Artes / Prazeres

LAAF 2026. Onde o clássico e o contemporâneo se encontram para uma boa conversa

A Associação Portuguesa dos Antiquários (APA), traz de volta a Lisbon Art & Antiques Fair (LAAF) à Cordoaria Nacional em Lisboa, entre 9 e 17 de maio de 2026 – uma feira dedicada aos amantes das artes e antiguidades que reúne antiquários, galerias, designers e especialistas.

Lisbon Art & Antiques Fair - Edição de 2025
Lisbon Art & Antiques Fair - Edição de 2025 Foto: DR
07 de maio de 2026 | Rita Pinto da Silva / com Patrícia Domingues

Na sua 23ª edição, a LAAF propõe uma viagem que atravessa séculos de história, refletindo a riqueza e diversidade da cultura material. Em paralelo, regressam as já aclamadas Conversas sobre Arte, um ciclo de debates que aborda temas relevantes não só para o público e profissionais do setor, mas também para a própria cidade de Lisboa - criando um espaço de diálogo que vai além da exposição.

Num contexto em que o público se torna cada vez mais exigente em relação à qualidade, a LAAF reforça o seu compromisso com uma oferta criteriosa e diversificada. Em declarações à Must, Francisco Pereira Coutinho, vice-presidente da APA, sublinha que a organização procura introduzir novidades a cada edição, sem perder a essência da feira: “baseada na grande qualidade das obras apresentadas, assim como na sua variedade, reunindo diferentes expressões das artes decorativas como mobiliário, arte sacra, joalharia, ourivesaria, tapeçarias, design, arte moderna e contemporânea, azulejaria, entre outras.” Este ano, acrescenta, a aposta mantém-se na diversidade, com a presença de novos expositores e diferentes abordagens às artes decorativas, com o objetivo de atrair novos públicos.

A edição de 2026 distingue-se também pelo reforço da sua vertente editorial. O catálogo Antiguidades: do Clássico ao Contemporâneo propõe-se como um espaço de reflexão e pensamento crítico, contando com contributos de nomes como Bárbara Coutinho (diretora do MUDE), António Filipe Pimentel (consultor na Fundação Calouste Gulbenkian) e João Paulo Queiroz (presidente da Sociedade Nacional de Belas Artes).

A presença institucional ganha igualmente destaque nesta edição. Como explica Francisco Pereira Coutinho, “um bom exemplo dessa aposta na variedade com qualidade são os dois museus convidados: o Museu de Arte Contemporânea – Museu do Chiado e o Palácio Nacional da Ajuda, duas instituições de grande prestígio e em polos opostos.” A sua localização, estrategicamente posicionada à entrada da feira, pretende funcionar como um gesto simbólico de dar as boas-vindas ao público.

LAAF 2025
LAAF 2025 Foto: DR

No plano internacional, a LAAF continua a afirmar a sua ambição. Questionado sobre o posicionamento da feira no panorama europeu, o vice-presidente da APA reconhece a inspiração em eventos como a BRAFA, sublinhando: “Temos consciência da nossa dimensão, que é mais reduzida, mas não deixamos de olhar para essas feiras como exemplos a seguir.” Uma afirmação que revela tanto pragmatismo como ambição.

A colaboração com o estúdio OITOEMPONTO é outro dos pontos de continuidade, materializando-se num projeto cinematográfico do espaço. O objetivo passa por “espelhar o savoir-faire do estúdio de interiores e o seu conhecimento aprofundado sobre feiras internacionais”, acrescentando uma camada visual e conceptual à experiência da feira.

No final, o convite fica lançado: “Quem já conhece a LAAF sabe que é uma feira onde vai encontrar obras excecionais, muitas vezes guardadas pelos expositores propositadamente para serem apresentadas aqui pela primeira vez.” A isso soma-se a presença de novos participantes, uma renovada atenção à cenografia dos espaços comuns - com uma entrada cada vez mais impactante - e um programa paralelo que inclui lançamentos editoriais, debates diários e provas de vinho.

A LAAF pode ser visitada diariamente, de 9 a 17 de maio, entre as 15h e as 21h, com horário alargado até às 23h aos sábados.

Relacionadas

Fotografias de um Portugal desaparecido

A Fundação Calouste Gulbenkian recebe a obra de Todd Webb, fotógrafo norte-americano que registou Portugal entre os anos 70 e 80. O resultado é um retrato raro de um país em transformação e de uma Lisboa que o tempo entretanto apagou.

Mais Lidas
Artes As obras mais emblemáticas do Museu de Arte Proibida

Com uma seleção de mais de 200 obras de arte censuradas, proibidas ou denunciadas em algum momento, o novo espaço, em Barcelona, promete pôr os visitantes a pensar sobre os motivos e as consequências da censura, com obras que vão de Goya a Banksy.