Conversas

Nick Youngquest, um herói moderno

Antigo jogador de râguebi, é embaixador da fragrância Invictus, de Paco Rabanne, feminista orgulhoso e dedica-se a promover a solidariedade através do desporto.

O australiano Nick Youngquest
O australiano Nick Youngquest
25 de agosto de 2019 | Carolina Silva

É bom conversador, dono de um sorriso autêntico e de uma atitude natural tão constante que é rara. Nick Youngquest faz justiça à reputação dos australianos. Conhecemo-lo quando foi apresentado como o rosto de Invictus, na altura recém-reformado dos campos de râguebi, mas focado no seu novo papel. Hoje confessa que se retirou do desporto na incerteza, entusiasmado com o que o futuro lhe poderia reservar, mas esse futuro não demorou a apresentar-se com o convite para representar a nova fragrância de Paco Rabanne. Passaram-se seis anos desde esse momento e foi no lançamento de Invictus Legend que voltámos a encontrá-lo, desta vez com a sua heroína Olympéa (interpretada por Luma Grothe, a sua companheira na vida real), na primeira campanha em que contracenam juntos. Nick é uma das raras pessoas que não parece afetado pela fama. É orgulhosamente feminista, advoca pelos atletas, pelo fim da homofobia no desporto e pela igualdade de géneros, seja no campo ou fora dele. Se lhe perguntarem quem é Invictus, dirá que é um campeão com um lado sensível, "com uma recém-encontrada humildade que vem com a idade", que não salva Olympéa, a sua parceira na saga, ao invés "deixa-a seguir o seu caminho, confiando que ela irá reunir-se com ele". Se nos perguntarem, diremos que Nick tem muito deste herói moderno.

Quem é Invictus?
Um serial winner com um toque de arrogância que não o define porque ele tem um lado sensível e alcançável que os que estão perto dele apreciam. É o campeão humilde.

Quem é o Nick Youngquest?
É apenas um tipo normal, na realidade, que praticou desporto profissionalmente e que, de alguma forma, se encontrou na indústria da beleza como embaixador do perfume Invictus, de Paco Rabanne! Também está envolvido em organizações de caridade que inspiram os outros através do desporto, nomeadamente através da corrida com a equipa Team For Kids, em Nova Iorque.

O que é que este papel de Invictus mudou para o Nick?
Tem sido uma plataforma para advocar e para apoiar projetos de caridade de que gosto. O melhor das redes sociais é poder influenciar os outros de uma forma positiva. Eu acho que a minha vida não mudou assim tanto. É certo que viajo mais, mas não creio que eu tenha mudado como pessoa. 

Invictus Legend, eau de parfum, 100 ml, €97,68, Paco Rabanne
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É o mentor da corrida RunInvictus que está ligada a instituições de caridade. Fale-nos sobre isto?
É uma plataforma para inspirar os outros através da corrida. Utilizamo-la para fazer a diferença nas comunidades que visitamos e para apoiar em questões de saúde e bem-estar. Já angariámos milhares de dólares para pessoas carenciadas. Eu sinto-me muito orgulhoso que Paco Rabanne tenha partilhado da minha visão para inspirar através do desporto. 

Além das corridas, é um ativista social. De que forma?
Durante toda a minha carreira desportiva, eu tenho-me imposto por aquilo em que acredito. Se puder ajudar uma pessoa através do que digo ou do que expresso, é tudo o que conta. A comunidade LGBT e a igualdade de género também são temas muito próximos para mim.

Considera-se um homem feminista?
Sim. Eu cresci num lar com mulheres fortes, a minha irmã, em particular… Por isso a representação da força feminina numa campanha é muito inspiradora e eu acho que deve ter esse papel de empoderar e esta complementaridade de ter a Olympéa e o Invictus como iguais é muito positiva. São os valores que tentamos implementar nas nossas vidas, especialmente a Luma que advoca pelo direito das mulheres árabes. Tenho tido a sorte de palestrar em Universidades e na conferência He for She, uma plataforma em que os homens apoiam o empoderamento feminino. Há uma mudança a acontecer e são cada vez mais os homens conscientes da importância dos seus papéis contra a discriminação de género. 

