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Os cruzeiros estão de volta ao mar, mas a onda agora é outra

Muitas empresas regressam em junho, mas com novas regras e itinerários. Saiba quais as mudanças em curso no setor.

Foto: James D. Morgan/Getty Images AsiaPac/Bloomberg
29 de maio de 2020 | Bloomberg
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Enquanto hotéis um pouco por todo o mundo se esforçam para manter as luzes acesas, o setor de cruzeiros planeia as primeiras viagens para as próximas semanas. No entanto, no meio da pandemia da covid-19, os percursos serão muito diferentes do que os passageiros de cruzeiros estão habituados. Entre outras mudanças, serão incluídas  medições de temperatura e máscaras antes do embarque e os buffets self-service serão eliminados.

Foto: Lillian Suwanrumpha/AFP/Bloomberg


Talvez a mudança mais significativa seja o facto dos primeiros percursos não levarem os passageiros a um país diferente a cada dia. A navegação pós-pandemia permanecerá mais perto de casa, ou pelo menos do porto de origem. Mas, antes de tudo, tendo em conta a propagação da covid-19 entre passageiros e tripulação de alguns navios logo no início da pandemia, qualquer cruzeiro terá a difícil tarefa de convencer clientes de que a sua saúde e segurança estarão suficientemente protegidas.

Cruzeiros mais limpos, seguros e menores

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Atualmente, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) têm uma ordem de não navegação em águas dos EUA para navios que transportem mais de 250 passageiros e tripulantes, em vigor pelo menos até 24 de julho. Isto significa que empresas mais pequenas, de navios-boutique, poderão navegar mais cedo que os grandes cruzeiros.

"O facto de navegarmos apenas em rios domésticos definitivamente proporcionou uma oportunidade de retomar as nossas operações de maneira responsável, segura e oportuna", diz John Wagoner, fundador e CEO da American Queen Steamboat Co., cujo "American Duchess" transporta apenas 166 passageiros e 70 tripulantes pelo Mississippi.

Também a American Cruise Line pretende reiniciar as operações em junho ao longo do baixo Mississippi e dos rios Columbia e Snake - inicialmente operando dois barcos com capacidade de 75% e novos protocolos de saúde, de acordo com uma porta-voz. Esses protocolos incluem rondas de limpeza a cada hora e a disponibilização de equipamentos de proteção individual completos, incluindo viseiras e luvas, para todos passageiros e tripulantes. A empresa planeia ainda higienizar toda a bagagem antes de embarcar, eliminar os buffets e fornecer proteções descartáveis para objetos muito tocados, como comandos de televisão.

Foto: Andy Newman/Bloomberg
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À procura da normalidade na Europa

Na Europa, onde as restrições nas fronteiras estão lentamente a diminuir, as travessias pelo mar podem ser retomadas com itinerários curtos que não durem mais de uma semana, focados mais em dias no mar do que em muitos portos. Isso de acordo com Jens Skrede, diretor da Cruise Europe, uma rede business-to-business de portos e destinos.

As autoridades locais e nacionais ainda precisam de assinar estes planos. Mesmo quando os voos internacionais começam a ligar os países Schengen da UE, os cruzeiros transoceânicos permanecem parados. Skrede prevê que os portos do Báltico e da Escandinávia serão os primeiros a acender as luzes. "Em geral, a parte norte da nossa região parece ter a situação da covid-19 um pouco mais controlada", diz, acrescentando que as travessias podem não atingir a massa crítica até 2021.

A linha norueguesa Hurtigruten espera ser a exceção; procura abrir o turismo no seu país natal em meados de junho e no Ártico antes do final do verão. "Passo a passo, a pandemia está a ser controlada", disse o CEO Daniel Skjeldam em comunicado. "O reinício gradual das operações nas águas norueguesas é o primeiro passo natural para uma normalização".

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Foto: Oscar Farrera/Bloomberg


O mesmo é válido para a alemã A-Rosa, que pretende relançar os itinerários no Reno e no Danúbio em junho. A linha de hotéis CroisiEurope também poderá voltar a encher as suas barcaças para 22 passageiros em meados de julho, concentrando-se primeiro em França, seu país de origem. Michael DaCosta, general manager da empresa na América do Norte, diz: "À medida que o ano passa, poderemos abrir mais navios. Mas isso depende de restrições nas fronteiras, diretrizes locais e, é claro, da procura dos clientes."

 

 

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