant deseja num sítio assim, calmaria e descanso. Beja, que se está a transformar para uma cidade mais cuidada, artística e com mais vivacidade, ganha, assim, um hotel com uma graça fora do comum, onde o hóspede mais sofisticado - mas despretensioso - se vai sentir imediatamente em casa.
Onde? Rua Tenente Valadim Nº7, Beja Reservas geral@casamarela.pt ou +351 961 139 204
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