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Como fazer sexo pelo telefone

A distância faz o coração ficar mais excitado, por isso pedimos a uma especialista para nos ajudar a fazer a próxima chamada.

07 de novembro de 2019 | Aline Fernandez

O sexting, a troca de mensagens de texto sexualmente apelativas, é cada vez mais comum. Naquela tarde em que está mais excitado ou depois de uns dias longe da parceira ou parceiro – hoje, já não são precisas  desculpas para conversas mais quentes. Mas se houver timings e energias diferentes, o tempo de espera pela resposta de cada um pode tornar tudo menos empolgante. Por isso, o imediatismo de uma ligação telefónica permite uma troca muito mais natural.

Ouvir a voz de alguém, principalmente a sua respiração, torna a brincadeira muito mais íntima. O que poder correr mal? Por telefone não há tempo para pensar e repensar melhor do que quando escreve mensagens – o que pode ser bom, dependendo do ponto de vista. A pensar em que ainda fica um pouco desconfortável ao iniciar o sexo por telefone, falámos com uma sexóloga para reunir algumas informações que irão ajudá-lo a saber como fazê-lo.

Drew Barrymore e Justin Long em 'Adoro-te... à Distância' (2010) | New Line Productions
Drew Barrymore e Justin Long em 'Adoro-te... à Distância' (2010) | New Line Productions Foto: New Line Productions

Envie uma mensagem de texto primeiro. Não é preciso planear com semanas de antecedência, mas mandar mensagens atrevidas acompanhadas ou não por fotografias antes da chamada em si é um bom prelúdio. Isso garante que os dois estão disponíveis. Comece com o sexting e avance para: "Eu quero ouvir a tua voz". "Os desejos da pessoa têm de ficar explícitos. Deixar a intenção bem clara é importante", pontua Joana Almeida, psicóloga da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica.

Abra a mente para algo novo. Assim como o sexo para iniciantes, o sexo por telefone começará com momentos de constrangimento, principalmente enquanto ainda se procura ajustar o tempo para as duas pessoas ficarem excitadas na mesma velocidade. Aceite a estranheza, ria dos momentos desconfortáveis (mas não muito) e esteja disposto a sentir-se um pouco tonto antes de se sentir realmente sexy.

Não force as situações nem tente soar como uma estrela porno. Personagens, fantasias sexuais e palavras demasiado dirty não são para iniciantes. O primeiro passo é mais fácil com duas pessoas distantes uma da outra, que sejam estimulantes, ou que até levem à masturbação ao mesmo tempo, claro que descrevendo o que estão a fazer uma à outra. Não é preciso começar no segundo nível. "As pessoas podem aproveitar para conseguir explorar práticas e maneiras de dar e fazer numa relação já a dois. A ligação por telefone pode ser o meio de pedir coisas, ensaiar e introduzir temas de que não se tem coragem de introduzir ao vivo", sugere Joana Almeida, alertando para a importância de não seguir estes passos como receitas perfeitas de um bolo. "Este é o problema. O que podemos fazer é explorar o erotismo, como na literatura e no cinema, que usam esta arte com muita imaginação."

Os preliminares também funcionam por telefone. Da mesma maneira que acontece com o bom sexo regular, é preciso haver um aquecimento. Ligar para alguém, fazer alguns gemidos, falar em sexo e desligar é estranho. Demonstre que quer a presença física da pessoa para que a mesma se sinta desejada. "Eu gostaria de estar contigo para…" ou "eu gostaria que estivesse aqui a fazer…" O mais fácil será começar por verbalizar cenas que normalmente fazem juntos na cama. "Tal como o sexo ao vivo não é preciso ter pressa. Aproveite o caminho e não pense só no destino", sugere Joana Almeida.

Solte o seu lado mais selvagem. Com as ligações a tornaram-se mais contantes, aproveite para encenar fantasias que nunca tentaria na vida real por qualquer motivo – tempo, logística, financeiro, emocional ou simplesmente timidez. O não olhar nos olhos, às vezes, faz com que se sintam mais livres para dizer o que realmente desejam. O sexo por telefone pode ser o momento para viver outras realidades.

Há sempre limites. Nunca se esqueça de agir dentro dos limites do que a sua parceira ou parceiro acha confortável. Conversem sobre esses mesmos limites e, quando alguém deixar claro que uma determinada atitude ou situação não é tolerável, compreenda e respeite. Aproveite para descobrir o que talvez não seria "executável" pessoalmente, mas que pode ser excitante por telefone. É bom desafiar os limites com criatividade, mas não ultrapassá-los. "O próprio também pode dizer quais são os seus", lembra Joana. Não é porque iniciou uma ligação que está disposto a tudo.

Inspire-se. Finalmente, o sexo por telefone será ainda melhor se as sugestões e descrições forem bem precisas e detalhadas. Deixe a imaginação correr e saiba como comunicá-la da melhor maneira. "Inspire-se na arte, no erotismo, no cinema... Muitas vezes o que falta às pessoas é técnica", acrescenta Joana. A sexóloga reforça também os benefícios de uma boa leitura sobre o tema. "Muita gente não gosta de ler, prefere ver vídeos, mas há livros muito interessantes sobre a prática sexual, que ensinam como tocar no parceiro", exemplifica. Note que não há problema algum com a pornografia. "Vejam boa pornografia, coisas variadas e interessantes. Pornografia amadora pode ensinar menos e limitar a mente, mais do que abrir horizontes", remata a psicóloga.

Saiba mais sexo, telefone, sexting, Joana Almeida, Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica
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