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Um smartwatch é um smartwatch, mas este é diferente

O Huawei Watch GT 6 foi lançado no último terço de 2025 e causou ótima impressão. É bonito, é eficiente e é vocadionado para o desporto. Um pequeno objeto de luxo que foi apresentado de forma sumptuosa.

Homem mexe num dos vários relógios de parede da marca Seth Thomas Foto: Getty Images
16 de fevereiro de 2026 | Diego Armés
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Talvez pudéssemos dividir o mundo em duas partes. De um lado, aqueles que acreditam que começar com uma corrida matinal é a melhor maneira de garantir que o dia não pode ficar pior. Do outro, os amantes das corridas matinais e da atividade física, em geral. Se possível, com medidores, referências e cronómetros; de preferência, com tudo ligado a bases de dados que retribuem com relatórios sobre métricas e avaliações de desempenho (controladas por marcas e empresas que talvez tenham nome, mas raramente têm rosto, que dão destinos incógnitos aos nossos dados e que os usam para fins e propósitos indecifráveis, mas isso agora não importa nada, como diria Teresa Guilherme).

De um lado e do outro, temos maneiras distintas de olhar para o luxo. Os primeiros tendem a considerar um privilégio o direito ao sossego e a possibilidade de descanso; os segundos apreciam o trabalho que executam no próprio físico, privilegiam a atividade desportiva, potenciam o espírito aventureiro e capitalizam-no em rotinas que têm como finalidade alcançar o bem-estar do corpo e da mente, ao mesmo tempo que registam progressos (e eventuais retrocessos), que usam para satisfazer a autoestima. Foi a pensar neste segundo grupo que várias marcas de tecnologia desenvolveram e lançaram smartwatches, dispositivos de usar no pulso, em tudo semelhantes a relógios, cuja função de dar horas é apenas uma fração minúscula de tudo o que podem desempenhar. Uma dessas marcas, e uma das que mais se destacam no segmento, devido à evolução e à qualidade que tem apresentado nos lançamentos desde há alguns anos, é a Huawei. A gigante tecnológica chinesa, sediada em Shenzhen (província de Guangdong), lançou há alguns meses uma série de dispositivos - smartwatches, laptops, smartphones, tablets, lápis digitais, you name it -, e foi durante esse lançamento que ficámos a conhecer o Huawei Watch GT 6, uma pequena, porém notável peça que não só cumpre esteticamente a função de adereço vistoso, como apresenta algumas características que o destacam da concorrência no mercado.

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O NOVO WATCH GT

O Huawei Watch GT 6 apresenta-se como o companheiro ideal para determinados desportos, nomeadamente o ciclismo. Concebido sob o mote Ride the wind, inclui funcionalidades vocacionadas e direcionadas para os amantes de bicicletas. Além de uma precisão de GPS aumentada em relação à série anterior, esta série 6 dos Huawei Watch GT oferece uma maior autonomia de bateria, embora em teste não tenhamos conseguido confirmar os 21 dias reclamados pela marca.

Huawei Watch GT 6 impressiona com design, eficiência e foco no desporto Foto: DR

Com uso diário e atividade física regular matinal - os tais dias que começam mal e não podem piorar -, a duração da bateria nunca ultrapassou os 14 dias entre duas cargas. Pode dever-se ao uso excessivo? É possível, mas improvável, já que o test dummy não é exatamente um fanático da prática desportiva; os testes consistiram maioritariamente, durante esse período, em caminhadas longas e pouco mais - alguma corrida, mas sempre ligeira e de curta duração. Os testes não incluíram, porém - e por isso pedimos desculpa -, ciclismo. Contudo, muitas das funcionalidades do Huawei Watch GT 6 têm como objetivo monitorizar e ajudar a potenciar o desempenho nessa modalidade. Os registos e indicadores de saúde, de oxigenação e até de humor têm assinalável rigor. A marcação de distâncias, passadas e ritmo cardíaco, bem como o assinalar dos estados aeróbicos e anaeróbicos, são de fácil leitura, o que constitui uma ferramenta preciosa para a avaliação do esforço e do desempenho de cada atleta, seja profissional ou amador.

UMA APRESENTAÇÃO MEMORÁVEL

A panóplia de funcionalidades do Huawei Watch GT 6 pode impressionar quando a enumeração é feita no vazio e no abstrato. Contudo, o menu que este smartwatch oferece não acrescenta propriamente novidades nunca vistas. Neste, como noutros gadgets, a dificuldade em inovar obriga as marcas a olhar mais longe no horizonte. Neste caso, a Huawei preparou um lançamento nada menos do que sumptuoso, reunindo no Vélodrome National - uma gigantesca arena desportiva que recebeu provas de ciclismo durante os Jogos Olímpicos de Paris 2024, situada na região de Versalhes - centenas (talvez milhares?) de jornalistas, bloggers e demais entusiastas das novidades tecnológicas que tenham conseguido tornar-se elegíveis para receber convite.

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O LUXO E O MUNDO LÁ FORA

Num mundo competitivo, em que a tecnologia sente cada vez mais dificuldade em furar e mostrar-se diferente, num mundo em que fazer vanguarda é quase uma impossibilidade, há que criar universos e, como se diz no meio, “mindsets diferenciadores” que transportem o consumidor, ou o intermediário, que até pode ser o mensageiro - neste caso, o jornalista -, para um lugar distante da realidade quotidiana, transformando esta numa quase fantasia idílica.

No caso da apresentação do Huawei Watch GT 6 - além da sumptuosidade da cerimónia no Vélodrome, que a espaços teve contornos de espetáculo pop, de comício político ou de cerimónia litúrgica, tal era o entusiasmo de quem assistia ao desfilar de personalidades de referência da marca que subiam ao palco para revelar ao mundo as magníficas invenções e remodelações da Huawei -, houve uma véspera, uma antecâmara para o grande dia.

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No caso da comitiva portuguesa, que integrámos, foi-nos dada a experiência de uma aventura de luxo pela Cidade das Luzes como o cidadão comum a imagina. Um cruzeiro pelo Sena, vista privilegiada para a Torre Eiffel, num passeio pelas águas tranquilas a contemplar o Louvre e a Notre-Dame, enquanto uma crooner entretém os convidados que, à mesa, degustam filet mignon de vitela cozinhado no ponto. Enquanto isso, lá em cima, nas ruas e praças parisienses, as luzes das ambulâncias e dos carros da polícia juntam-se à iluminação amarelo-acastanhada típica das margens do Sena. O povo saiu à rua em protesto por qualquer coisa, direitos laborais e idade da reforma, ao que parece. Há confrontos com a polícia, há sirenes que ouvimos quando a cantora se cala e agradece os aplausos. Mas daqui, de dentro do barco, não se vê nada e o filet mignon está uma delícia, pelo que aproveitamos para trocar impressões acerca do Huawei Watch GT 6, que é bonito que se farta. Sem dúvida, capricharam na estética. Se isto não é luxo, é pelo menos privilégio.

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