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Dry January: como é pôr o álcool de lado (pelo menos em janeiro)

Uma mente mais límpida, noites bem dormidas, a carteira mais cheia e uma pele de bebé. Ficar a “seco” ao longo do mês de janeiro — ou de qualquer outro mês — promete ser tudo de bom. É experimentar para crer, como fez a MUST.

Foto: IMDB
08 de janeiro de 2020 | Pureza Fleming

Janeiro é o mês das resoluções, por excelência. Algures entre os últimos dias de dezembro e o início do mês que inaugura um novo ano, são comuns as listas de propósitos e de afazeres para que o "pior do ano anterior seja o melhor do ano que vem". É humano e todos nós por "lá" passámos. Mas reza a história da experiência que, quanto mais carga pomos nos objetivos a que nos propomos, mais difícil é de concretizá-los, efetivamente. Por isso, a sugestão dos entendidos na matéria é que se comece com pequenas metas: por exemplo, em vez de dizer "em 2020 vou deixar de beber álcool", decida que, pelo menos ao longo do mês de janeiro, não vai beber álcool. Na realidade, este é o mês mais acertado para dar uma folga ao seu fígado, já que dezembro é o que sabemos — comida a mais, bebida a mais, no fundo, excesso de folia e tudo o que esta implica… a mais.

Foi precisamente a partir desta premissa que nasceu o movimento Dry January, ou Drynuary, como também é conhecido. De acordo com o Google Trends as pesquisas na Internet por estes termos começam a subir ao longo do mês de dezembro. Ambos tiveram um forte crescimento a partir de 2012, atingindo o ponto alto das pesquisas no final do ano de 2016, início de 2017. Atualmente, basta que escreva ‘Dry January’ no Google para realizar que pessoas (e os seus fígados zangados) espalhadas pelos quatro cantos do mundo decidiram não ingerir álcool, pelo menos ao longo destes primeiros 30 dias do ano. "Ter um ‘janeiro seco’ pode ser ótimo", comentou ao site Bustle a médica de família e professora associada da Escola de Medicina Osteopática da Universidade Rowan, Jennifer Caudle. "Para alguns, pode ser uma boa oportunidade para se re-alinhar após a agitada temporada das festas, enquanto, para outros, pode ser uma boa oportunidade para reavaliar os hábitos de bebida. Independentemente do motivo, abster-se de álcool agora (ou em outras épocas do ano) pode ser muito benéfico". É do senso comum algumas das vantagens de se permanecer "clean". Muito importante é frisar que, neste texto, dirigimos-nos apenas àquelas pessoas que tenham abusado de substâncias alcoólicas ao longo do mês de dezembro e não a quem sofra, realmente, de alcoolismo. Esse é um tema demasiado sério que deverá ser tratado com profissionais da área e que não será, com certeza, resolvido com a adesão a esta tendência.

