Vitra Design Museum celebra centenário de Verner Panton
A exposição 'Verner Panton. Form, Colour, Space' presta homenagem ao mais colorido e vanguardista dos designers escandinavos. A sua criação mais famosa, a 'Panton Chair', era tão revolucionária que foi preciso uma década para a tirar do papel. Dizer que Panton era um homem à frente do seu tempo é um eufemismo.
Mesmo que nunca tenha ouvido o nome deste designer dinamarquês, um dos mais inovadores e influentes do século XX, conhece, certamente, a sua criação mais famosa: a Panton Chair. Mesmo que também não saiba que é assim que ela se chama, é quase impossível que nunca se tenha cruzado com ela. Foi a primeira cadeira alguma vez desenhada sem pernas traseiras nem estrutura metálica, e feita a partir de uma peça única de plástico moldado. Era tão revolucionária que demorou mais de dez anos a sair do papel – a tecnologia para a construir ainda não existia. Hoje é considerada um ícone absoluto do design moderno e faz parte das coleções permanentes de vários museus.
Verner Panton é também conhecido pelo uso arrojado da cor, pelas formas orgânicas e futuristas e pela experimentação com novos materiais. Embora tenha pertencido à geração de designers escandinavos, o seu trabalho distingue-se bastante do minimalismo em madeira clara associado a figuras como Hans J. Wegner ou Arne Jacobsen. No ano em que se celebra o centenário do seu nascimento, o Vitra Design Museum, em Weil, na Alemanha, faz-lhe uma justa homenagem com a exposição Verner Panton. Form, Colour, Space, que pode ser visitada até 9 de maio de 2027.
A famosa Panton Chair entrou em produção em 1967, com a colaboração da Vitra – empresa suíça de mobiliário e design, fundada em 1950 por Willi Fehlbaum e Erika Fehlbaum. Mas não era só o mobiliário que entusiasmava Verner. Para além de objectos, este dinamarquês também idealizou espaços. Gostava particularmente de criar ambientes completos, onde arquitetura, mobiliário, iluminação, tecidos e cores formavam uma experiência imersiva. Nos anos 60 e 70 projetou interiores que pareciam saídos de um filme de ficção científica, com salas completamente vermelhas, roxas ou laranja, superfícies curvas, paredes estofadas, iluminação indireta e padrões geométricos repetitivos. Um dos exemplos mais célebres foi a instalação Visiona, criada para uma exposição realizada num barco ancorado em Colónia, na Alemanha. Esses interiores continuam a parecer surpreendentemente contemporâneos.
Contrariamente à cultura escandinava, que privilegia os tons neutros, Verner Panton preferia a policromia e costumava dizer que "a maioria das pessoas vive com medo da cor" e, apesar de ter morrido em 1998, isto continua a ser verdade. Panton, porém, não tinha medo de usar vermelho intenso, laranja, púrpura, azul elétrico e combinações psicadélicas de cores complementares. A sua abordagem foi muito influenciada pela cultura pop, pela corrida espacial e pela estética dos anos 60.
É esta visão que o Vitra Design Museum pretende recordar e celebrar. Uma visão que, mesmo 37 anos depois da morte do designer, continua a parecer moderna. Panton, de resto, tinha preocupações muito atuais. Defendia, por exemplo, que o ambiente em que vivemos influencia diretamente a forma como nos sentimos. Em vez de pensar numa cadeira isoladamente, imaginava o espaço inteiro como uma experiência sensorial, em que forma, luz, textura e cor trabalham em conjunto.
A exposição Verner Panton. Form, Colour, Space desvenda a obra de Panton em toda a sua amplitude. Na apresentação desta mostra pode ler-se que “as peças expostas estão integradas numa cenografia que remete para os espaços imersivos de Panton: uma fita colorida percorre todo o Schaudepot [um dos edifícios do museu], transportando os visitantes para um mundo de inspiração Panton, marcado por escalas cromáticas. Todos os objetos fazem parte do Arquivo Verner Panton do Vitra Design Museum, que inclui mobiliário, protótipos, experiências e maquetes, bem como mais de 40.000 documentos, entre os quais cerca de 20.000 planos e desenhos. Recorrendo a esta fonte única, a exposição apresenta obras de todos os períodos criativos, oferecendo uma visão sem precedentes da obra do designer”.
O visitante terá oportunidade de ver de perto peças icónicas como a Panton Chair, mas também a Cone Chair e o candeeiro Flowerpot, paisagens habitacionais visionárias, bem como projetos de mobiliário e arquitetura raramente exibidos. A exposição conta ainda com uma reconstrução da Fantasy Landscape (1970, edição 1/8, ou seja, a instalação apresentada é uma reconstrução autorizada, produzida numa edição limitada de oito exemplares), que convida os visitantes a mergulharem nos mundos escultóricos e saturados de cor de Panton.
De resto, esta parte da exposição é uma das obras mais emblemáticas do designer e corresponde a uma instalação imersiva ou paisagem habitável ("living landscape"). Criada em 1970 para a exposição Visiona II, em Colónia, a Fantasy Landscape foi concebida por Panton em colaboração com a empresa Bayer para demonstrar o potencial dos novos materiais sintéticos. Em vez de uma sala com cadeiras, sofás e mesas, Panton criou um ambiente onde o chão se transforma em assentos e plataformas e onde as paredes parecem prolongar-se em formas orgânicas. Tudo está revestido por tecidos e espumas coloridas e o visitante pode sentar-se, deitar-se ou circular livremente (um paraíso para quem tem crianças pequenas). O objetivo era romper com a ideia tradicional de divisão entre mobiliário e arquitetura. A Fantasy Landscape é considerada uma das expressões máximas da ideia de "obra de arte total" (Gesamtkunstwerk), em que arquitetura, mobiliário, iluminação, cor e materiais formam uma única experiência sensorial.
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