Enquanto modelo para gerações mais novas que valores são importantes transmitir?
A abertura… A diferentes culturas, a diferentes tipos de cenários. Vivemos numa época em que nos levantamos contra inúmeras injustiças. As mulheres são umas guerreiras e estamos a vê-las lutar. Há 15 anos isto não acontecia. É importante utilizar as plataformas à nossa disposição de uma forma proativa para apoiar as mudanças que queremos ver no mundo.

No desporto também há um longo caminho a percorrer?
Sem dúvida! Há muito a acontecer em muitos desportos. Há muitos atletas que não são propriamente os melhores exemplos para as gerações mais novas e acredito que é importante que os novos atletas tenham esta noção de que devem dar um bom exemplo. De uma perspetiva de direitos humanos, eu poderia falar da situação do Colin Kaepernic [que protestou contra a discriminação racial], mas é importante referir que não há jogadores de futebol que sejam abertamente homossexuais no futebol europeu. Não é uma representação real da população, por isso pensar que o desporto ainda oprime minorias dessa forma é muito triste. Se pensarmos bem, desde que o Marthin Luther King protestou contra as diferenças sociais, nos anos 60, não temos tido grandes evoluções nesse sentido.

Praticou râguebi profissionalmente, mas atualmente também se dedica ao yoga. O que representa para si esta prática? 
O yoga não se resume a posturas elegantes e malucas que vemos nas redes sociais. O yoga é uma forma de vida holística, de praticar mais gratidão e o amor, e não só as posturas físicas. Eu comecei no yoga quando me reformei do râguebi e tem sido uma ferramenta muito útil para relaxar e para meditar. Os homens não têm de ser sempre figuras másculas e fortes. Podem e devem mostrar o seu lado mais sensível e o yoga ajuda a expressar essas emoções. Espero intensificar a minha prática quando chegar a Portugal.

Para alguém que viaja tanto, onde é a casa para si?
É difícil responder… É claro que sou australiano e adoro o meu país, mas por enquanto mudamos de casa com frequência e somos aventureiros (eu e a Luma) e, por isso, vamos experimentando sítios novos e deixamo-nos levar … Agora a nossa casa vai ser em Portugal durante uns tempos. Quem sabe se não ficamos por lá mesmo.

O que representa para si o desporto?
O desporto tem desempenhado um papel fundamental na minha vida. Deu-me a resiliência e a ética profissional para fazer o melhor que consigo em qualquer coisa a que me proponha. Deu-me algumas lições sobre a importância da humildade e da empatia, pelas quais me sinto muito grato.

Quem foram os seus mentores?
O meu pai e o meu avô foram grandes mentores, especialmente se estivermos a falar de desporto, e também instilaram a importância da família e do respeito.

Recorda-se da sua primeira memória relacionada com o desporto?
Lembro-me de ficar preso na rede da baliza de futebol quando tinha seis anos e estava a jogar como guarda-redes. Sempre tive demasiada energia, por isso a posição de guarda-redes que implica ficar muito tempo parado não era para mim, mas ainda é um dos meus momentos preferidos.

Nick Youngquest
Nick Youngquest

E a sua melhor memória?
Quando concretizei o meu sonho de ser jogador profissional e depois quando me retirei do desporto. Parece estranho e contraditório, mas encontrei muita alegria em afastar-me do desporto que teve um impacto tão forte no meu corpo.

E a pior memória?
Lesões. Tendo jogado um desporto tão brutal, houve sempre muita dor e sofrimento envolvido. É algo com o qual ainda tenho de lidar e, provavelmente, terei de fazê-lo para o resto da minha vida.

Fale-nos da sua primeira vitória?
Não consigo lembrar-me precisamente da minha primeira vitória, mas tendo praticado um desporto de equipa, eu posso dizer que foi sempre extraordinário partilhar a emoção com aqueles com quem trabalhamos tão arduamente lado a lado. O sacrifício e o trabalho duro sempre tornariam essas conquistas mais doces.

Como definiria um campeão?
Os maiores campeões do mundo deixam que os seus legados falem por eles próprios, dedicam-se a inspirar os outros através do campo que escolheram e deixam as suas ações falarem mais alto do que as palavras.

Quem são os campeões que mais admira?
Pensando especificamente em desporto, olho para alguém como Stephanie Gilmour, heptacampeã de surf, mas também uma das maiores responsáveis por garantir que as mulheres recebem salários iguais aos dos homens no surf. É uma verdadeira lenda.

