Prazeres / Artes

Barbeiro, esteta, artista. Variações segundo a sua agente, fotógrafa e amiga

Há um novo livro-álbum que recorda o melhor do artista de É P’ra Amanhã ou Estou Além, no qual Teresa Couto Pinto reúne 150 fotografias inéditas, captadas nos gloriosos anos 80.

Foto: Teresa Couto Pinto
23 de outubro de 2020 | Rita Silva Avelar

Como manter o legado de António Variações vivo? A sonoridade que o artista português nos deixou fala por si, mas têm sido inúmeras, dentro da música e da literatura, as iniciativas que o imortalizam. O novo livro-álbum que Teresa Couto Pinto lança, com texto e prefácio de Manuela Gonzaga, não é apenas mais um. É o seu.

Fotógrafa, agente e sobretudo amiga confidente de Variações, Teresa Couto Pinto decidiu revelar ao mundo 150 fotografias que homenageiam o seu amigo, que nos deixou cedo, com 39 anos. "Queria que esta obra falasse sobretudo do verdadeiro António, o meu amigo, poeta, cantor e compositor talentoso e não o resumisse ao que durante anos foi motivo de conversa sobre ele. O seu desaparecimento e a doença que o vitimou" conta, acrescentando que "estas fotografias viajaram comigo a vida inteira desde os anos oitenta. Durante estes 36 anos revi-as centenas de vezes em várias situações. Na cedência de muitas delas para ilustrar artigos sobre o António, mas também na ilegal e abusiva utilização das mesmas tanto na imprensa como na internet, sem os devidos créditos ou autorização para publicação. Olhá-las traz-me com certeza lembranças daquela época. De um tempo feliz e despreocupado, em que a vida era empolgante e promissora."

Livro-álbum Variações, por Teresa Couto Pinto e Manuela Gonzaga.
Livro-álbum Variações, por Teresa Couto Pinto e Manuela Gonzaga.

Teresa e António conheceram-se na loja Parafernália na Rua Castilho, onde Teresa trabalhava, em finais de 1978, e quando António era ainda cabeleireiro. Tornaram-se amigos. "Não sou uma pessoa saudosista, mas os anos 80 foram uma época muito importante para quem os viveu. Foram os anos do despertar de uma democracia há muito desejada após anos de repressão e cinzentismo. Naquela altura acreditávamos que tudo ia mudar, que havia espaço para a criatividade e para a liberdade de expressão, que tudo era possível e que a vida não tinha limites" evoca, sobre o fascínio que parece ser coerente sempre que falamos da geração que viveu em pleno esta década.

Teresa Couto Pinto e António Variações.
Teresa Couto Pinto e António Variações. Foto: Teresa Couto Pinto

Porquê um LP? Explica que a ideia surgiu assim que pensou no livro. "O António faleceu na altura em que saiu o seu último trabalho "Dar & Receber". Não teve oportunidade de promover o disco. Naquela época essas promoções faziam-se através da rádio e da televisão e nos múltiplos concertos inseridos em festas populares que se realizavam por todo o país. Os telediscos eram feitos em película, movimentavam equipes inteiras de filmagens. Não havia os recursos que há agora. A internet não existia ainda e por isso chegar ao público em geral era mais demorado."

No fundo, com esta homenagem, Teresa quer recordar Variações como este genuinamente era, e o que o tornava diferente de qualquer outra pessoa ou artista. "O seu carisma, único e inimitável. A criatividade e a estética que o tornaram tão especial. A plasticidade do seu ser. A honestidade e generosidade que o caracterizaram" evoca, acrescentando que "a mensagem que deixou ao mundo nas letras das suas canções e sobretudo na verdade do lema com que regeu a sua vida: "Dar & Receber". Um legado precioso que precisamos de cuidar, acarinhar e ajudar a perpetuar para inspiração e conhecimento das gerações vindouras, e que o António já provou não ter prazo de validade."

Saiba mais Teresa Couto Pinto, António Variações, Manuela Gonzaga, Barbeiro, Artista, Disco, Livro
Relacionadas

Veja o videoclipe da música do novo 007

Billie Eilish dá voz à música oficial do novo '007: Sem Tempo Para Morrer' e o videoclipe já está disponível. Este é o 25.º filme da saga James Bond, que estreia a 19 de novembro nos cinemas.

Como dar a festa perfeita

A actriz Mae West disse com a sua lendária irreverência: “Eu não sei muito sobre política, mas consigo reconhecer um bom party man quando o vejo.” Saiba, então, como tornar-se o perfeito anfitrião e organizar uma festa de sucesso.

Mais Lidas
Futebol Maradona: o triunfo de um homem comum

Astro, deus, génio, os adjetivos nunca farão justiça ao que foi a carreira e a vida de El Pibe. Maradona, o último grande herói do futebol romântico, morreu ontem, na sua Buenos Aires, aos 60 anos. Deixa um legado próprio de ícone pop, mais do que de artista dos relvados.

Artes Ralph Lauren, o designer que construiu um império

Desengane-se quem pensa que Ralph Lauren é apenas um designer de moda. Arquiteto de um império, colecionador de carros clássicos, ícone do estilo e do sonho americano são traços que fazem dele uma personalidade incontornável do século XX e da atualidade. Prestamos-lhe homenagem na boleia da celebração dos 50 anos da sua marca e do seu talento.