Prazeres / Artes

A razão pela qual o novo 007 demorou cinco anos

O 25º filme da saga James Bond levou cinco anos a ver a luz do dia. Em entrevista à GQ britânica, Daniel Craig revela porque demorou tanto tempo a aceitar pela quinta vez este papel.

A carregar o vídeo ...
10 de março de 2020 | Rita Silva Avelar

Há 25 filmes realizados da saga oficial de James Bond entre a década de sessenta e o presente ano. Dado o sucesso da personagem criada por Ian Fleming em 1953, o agente secreto 007 tornou-se numa referência dentro do género de ação, venerado por muitos ao longo dos anos como herói de muitas missões secretas.

O primeiro filme, lançado em 1962 chamou-se Agente Secreto 007 (Dr. No), e Sean Connery foi o ator eleito para estrear a personagem, assim permanecendo durante quase uma década (com excepções de David Niven em 007: Casino Royale, 1967 e de George Lazenby em 007:Ao Serviço de Sua Majestade). Em 1973, o ator Roger Moore tomou o seu lugar como 007:Vive e Deixa Morrer até 1985 com 007 - Alvo em Movimento (em 1983, Sean Connery fez um último papel como Bond em Never Say Never Again). Nos dois filmes seguintes, foi a vez de Timothy Dalton dar vida à personagem, até que em 1995 o ator irlandês Pierce Brosnan surge em 007 – GoldenEye, permanecendo no papel até 2002. E chegamos, por fim, a Daniel Craig (Chester, Reino Unido, 1968), com o Casino Royale de 2006.

O sucesso do ator na personagem levou-o aos (agora) quatro filmes da saga, que completa 25 realizações com 007: Sem Tempo para Morrer. O que liga estes atores além do papel de James Bond? Sem dúvida que uma exigência e preparação físicas inerentes a um filme de ação deste calibre, mas também uma preparação psicológica para não só compreende cada guião, cada cena, cada enquadramento, como a responsabilidade de vestir a pele de uma personagem que já conta com um quarto de século de existência e um nível de expectativa estratosférico. No casting para o filme, em 2005, Daniel Craig tinha 37 anos e cabelos louros. Hoje, aos 52 anos, com cabelos ligeiramente acinzentados (o que não lhe retirou em nada o charme que lhe conhecemos desde sempre), mantém a postura segura e resoluta que tão bem lhe assentou desde a primeira vez que vestiu a pele de espião.

Em entrevista à edição britânica da GQ (abril 2020), da qual é capa, Daniel Craig revelou a relutância que teve em aceitar de novo o papel de 007, porque a seguir a 007: Spectre (2015) sentia-se fisicamente em baixo. "A perspectiva de realizar um novo filme estava fora dos meus planos. Por isso é que o filme demorou cinco anos" revela ao jornalista da GQ, Sam Knight, acrescentando que com os filmes de "Bond, não se tem acesso ao guião, então a parte física é uma preparação, de certa forma." Na mesma entrevista, revela que lamenta não ter dado a sua opinião em relação a todos os guiões dos quatro filmes anteriores, sendo que este foi aquele em que, mesmo assim, esteve mais envolvido. "Mantive-me calado sobre isso, mantive-me afastado do assunto e respeitei-o, mas arrependendo-me de o ter feito" diz. Entre as revelações, conta ainda que já sofreu de ansiedade no passado e, embora de forma não explícita, relaciona-o com a experiência James Bond. O argumento de 007: Sem Tempo para Morrer foi escrito por Neal Purvis, Robert Wade, Phoebe Waller-Bridge e o próprio Cary Joji Fukunaga, realizador deste filme.

Na entrevista, Craig, que é casado com a atriz Rachel Weisz (e pai de Ella Craig com a atriz Fiona Loudon, com quem foi casado) conta que fazer um filme de Bond fá-lo sempre sentir que "o mundo lá fora deixa de existir" tal é a imersão neste universo. Por isso, talvez agora "queira ser pai de novo, ou simplesmente envelhecer" revela. Daniel Craig ganhou prestígio tanto no teatro como no cinema.

Filho de uma professora de arte e de um marinheiro que depois se tornou proprietário de um pub na pequena vila portuária de Frodsham, Cheshire, a primeira vez que participou numa peça de teatro tinha apenas seis anos. Estreou-se em O Poder de um Jovem, em 1992, e alcançou o estrelato internacional em Lara Croft: Tomb Raider (2001) e Caminho para Perdição (2002). Nos seus filmes recentes, foi bem recebido pelo público, está Knives Out – Todos são Suspeitos, onde aliás contracena com Ana de Armas, uma das bond girls no novo filme de 007 e pelo qual conquistou uma nomeação para um Globo de Ouro de Melhor Ator Secundário.

A estreia mundial de 007: Sem tempo para morrer já havia sido adiada uma vez, devido a um incidente nas gravações (houve uma explosão indeliberada em junho passado). Agora, devido à expansão do vírus Covid-19, a estreia do filme foi adiada para o fim do ano.

A carregar o vídeo ...
Saiba mais 007, Agente Secreto, Daniel Craig, James Bond, Ian Fleming, Sean Connery, David Niven, George Lazenby, Sua Majestade, Never Say Never Again, GQ, Pierce Brosnan, Reino Unido, Casino Royale, cinema, Casino Royale
Relacionadas

Os homens mais sedutores de sempre

Uns contam e somam as mulheres com quem se deitaram. Outros apenas se ficam pelas paixões platónicas que espoletaram nos corações femininos. A lista poderia ser maior, mas nós não somos de exageros…

A grande febre do jogo

Quem viu Macau e quem a vê. Da serenidade de uma antiga colónia ao atual cosmopolitismo futurista e algo kitsch, é o local ideal para passar umas férias diferentes. Para quem goste de casinos, claro.

O que é que Robert Pattinson tem?

Um filme que passou despercebido a muitos, O Farol, lança-nos um olhar diferente ao ator inglês que aqui despe definitivamente as camadas fantasiosas da personagem crepuscular de Edward Cullen. Eis aquilo a que podemos chamar um belo renascer das cinzas.

Mais Lidas
Artes Ralph Lauren, o designer que construiu um império

Desengane-se quem pensa que Ralph Lauren é apenas um designer de moda. Arquiteto de um império, colecionador de carros clássicos, ícone do estilo e do sonho americano são traços que fazem dele uma personalidade incontornável do século XX e da atualidade. Prestamos-lhe homenagem na boleia da celebração dos 50 anos da sua marca e do seu talento.