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Como sobreviver — ou até sair com elegância — de um grupo de WhatsApp

Em tempos de virgens ofendidas, quem tem a coragem de sair de um grupo de WhatsApp sem constrangimentos é rei. Para os que não têm a mesma afoiteza, há alguns truques que podem ser aplicados e assim não desesperar com o histerismo emanado pelo símbolo verde.

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como-sair-de-um-grupo-de-what'spp Foto: Pexels
14 de agosto de 2020 | Pureza Fleming

Está longe de ser um first world problem. Contudo, e o Google está cá para o confirmar, é uma questão que incomoda muita gente: "Como sair de um grupo de WhatsApp discretamente? Como bloquear um grupo no WhatsApp?". Estas são algumas das questões colocadas àquele motor de pesquisa pelos usuários desta aplicação — sim, o nosso caro leitor não é o único utilizador de WhatsApp a deparar-se com este pequeno, porém delicado, empecilho que é estar pelos cabelos de certo(s) e determinado(s) grupo(s). Abandonar um grupo de WhatsApp sem ferir susceptibilidades — ainda mais em tempos de virgens ofendidas como estes que vivemos hoje— tornou-se num issue para muita gente. Pessoalmente, não olhava para o gesto de se sair de um grupo como uma demonstração de falta de educação ou como uma ausência de delicadeza, como tantos apontam. Mas a realidade é que já me aconteceu sair de um grupo no qual não me encontrava a fazer (no caso, a escrever) rigorosamente nada, e ser novamente adicionada pela administradora do grupo que se mostrou ofendida com o desplante da minha saída. E, garanto, tinha-o feito zelosamente, com aquela mensagem simpática de despedida — que é, aliás, uma das fórmulas chave para se sair de um grupo de uma maneira refinada. Comme il faut. Facto é que o papel do WhatsApp - aproximar as pessoas - é também uma perigosa arma: e se eu não quiser estar sempre perto das pessoas?

Sair sem sair

Antes da derradeira saída, há formas de se lidar com aqueles constantes, e tantas vezes azucrinantes, alertas no telemóvel. Por exemplo, por que não desativa as notificações daquela aplicação? Assim, só terá de encarar os grupos quando abrir, por opção sua, a aplicação. Ou quando decidir que tem vontade (e tempo e paciência e até vida) para ler as 350 mensagens não lidas — o livre arbítrio existe e está cá para o caro leitor o empregar. Também pode apenas ativar o modo mudo  (silenciar) disponível nas definições. Se nenhum dos dois funcionar, fale com o administrador e peça para ele o remover do grupo — se for este a fazê-lo os restantes membros do grupo não saberão que foi uma escolha sua, mas do administrador.

Saída "à francesa"

No dicionário informal, uma saída "à francesa" significa sair de fininho, furtivamente, em silêncio. É claro que na vida real este tipo de fuga é bem mais simples. Não existe nenhuma pessoa-notificação a avisar que "Fulano tal saiu", como se passa no WhatsApp. Mas há outras formas de magicar esta saída. Um bom timing para o fazer é aquele que acontece entre conversas contínuas, das tais em que todos escrevem ao mesmo tempo e em que são muitos os diálogos a decorrer. É precisamente entre estes que a sua fuga vai acontecer. É possível que um membro mais atento note a sua saída (e logo informe o restante grupo), mas também é possível que não. Boa sorte.

O grupo da família: sem escape possível

É aquele grupo em que a maioria de nós está, mas preferia não estar. Na verdade,  são aqueles grupos e não apenas um: é a família do lado do pai, a família do lado da mãe, a família mais próxima e aquele grupo de primos mais afastados que não se vê desde 1990, mas que faz toda a questão de… manter contacto. Não é que não gostemos dos nossos entes mais próximos e queridos, mas, com todo o respeito, a comunicação virtual entre parentes pode ser exaustiva — quanta informação desnecessária… Como escapar? Não há escape possível. É família, logo é para a vida toda.

O grupo do trabalho: não obrigada, chefe

É a pior ideia de todas. Uma das regras de ouro para a saúde mental de quem trabalha em escritório é deixar o trabalho à porta de casa. Um grupo de WhatsApp que inclua o seu chefe é o mesmo que o estar a levar para sua casa. Irá acabar a ler, em plena hora de ir dormir, as observações do seu superior relativamente à reunião do dia a seguir, e ficar ansioso e irrequieto. Não aceite isso. Para o tipo de informação passada fora do horário de trabalho existe o e-mail. Se o seu chefe insistir na sua presença no grupo lamente e diga-lhe que não tem WhatsApp por questões éticas — é que anda a tentar desligar-se do mundo digital.

O grupo do ginásio: quem não está in, está out

Os amigos do fitness são sempre grandes propulsores da atividade física. Ainda o sol não raiou, já pingam, no ecrã do seu telemóvel, um rol de fotografias dos corpos suados dos restantes membros do grupo, muito bem acompanhadas de emojis que transmitem a força e a determinação de quem não vacila. As participações dos membros deste grupo são sempre muito intensas, e é precisamente nesta curva que o seu escape pode acontecer: o seu silêncio e a sua inação vão transformá-lo numa espécie de "o elo mais fraco do grupo". Onde está o registo da sua motivação matinal? Que é feito da fotografia tirada ao espelho do ginásio? Não há? Pois prepare-se para ser convidado a sair do grupo. É que na comunidade do fitness não há espaço para preguiçosos. Que pena, dirá.

O grupo dos pais: não abra sequer essa janela

Se é do tipo de encarregado de educação galinha, este grupo é perfeito para si. Mas se lhe bastam as reuniões de pais, na escola, para trocar algumas impressões com os outros pais, então não se atreva sequer a ponderar entrar num grupo destes. Porque se entrar e logo se arrepender, é possível que ganhe o título de "mãe ou pai desnaturada/o do ano lectivo". Se ainda assim entrar, tem duas formas de tolerar a sua escolha: primeiro, lembre-se que não é para sempre. Eventualmente os miúdos crescem e não precisará de andar a controlar os seus estudos juntamente com os outros pais. A segunda hipótese de fuga poder-se-á dar assim que o seu filho mudar de escola. Quando mudar. Se mudar.

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