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O novo Ferrari Roma é uma obra-prima

Atribuíram-lhe o nome de Ferrari Roma e é o automóvel perfeito para quem gosta de obras-primas. O novo modelo alia os traços clássicos icónicos com os do exclusivo 250 GTO e a modernidade e a potência dos desportivos da atualidade. Uma delícia de arte e engenho italiano.

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08 de janeiro de 2020 | Pedro Serra

O mundo mudou muito nos mais de 100 anos em que a era do automóvel começou a transformar a forma como os seres humanos se deslocam. Mas mais do que uma mera fabricante de veículos que nos transportam do ponto A ao ponto B, a Ferrari é, desde a sua fundação, um símbolo de estilo, de arte, de elegância e, claro, de competição. A celebrar os 90 anos de ‘vida’, a marca fundada na cidade italiana de Maranello em 1929, por Enzo Ferrari, surpreendeu tudo e todos, no final de 2019, com o lançamento de um modelo que homenageia a capital do antigo Império Romano, o novo Ferrari Roma. Embora também dê ares de Aston Martin, o Roma é inspirado num dos modelos da Scuderia Ferrari mais reverenciados a nível mundial. Referimo-nos ao 250 GTO, um coupé de elegância extrema dos anos de 1960. Não é só de uma beleza rara, como é um exclusivo por terem sido feitas apenas 39 unidades. O modelo é de tal forma desejado que um deles foi vendido por um valor recorde no ano passado. O colecionador e CEO da empresa WeatherTech, que vende acessórios para carros, pagou 63 milhões de euros pelo 250 GTO num leilão.

Além de apaixonar pela estética, promete uma performance e um controlo sem paralelo
Além de apaixonar pela estética, promete uma performance e um controlo sem paralelo Foto: D.R.

E o que vale, então, o novo Roma? O slogan do modelo que procura ter uma beleza intemporal não deixa os seus créditos por mãos alheias e remete, de uma forma direta, para a boa vida que é apanágio da cidade de Roma: La Nuova Dolce Vita, que é como quem diz, a nova boa vida (ou vida doce, numa tradução mais literal). Esta representação contemporânea do modo de vida despretensioso e sem preocupações, repleto de prazeres da Roma dos anos das décadas de 1950 e de 1960, foi várias vezes espelhada no cinema. La Dolce Vita é um clássico de Federico Fellini. A cena da bela Anita Ekberg a banhar-se na Fontana di Trevi ficou na história do cinema e todo esse contexto inspirou o Centro de Estilo da Ferrari. O resultado é um exterior do novo coupé que busca uma simbiose perfeita entre o design limpo e simples, as proporções harmoniosas dos vários elementos e as linhas elegantes e puras. É o que a Ferrari chama de "minimalismo formal" com todos os pormenores supérfluos a ficarem de fora do design clássico.

É explosivo quanto baste: chega aos 100 km/h em 3,4 segundos
É explosivo quanto baste: chega aos 100 km/h em 3,4 segundos Foto: D.R.

O modelo coupé, pensado para dois afortunados ocupantes, além de apaixonar pela estética, promete uma performance e um controlo sem paralelo. Para isso, o carro traz por baixo do capô um motor V8 turbo de 3,9 litros da família de motores que venceram o prémio de Motor do Ano Internacional nos últimos quatro anos. Nesta versão, encontramos um "coração" com 620 cavalos de potência atingida às 7.500 rotações e uma nova e moderna caixa de oito velocidades DCT que foi introduzida no Ferrari SF90 Stradale, outro dos modelos lançados este ano e que é mais um superdesportivo para pista do que para passeios do dia a dia, como é o caso do coupé Roma. Ainda assim, o elegante Roma é explosivo quanto baste: chega aos 100 km/h em 3,4 segundos e aos 200 km/h em 9,3 segundos, tendo como velocidade máxima os 320 km/h.

Com 4,65 metros de comprimento e apenas 1,3 metros de altura, o Roma tem uma distribuição perfeitamente dividida entre os dois eixos (50%-50%) e pesa 1.472 kg, com o chassis a beneficiar de uma tecnologia modular desenvolvida pela Ferrari. O resultado é não só a redução do peso, mas uma dinâmica, um controlo e uma resposta que prometem deixar o piloto do modelo rapidamente apaixonado. Se se quiser fazer derrapagens sem correr grandes riscos, o Roma está equipado com o chamado Side Slip Control 6.0, uma novidade neste tipo de carro e que permite deixar a traseira soltar-se um pouco com a ajuda da eletrónica.

O interior é tudo o que poderíamos esperar num Ferrari moderno
O interior é tudo o que poderíamos esperar num Ferrari moderno Foto: D.R.

O interior é tudo o que poderíamos esperar num Ferrari moderno. Além da elegância desportiva, não faltam vários ecrãs e botões espalhados pelo cockpit de forma organicamente distribuída. O sistema de infoentretenimento vem com ecrã separado para o passageiro, um painel de instrumentos digital e um ecrã a meio de oito polegadas. Na frente, os faróis Matrix LED, o cruise control adaptativo e o acesso e arranque mãos livres fazem parte do equipamento para dar conforto ao seu novo dono. 

Ao contrário do que se vê nos Ferrari superdesportivos, com interiores construídos em torno do piloto, o Roma tem um cockpit mais simétrico para que os passageiros também se sintam envolvidos na condução. A Ferrari chama a esta abordagem "arquitetura integrada" em que os elementos interiores foram esculpidos dando continuidade aos diferentes materiais, como se um material fosse a consequência natural do outro. Convencido? Há ainda um pormenor delicioso na traseira, além da melhor performance no mundo dos coupés (promessa da FerrarI). O spoiler traseiro aparece quando precisamos dele a mais altas velocidades e está integrado com o vidro traseiro, desenhado para não só garantir maior tração no modelo (a chamada downforce) mas também para manter a estética pura.

O preço deve ficar pouco acima dos 200 mil euros, mas ainda não foi feito o anúncio oficial para a chegada a Portugal, a qual deve ficar para o início de 2020. Até lá, pode muito bem sonhar de olhos bem abertos, já que não paga para ver as fotografias.

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