O que o motiva quando pratica desporto?
A emoção. A competição. Mas, acima de tudo, a diversão e o prazer. É a maior mensagem que enviamos para as crianças através do trabalho solidário no qual estou envolvido – não tem sempre a ver com ganhar, mas tem sempre a ver com divertirmo-nos!

O que traz uma vitória?
A sensação de invencibilidade e de alegria quando os nossos objetivos ou quando os objetivos da equipa são alcançados é incrível.

Vencer é uma espécie de adição?
Penso que quando somos mais novos, sim, mas à medida que eu fui envelhecendo, a minha adição mudou e as minhas vitórias derivam de ver as caras das crianças da organização para a qual trabalho, bem como com as corridas que organizo.

Há um segredo para manter-se no topo?
A consistência é a chave e é importante ir aquele bocado mais além, mesmo quando achamos que já fizemos o suficiente.

Qual é o seu desporto preferido atualmente?
O surf. Sinto-me muito inspirado pela camaradagem entre competidores e pela igualdade que o desporto evoca.

Qual é a sua arena desportiva preferida?
O Estádio Olímpico de Barcelona [Estadi Olímpic Lluís Companys].

Qual é o seu evento desportivo de eleição?
O Pipeline Masters [Banzai Pipeline, em Oahu, no Hawai].

Os grandes atletas têm um sex appeal inerente. Isto é um mito ou uma realidade?
É interessante, pois o sex appeal é muito mais do que aquilo que parece e quando uma pessoa pratica desporto parece que é uma característica que fica amplificada. Mas é a maneira como uma pessoa se comporta na vida que a torna mais sexy aos meus olhos.

Considera-se supersticioso?
Já não sou supersticioso, mas usei os mesmos calções de ciclismo durante cinco anos sem lavá-los até que me retirei do desporto… Engraçado, não é?

O que leva sempre no seu saco de desporto?
Acreditem ou não, tenho sempre o perfume Invictus, de Paco Rabanne, um desodorizante, que é sempre importante, mas ainda mais indispensável após uma corrida longa no Central Park, um gel de limpeza e um hidratante facial.

Ainda guarda as suas primeiras medalhas?
Eu não as guardei, mas o meu pai certamente fê-lo por mim! É embaraçoso de uma certa forma, mas não sou sentimental desse modo e literalmente nem tenho a certeza se guardei alguma camisola desportiva da minha carreira anterior.

30 perguntas rápidas

Um perfume: Invictus
Uma cidade: Barcelona
Um lugar de férias: Lizard Island, em Queensland
Uma cor: Roxo
Um homem: Ekhart Tolle
Uma mulher: Michelle Obama
Um animal: O tubarão
Uma hora: Seis da manhã
Uma estação: Verão
Um ingrediente: Louro
Uma corrida: A maratona de Nova Iorque
Um desporto: Surf
Um livro: The Power of Now [O Poder do Agora, Guia Para o Crescimento Espiritual, de Ekhart Tolle]
Uma citação: Carpe Diem
Um pecado carnal: Dança lenta

Prefere…

Chá ou café: Café
Suor ou salgado: Salgado
Série de televisão ou cinema: Série de televisão
The Beatles ou The Rolling Stones: Stones
Dia ou noite: Dia
Pequeno-almoço inglês ou americano: Inglês
Cocktail ou vinho: Vinho
Barco a motor ou à vela: Barco à vela
Natureza ou cidade: Natureza
Neve ou mar: Mar
Deserto ou estádio: Deserto

O que o faz sentir-se…

Uma lenda? Invictus
Vitorioso? Cruzar a linha de chegada
Um campeão? Competir
Invencível? Nunca desistir

A campanha
Encontrámo-lo em Paris, num cinema privado, para descobrir a arrepiante nova campanha. Ao som de Power, de Kanye West, o deserto da Namíbia é a arena desportiva para uma corrida louca ao estilo Mad Max. Lado a lado com Olympéa, terminam a corrida em primeiro lugar.

Foto da campanha, deserto da Namíbia
Foto da campanha, deserto da Namíbia

 

Saiba mais Nick Youngquest, fragância, campanha, Paco Rabanne, Invictus
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