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Como dar a festa perfeita

A actriz Mae West disse com a sua lendária irreverência: “Eu não sei muito sobre política, mas consigo reconhecer um bom party man quando o vejo.” Saiba, então, como tornar-se o perfeito anfitrião e organizar uma festa de sucesso.

Foto: Getty Images
17 de dezembro de 2019 | Carolina Carvalho

"A minha mãe viu-me fazer 70 anos, claro. E ouviram-na dizer que 70 é exactamente a idade em que o número de velas no bolo finalmente excede a quantidade de fôlego que uma pessoa tem para as apagar." Foi o que disse, com o humor que se lhe reconhece, a rainha Isabel II no brinde que dedicou ao filho na festa do 70.º aniversário do príncipe Carlos, em novembro de 2018. Quereria Sua Majestade dizer (do alto dos seus vigorosos 93 anos) que 70 é a idade em que se entra na velhice? Se assim for, há que aproveitar em pleno até lá chegar e, como a época até é de festas, porque não organizar uma? Não revire os olhos e continue a ler. Nós damos-lhe uma ajuda. No livro Be R Guest – How to "Party" Chic, da editora Assouline, a autora, Rena Kirdar (uma licenciada de Oxford e mestre pela Universidade de Columbia em assuntos internacionais), que já organizou várias festas para instituições em Nova Iorque - como por exemplo, para o New York City Ballet - explica, ao longo de mais de 180 páginas, como organizar uma festa até ao mais ínfimo pormenor e com muitas sugestões. Tudo começa com as 10 razões para dar uma festa: 1.ª) É o aniversário de alguém; 2.ª) Para combater o movimento anti-social; 3.ª) Para dar as boas-vindas a um amigo; 4.ª) Para animar uma nova estação do ano (ou para celebrar uma quadra festiva); 5.ª) Porque tem um novo serviço de porcelana que quer exibir; 6.ª) Para avivar um romance; 7.ª) Por motivos de carreira; 8.ª) Porque se sente feliz; 9.ª) Porque está triste; 10.ª) Porque todos precisamos de nos divertir mais. Enquanto reflecte sobre qual destes motivos deve ser o seu ponto de partida, avancemos para as questões práticas.

A "velha história" que a organização de festas, seja em casa ou fora dela, é coisa para as mulheres não corresponde à verdade e é uma atitude machista. A arte de bem receber não tem distinção de sexos. Avancemos.

Marie Antoinette (2006)
Marie Antoinette (2006) Foto: IMDB

O TEMA. Primeiro é necessário escolher a inspiração da festa que vai influenciar tudo. Quando uma pessoa tem uma personalidade forte e uma vida bem recheada pode dar-se ao luxo de fazer uma festa sobre si próprio, como fez Elton John para celebrar o 70.º aniversário, em março de 2017. Derek Blasberg, um dos convidados daquele evento que aconteceu nos Red Studios, em Los Angeles, descreve num artigo publicado na Vanity Fair online que a festa estava cheia de referências à carreira e vida do aniversariante e até reflectiu o lado solidário do músico. Como este não é o caso dos comuns mortais, o melhor é escolher um tema que seja popular e bem conhecido pelos seus convidados. Filmes, estilos musicais e movimentos da cultura popular resultam bem (disco, grunge, anos 60 ou 80…) ou até uma festa de imitações que lhe permita recriar a sua celebridade favorita. Nos dias de hoje, personagens literárias e enigmas podem desmotivar os seus convidados. E atenção! Seja bem explícito em relação ao tema e à sua abordagem quando fizer o convite. Pode achar que escolheu apenas uma inspiração para a decoração da mesa e para o menu e, de repente, aparecem dois convidados mascarados que interpretaram o tema em demasia. Pode resultar num motivo de diversão para toda a noite ou em longas horas de constrangimento. Não corra o risco.

A LISTA. Passemos à parte de redigir a lista de convidados. Não precisa de se recostar no cadeirão junto à janela e refletir sobre o grupo de pessoas que gostaria de juntar numa tertúlia. Os tempos mudaram e aproveite o que eles trouxeram para melhorar as nossas vidas, ou seja, as tecnologias e a descontração. Para o Black and White Ball, a mítica festa que Truman Capote deu a 28 de novembro de 1966 no Plaza Hotel, em Nova Iorque, o escritor redigiu uma guest list com as 500 pessoas que ele considerava serem as mais famosas do mundo. Marlene Dietrich, Lee Radziwill, Frank Sinatra e Mia Farrow, os Agnelli, os Rockefellers, os Niarchos, os duques de Windsor e membros do clã Kennedy foram alguns dos convidados de uma noite que juntou a nata da sociedade americana e europeia e da qual ainda hoje se contam histórias. Embora ainda em abril do ano passado o príncipe Pavlos da Grécia e a filha, Marie-Olimpya, tenham partilhado uma festa de aniversário memorável sob o tema Revolução que reuniu celebridades e realeza na propriedade da família, em Gloucestershire, é cada vez mais raro nos dias que correm reunir a elite de diferentes áreas num evento privado. Porque escolher uns convidados implica excluir outros, a lista é muito importante e não se esqueça que está a juntar um grupo de pessoas para um momento de convívio. A diversidade dos convidados traz a riqueza da partilha, mas a proximidade de um grupo pequeno proporciona intimidade. Foi por um descontraído grupo de amigos que Amal Clooney optou na festa de aniversário surpresa que organizou para celebrar os 56 anos do marido, em maio de 2017. Talvez por isso George Clooney não tenha achado estranho chegar à sua casa, em Londres, e encontrar o casal Cindy Crawford e Rande Gerber a tratar do jardim. Just another saturday afternoon…

