Drive

Um arqui-inimigo para a Tesla?

R. J. Scaringe, o fundador da marca automóvel Rivian, está prestes a lançar o primeiro automóvel elétrico que poderá destronar Elon Musk.

O modelo R1S da Rivian
O modelo R1S da Rivian Foto: Rivian
26 de fevereiro de 2020 | Vitória Amaral

Em Normal, uma cidade perto de Chicago, Illinois, a sede da Rivian Automotive (que anteriormente pertencia à Mistubishi) ainda está em renovação  com data de conclusão prevista para o fim do ano, altura em que a empresa automóvel espera lançar pela primeira vez carrinhas e SUVs alimentados por baterias.

Fundada em 2009, a Rivian também opera em San Jose e Irvine, na Califórnia, onde desenvolve a sua tecnologia e aperfeiçoa as baterias dos modelos. "Quando acabarmos de limpar, pintar e instalar o esquipamento", contou à Forbes o fundador e CEO Robert Joseph Scaringe ( também conhecido como R.J.), "vamos eventualmente poder produzir 250 000 veículos por ano a meio da década". Começar uma empresa automóvel independente não é fácil. Entre os casos mais infames está o de Preston Tucker, que investiu em Detroit nos anos 40, ou de John DeLorean, que tentou, sem sucesso, trazer a cidade, conhecida como "Motor City", de volta ao futuro no início dos anos 80. Produzir uma linha de veículos para as massas no século XXI é ainda mais difícil do que na época de Tucker e DeLorean, e consideravelmente mais arriscado na categoria de automóveis elétricos.

A emergência da Rivian vem juntar-se a um mercado de veículos elétricos que promete dominar por si só: os automóveis elétricos e híbridos já são 2,2% de todos os veículos  vendidos nos EUA em 2019. 5.1 milhões de carros elétricos foram vendidos em todo o mundo em 2018, mas espera-se que este número aumente ao longo da nova década: estão previstas vendas de 21 milhões de unidades em 2020, 98 milhões em 2025 e 253 milhões em 2030.

Modelo R1T da Rivian
Modelo R1T da Rivian Foto: Rivian

Construir um novo automóvel elétrico, no entanto, requer investimento em tecnologia de ponta e investigação de componentes como as baterias e propulsão. A única empresa que tem sido minimamente bem-sucedida é, claro, a Tesla, e até essa teve um começo difícil. "Passámos muito tempo a observar e perceber como os diferentes fabricantes foram construídos", acrescentou Scaringe na mesma entrevista, "e passámos muito tempo a calcular os riscos associados à construção de um negócio, assim como o capital envolvido". Nos últimos 13 meses, Scaringe e a sua equipa juntaram 2.62 mil milhões de euros para financiar a Rivian, com a ajuda da Amazon, por exemplo, e da Ford.

A Cox Automotive, cujas marcas incluem Autotrader e Kelley Blue Book, também investiu outros 322 milhões de euros em setembro, entre muitos outros, capital esse que, em cima de quase 460 milhões investidos pela JIMCO, uma corporação saudita que tem investido bastante na energia e mobilidade, deu à Rivian um valor de pouco mais de 5 mil milhões de euros. Estima-se que Scaringe possua efetivamente cerca de 20% da empresa, fazendo deste o novo bilionário automóvel. O financiamento também permitiu a Scaringe aumentar a mão de obra da Rivian de à volta de 700 pessoas em 2018 para mais de 2 000 atualmente. A pergunta é: mesmo com quase 3 mil milhões de euros, será que a Rivian tem o que é preciso para realizar os sonhos do seu CEO?

R. J. Scaringe sonhou em começar a sua própria empresa automóvel quando estava ainda no segundário. Mais tarde, no MIT, conseguiu um doutoramento em engenharia mecânica e as capacidades de que precisaria para construir o carro que imaginou. De volta a Melbourne, Florida, fundou a atual Rivian, passando os seguintes quatro anos a desenvolver um carro elétrico antes de descobrir a falta de oferta deste tipo de automóveis para o consumidor que, tal como ele, gosta de explorar ao ar livre: nascendo assim o foco nas carrinhas e SUVs.

Também passou quase uma década a desenvolver a sua tecnologia inovadora, um chassis com bateria, melhor suspensão, motores elétricos para propulsão e um computador que controla tudo. Finalmente, em novembro de 2018, a Rivian revelou os seus dois protótipos no Auto Show de Los Angeles: o R1S, um SUV elétrico com capacidade para 7 pessoas, e o R1T, uma carrinha de caixa aberta elétrica. Os chamados "veículos de aventura" quase pareciam herdeiros da Range Rover: robustos, capazes e luxuosos, munidos das últimas novidades como acesso à internet e assistência ao condutor. A empresa espera distribuir 20 000 unidades de ambos os modelos em 2021 e 40 000 em 2022, o que se poderia traduzir em aproximadamente num lucro de 1.3 e 2.57 mil milhões de euros. A Tesla, por sua vez, vendeu 25 000 unidades do Model X em 2016.

Modelo Cybertruck, da Tesla
Modelo Cybertruck, da Tesla Foto: Tesla

Além destes dois primeiros lançamentos, Scaringe planeia lançar mais três até 2024, um mais pequeno em tamanho e todos eles mais acessíveis. Esta tática é semelhante à de Land Rover com o seu modelo Defender, por exemplo: o mesmo modelo base com menos comodidades. Se Scaringe realmente conseguir manter os preços abaixo dos 45 000 euros vai causar bastantes dores de cabeça à Tesla, que de momento lidera este mercado. Ambos os modelos conseguirão alcançar os 96 quilómetros por hora em três segundos, capazes de enfrentar qualquer terreno.

Entretanto, a Amazon está a trabalhar com a Rivian para desenvolver uma carrinha de entregas elétrica, parte do seu compromisso de utilizar apenas energia renovável até 2030. Pelo menos 10 000 carrinhas deverão estar na estrada no fim de 2022, e 100 000 completarão a frota da Amazon em 2024. Além das promessas da Ford e da General Motors de lançar carrinhas elétricas nos próximos anos, se a Rivian conseguir alcançar o tão esperado sucesso, poderá estimular a categoria e lançar uma rivalidade séria entre a categoria dos carros elétricos. Será o início da competição a sério.

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