Feita esta ressalva, quais são, afinal, as vantagens de um mês de abstinência de álcool? Eu não conhecia esta tendência, porém, devido a um retiro de yoga que faço praticamente todos os anos por esta altura, e que implica a mudança de hábitos alimentares no geral, abster-me de álcool durante um mês é, para mim, muito natural. E os efeitos são tão maravilhosos que me custa muito pouco fazê-lo. A primeira coisa que, por norma, sinto é a melhoria do sono. De acordo com o Positive Health Wellness, o sono melhora em 10% depois de um mês sem se beber álcool. Além disso, confirmam os especialistas, a vigília na manhã seguinte melhora em 9,5%, o que é outro bónus. "O álcool é conhecido por interromper o sono", confirma a médica Jennifer Caudle, no artigo publicado naquele site. "Um grande benefício [do Dry January] é a possibilidade de melhorar o sono. Embora o álcool nos possa fazer sentir sonolentos e prontos para ‘cair redondos na cama', o sono é, frequentemente, interrompido e de baixa qualidade quando há álcool envolvido. Uma outra grande benesse, e que promete deixar muitas mulheres felizes (e mais ricas já que poupam na cosmética), é a melhoria significativa da pele — principalmente para quem sofre de acne ou de rosácea. Pessoalmente, não padeço de problemas de pele, e também não sou consumidora de álcool por aí além — o meu Calcanhar de Aquiles é aquele copo de vinho ao jantar que, por vezes, acaba por escorregar para o segundo. Certo é que, apesar disso, noto sempre uma melhoria na minha pele, que fica mais lisa, mais limpa e significativamente mais luminosa — escusado seria dizer que a alimentação (hiper saudável) que pratico nestas alturas de detox também ajuda na equação. Jill S. Waibel, dermatologista certificada em Miami, explicou à Women's Health americana a relação entre o consumo de álcool e a saúde da pele: "O consumo de álcool é um dos gatilhos mais comuns para os surtos de rosácea, causando inflamação, vermelhidão e sensibilidade na pele". Esta dermatologista acrescentou que as bebidas açucaradas são ainda piores, já que consumir açúcar em excesso pode acelerar o envelhecimento da pele. Além disto, é comum que, ao não se estar a beber álcool, se aumente a ingestão de água, e esta (se ainda não sabe, deveria saber) é profundamente benéfica à derme. Uma outra regalia de se dizer não ao álcool — nem que seja temporariamente — é a clareza de pensamento com que se fica, imediatamente. Retirar esta substância do dia-a-dia torna a mente mais límpida e o pensamento mais nítido. Uma vez que janeiro é, por norma, o mês das resoluções, então que se definam as mesmas com a máxima perspicuidade possível. Além de todas as vantagens apontadas, enumeramos as mais óbvias — e não necessariamente menos importantes. Começamos pelo dinheiro que se poupa, principalmente numa saída à noite. Saiba que sim, é possível ter uma noite divertida mesmo que esta não seja regada a álcool. E não, não precisa de passar a noite a beber água — eu faço-o inúmeras vezes e sabe incrivelmente bem, principalmente o acordar no dia seguinte. Nos tempos que correm, é comum os bares e restaurantes terem, nas suas cartas, sugestões de cocktails deliciosos e que não contêm álcool (afinal, as grávidas também têm direito à vida). Além disso, há sempre as cervejas sem álcool e, ouvi  dizer recentemente por uma amiga que acabou de chegar da Suécia e que por lá experimentou, já existe também champagne sem álcool cujo sabor corresponde ipsis verbis ao champagne dito normal (ou seja, alcoólico). Por último, nunca é demais lembrar que a não ingestão de álcool pode sempre poupar-nos a algumas figuras tristes, bem como a certos arrependimentos daqueles que surgem no "day after". E, no que respeita esta ponto, acredito ser escusado alongar-me.

Conhecidas algumas das vantagens do Dry January (ou de qualquer mês em que decida ficar "a seco"), há um ponto que gostaria de sublinhar. Tal como referi acima, é comum eu passar um mês — ou três semanas que sejam — em que eu não toco numa gota de álcool. Este ano resolvi começar em janeiro, ainda que o meu retiro seja apenas lá para os finais de fevereiro. Porém, logo no dia três de janeiro um amigo raptou-me para o seu almoço de anos. Eu não estava a beber, mas na altura do brinde resolvi encher meio copo de vinho, brindar e beber sem culpa. E este é o tal ponto que gostaria de frisar: não se condene se escorregar ou se optar por trapacear a sua decisão. Acima de tudo, lembre-se de que esta é apenas uma decisão pessoal, e que o destino do mundo não depende do seu decreto. Não há problema nenhum em querer participar no brinde dos anos do seu melhor amigo, ou se resolver beber um — eu disse, um — gin tónico numa noite mais louca. Aproveite ao máximo e recomece o seu Dry January no dia seguinte. Saiba que, se permanecer "seco" por apenas 19 ou 27 dias no mês de janeiro, ainda ganha. Pesquisas da Universidade de Sussex, em Inglaterra, mostraram que os participantes do Dry Janeiro bebiam de forma mais consciente seis meses depois, independentemente de terem completado o mês, ou não. Assim, não há nada como "baby steps" e, lembre-se: o Dry January é quando um homem quiser, e não precisa de ser, necessariamente, no mês de janeiro. O seu corpo e a sua mente agradecem sempre e independentemente da altura do ano.

Saiba mais Jennifer Caudle, Dry January, Google Trends, saúde, álcool, saúde
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