OS CONVITES. Chega a altura de enviar os convites. Segundo a casa Debrett’s, especialista em etiqueta britânica desde 1769 (cujo site vale a pena conhecer e com inúmeros livros e manuais publicados), os convites devem ser enviados o mais cedo possível. Para o Black & White Ball, de Truman Capote, os convites partiram, exactamente, sete meses antes da data da festa. É muito importante que os convites reflitam a formalidade ou informalidade do evento e, claro, os convites têm de ser originais, mas não ao ponto de se autodestruírem em cinco segundos, como uma mensagem da saga Missão Impossível.

O DRESS CODE. Isto é importante, embora pareça uma questão indiferente numa altura em que os sapatos de ténis são calçado para toda a ocasião, em que as peles são consideradas um atentado à vida e em que ir diretamente do trabalho para o evento é considerado cool. Mas para quem leva a sério a adequação do look à festa é preciso saber se uma camisa branca com um blazer são suficientes ou se é necessário testar o casaco de veludo com o laço para ter a certeza que bate certo. Se o tema da festa exigir roupa a condizer, é necessário mais alguma dedicação, mas valerá a pena. O Carnaval já não é para os adultos e o Halloween ainda não está enraizado na nossa cultura e, por isso, uma oportunidade para se mascarar entre amigos tem tudo para ser divertida.

O QUE SERVIR. Não se esqueça de pensar no que vai servir aos seus convidados. Como aconselhou Somerset Maugham: "Num jantar, uma pessoa deve comer sabiamente, mas não demasiado bem, e falar bem, mas não demasiado sabiamente." Segundo a Debrett’s, deve-se sempre oferecer uma bebida aos convidados quando estes chegam, mas as opções de menu são infinitas desde que primam pelo equilíbrio e pelo bom gosto e não têm de ter assinatura de um chef. Por exemplo, no casamento do príncipe Harry com Meghan Markle, celebrado em Windsor, houve bancas para hambúrgueres e para algodão doce. E, já agora, aqui fica o aviso: se está a pensar dar uma festa com jantar, fique a saber que sentar os convidados à mesa tem uma lista de regras, mas resumimos-lhe informando que definir previamente os lugares pode ser demasiado formal. No entanto, se optar por deixar os convidados sentarem-se à vontade, certifique-se que os casais ficam separados.

O Grande Gatsby (2013)
O Grande Gatsby (2013) Foto: D.R.

O LOCAL. Muito do que se vai passar numa festa depende do sítio onde ela irá acontecer. Talvez o local mais provável de ser o eleito para a sua festa seja a sua própria casa e cabe ao anfitrião deitar mãos à obra para tornar o espaço acolhedor para os convidados.

O ENTRETENIMENTO. Quanto ao modo de entreter os convidados, saiba que nunca pode deixar que alguém fique isolado. Promova as conversas entre convidados e lembre-se que bem receber é uma arte e, por isso, não é suposto que alguém se sinta mal numa festa para a qual foi convidado. Se achar necessário recorrer a jogos, esqueça o Twister e lembre-se que o Questionário de Proust nasceu como um jogo para entreter os convidados de Antoinette Faure, filha do presidente francês Félix Faure, no século XIX. Um pouco de comédia fica sempre bem e dentro do protocolo.

A MÚSICA. O que se deve ouvir numa festa é um dos fatores determinantes e a escolha da playlist não é fácil. A aposta segura irá sempre para as músicas que toda a gente conhece, suficientemente animadas para fazer mexer o corpo, mas adequadas ao ambiente para não tornar uma conversa numa gritaria. Se, por acaso, o propósito da festa for dançar, o caso muda de figura. Dê volume às colunas e deixe os vizinhos saberem que está a acontecer uma festa. Se só se ouvirem passos, risos e cadeiras a arrastar pode muito bem parecer um clube de leitura. Para ser boa, uma festa não tem de ser falada (e já agora nem "postada" e não estranhe se alguma vez lhe pedirem para não tocar no telemóvel durante a festa). A história prova-nos que a exclusividade é, provavelmente, a alma deste negócio.

 

 

 

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