Este não é só mais um hotel de luxo em Vilamoura
O Hyatt Regency Vilamoura inaugurou com mais de 200 quartos e suites, mais de 200 convidados, roulottes de ostras e cocktails. Mas e em que é que se distingue dos demais?
As coordenadas de GPS marcavam pouco mais de uma hora até ao destino. Nos últimos cinco quilómetros que faltavam percorrer até ao Hyatt Regency, passámos pelas famosas palmeiras de Vilamoura, contornámos rotundas, admirámos os imponentes hotéis que se desenrolam entre a Marina e a praia. A inauguração deste hotel de cinco estrelas tem data marcada para o dia em que chegámos e há um corrupio de técnicos, carrinhas, artistas, convidados a entrar e a sair do hall de entrada. O Hyatt Regency não é mais um hotel de Vilamoura, assim como o Algarve não é todo uniforme. Num passeio matinal pela Marina de Vilamoura, na manhã após a inauguração, comprovamos que esta se sofisticou: os restaurantes já não parecem todos iguais, os pubs têm uma categoria de músicos de fazer inveja a alguns alinhamentos de festivais, os turistas fotografam copos de vinho caro com os barcos atracados ao fundo, e compram gelados artesanais para as crianças. O ambiente familiar sobressai à decadência outrora vista aqui.
Certo que estamos em maio, os turistas sazonais que querem aproveitar os primeiros calores do ano sem o excesso de multidões, por certo desejam umas férias diferentes. São tudo suposições. O que não é uma suposição é que o Hyatt Regency Vilamoura inaugurou oficialmente no fim de maio com uma festa para todos os hóspedes, convidados, parceiros, staff, jornalistas. Houve banda de jazz, discursos oficiais, espectáculos de dança e até natação sincronizada, com um DJ a fechar a festa.
O hotel, que estava em soft opening desde janeiro, tem 257 quartos e suites renovados, “ideais para famílias, golfistas e viajantes em negócios” a partir de cerca de €300 a noite. A decoração, sofisticada e elegante, em muito se distancia dos clássicos hotéis algarvios, muitos deles parados nos anos 2000: aqui nota-se um estilo mais boémio e exótico, marcante pela presença dos beges, terracotas e verdes, em contraste com madeiras e apontamentos em pedra natural. Há plantas - verdadeiras - um pouco por todo o lado, e potes de barro que aludem ao espírito andaluz, a ir buscar referências estéticas mesmo ali ao lado. O quarto onde ficamos tem vista sobre as piscinas e a festa, avista-se ao longe uma promissora roulotte de ostras e outra de cocktails de assinatura. As suites com vista mar e com terraço são uma demonstração de bom gosto neste universo de luxo: não são demasiado grandes nem cheias de cadeiras de praia.
Para quem viaja em família - é o caso - é bom saber que há um Kids Club (disponível de 1 de junho a 13 de setembro), um Centro de Fitness tecnológico e a já referida piscina exterior (há uma pequena, para as crianças, e uma fabulosa piscina para adultos, que parece saída de um dos filmes de Paolo Sorrentino). É, sem dúvida, um hotel virado para desportistas, assim o comprovam as duas pistas de padel, as duas pistas de pickleball, um minigolfe, uma pista de petanca e uma pista de voleibol de praia. As praias - Vilamoura, Falésia, Quarteira - ficam ali ao lado, para os que desejam fazer umas férias entre o hotel e a praia. Para quem vai mais virado para relaxamento e bem-estar, há ioga ao ar livre com aulas regulares, bem como uma horta biológica de onde saem alguns dos ingredientes que compõem os pratos do Brasa Coastal Steakhouse, restaurante que merece desvio para quem gosta de petiscos de mar com alguma criatividade.
No Brasa, arriscamos a provar só a secção de petiscos, na qual encontramos as famosas ostras da Ria Formosa (20€, 6), amêijoas à bulhão pato (€25), ovos rotos do mar (muxama de atum, molho romesco e algas, €17), croquetes de rabo de boi com molho de mostarda e mel (€14) e carpaccio de novilho (€18). Saltam-se os pratos principais (há carnes e peixes grelhados para todos os gostos) mas nunca a sobremesa, e portanto o ex-líbris do Brasa é a mousse da casa, com chocolate, chantilly vegan e amêndoa. Vem numa taça grande e é servido diretamente no prato.
No hall do hotel, também podemos beber cocktails no Lume Lobby Lounge enquanto esperamos que a hora do calor passe, e notamos que as tonalidade das luzes são sempre amareladas (também a trazer algum espírito de América Latina?). Em todo o caso, o Virgin Mojito é sempre um bom barómetro, e no Lounge é excelente e recomenda-se, “nota 10” na apresentação requintada e na capacidade de ilusão (estamos ou não a beber álcool?). Quem já está na piscina, serve-se do terceiro e último espaço de restauração do hotel, que é o The Terrace Pool & Bar, para snacks e (mais) cocktails, uma espécie de quiosque da piscina para very lazy person on holidays. Que é o que todos queremos ser, num hotel como o Hyatt Regency.
Onde? Stefano Saviotti 65, 8125-478 Vilamoura, Portugal. Reservas +351 289 371 234.
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