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O plástico pode estar a afetar a qualidade do esperma, avisa estudo

Uma especialista explica como os químicos presentes nos objetos comuns que contêm plástico estão a afetar a quantidade de espermatozoides produzidos, pondo em causa a fertilidade humana. Uma consequência da vida moderna que está a alarmar a comunidade científica.

08 de abril de 2021 | Marta Vieira
Shanna Swan, especialista em epidemiologia ambiental e reprodutiva da Icahn School of Medicine em Mount Sinai, Nova Iorque, foi uma das autoras responsáveis por um estudo que examinou o sémen de mais de 40 mil homens num período de quase 40 anos. As descobertas foram avassaladoras, mas lá iremos. Na continuação desta investigação, Shanna Swan publicou o livro "In Count Down: How Our Modern World Is Threatening Sperm Counts, Altering Male and Female Reproductive Development, and Imperiling the Future of the Human Race", no início de 2021, onde resume as conclusões principais deste estudo.

Entre elas, sabe-se que em apenas quatro décadas, a concentração de espermatozoides - isto é o seu número por milímetro de sémen - diminuiu mais de 50%, inos países ocidentais. Por outras palavras, o homem de hoje tem metade da fertilidade dos seus avós com a mesma idade.

Numa entrevista sucinta mas esclarecedora que deu à GQ americana, a especialista revelou quais as causas para este declínio, mas também deixa uma mensagem de esperança quanto ao que ainda é possível fazer para atenuar os efeitos negativos do nosso estilo de vida na qualidade dos espermatozoides.

A vida moderna parece ser a causa maior. Além dos já conhecidos efeitos nocivos do stress diário a que estamos sujeitos, seja na vida privada ou profissional, e também de uma postura sedentária onde o exercício físico não entra e a obesidade sim, e onde há  espaço para o consumo exagerado de álcool e tabaco, junta-se um fator de peso: os químicos a que estamos expostos no dia a dia.

Mais concretamente uma classe de produtos usados no plástico dos objetos domésticos. São os chamados desreguladores endócrinos, que afetam a produção das hormonas testosterona e estrogénio. Os ftalatos, um composto químico usado para tornar o plástico mais maleável, são um exemplo claro disso, pois aumentam a absorção pelo corpo destes componentes que passam das embalagens de plástico diretamente para a comida ou mesmo para os cosméticos. Mais: também a líbido e a frequência com que se pratica sexo é afetada.

O problema de fertilidade decorrente deste processo não nos impacta só a nós, mas também a outras espécies da vida selvagens sujeitas ao mesmo cenário, já que a poluição do plástico é nociva para o ecossistema onde todos vivemos.

A epidemiologista alerta ainda para a importância das análises de rastreio ao sémen, para se perceber a qualidade deste no caso, por exemplo, de querer ser pai, mas também porque uma baixa contagem de espermatozoides se relaciona com doenças cardíacas, diabetes e certos tipos de cancro.  Saiba também que ter uma alimentação equilibrada, a chamada dieta mediterrânea, pautada por bastantes vegetais e fruta, mas também frango, peixe e sementes, parece ser uma boa forma de melhorar a qualidade do esperma. Isto, claro, se estes alimentos forem livres de pesticidas.

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