O milagre do ano que mudou o Pico
Fruto da histórica colheita de 1998 nas vinhas da UNESCO no Pico, este licoroso raro de 750 euros alia a força vulcânica a décadas de estágio para afirmar a excelência dos Açores.
São uvas provenientes da Criação Velha na Ilha do Pico, de vinhas classificadas como património mundial da UNESCO, que dão origem a este vinho licoroso. De um ano, 1998, que o enólogo Bernardo Cabral recorda como “muito difícil”, mas também como “o ano do milagre”. Refere que na Cooperativa do Pico, além “dos tempos difíceis relacionados com a economia local e performance do setor, houve uma expressiva quebra de produção nas vinhas”. Porém, “foi a qualidade excecional dos vinhos dessa colheita que voltou a trazer a esperança a todos os picarotos”.
Já sobre o panorama atual, Bernardo Cabral garante estarem “a passar uma fase muito boa, quer de reconhecimento quer de procura”. Sabendo, acrescenta ainda, “que são vinhos que, em média, têm preços mais elevados do que a média dos restantes vinhos portugueses, há um reconhecimento da diferenciação e da qualidade que sustentam a argumentação”. Salienta ainda que o nível reputacional cada vez mais elevado dos vinhos da ilha do Pico “tem ajudado os produtores e a premiar justamente os viticultores”, que classifica como “os verdadeiros heróis”. O responsável justifica o posicionamento de preço “pela excecional qualidade e pela raridade do vinho que é”, neste caso com um valor de 750 euros.
Bernardo Cabral diz que “cada região de licorosos tem o seu estilo e forma de fazer e, também o Pico tem o seu”. Refere que as condições onde as uvas nascem e amadurecem são únicas no mundo, uma vez que “o impacto do caráter vulcânico é evidente bem como a proximidade ao mar e, esta combinação, não se encontra em mais lugar nenhum”.
A vindima das uvas para os licorosos é a última a ser feita, normalmente no final de setembro. As uvas são prensadas, neste caso, com pressões mais elevadas do que nos restantes vinhos brancos, e a fermentação é feita com leveduras indígenas e ocorre com borras totais em ambiente oxidativo. O enólogo explica que, se no final o teor alcoólico não for atingido, corrigem com aguardente vínica e passam o vinho para pipas de carvalho antigas de 600 litros onde o vinho estagia durante décadas, até atingir o seu estado mais maduro. Conclui que “a prova é francamente impressionante conseguindo reunir caraterísticas vulcânicas, atlânticas e a que se junta o atributo do tempo pelo longo estágio que fez.
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