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As 5 tendências de viagem para 2020

Das escolhas dos destinos aos transportes, o ano que aí vem pede sugestões sustentáveis e cada vez mais amigas do ambiente. Mas há mais, muito mais!

Foto: Unsplash
03 de dezembro de 2019 | Marta Vieira

O top de tendências de viagem para a década que se avizinha é imenso. Fala-se em turismo espacial, em cruzeiros hipsters, em voos de luxo, na ausência de dinheiro físico e, claro na personalização, sempre a personalização. No entanto, à luz do paradigma atual de urgência climática e consequente consciencialização ecológica mas também social, elaborámos uma lista que consideramos mais proeminente – e down to earth – daquelas que serão as opções de jornada mais verdes para o viajante do ano 2020.

1. Transportes mais ecológicos
O ecoturismo ou turismo ecológico define-se como o setor que pretende aliar a indústria turística à ecologia, através de atividades turísticas sustentáveis, que promovam um equilíbrio no meio ambiente. A consciencialização massificada para a questão ambiental nunca foi tão proeminente e milhões de jovens – já ouviu falar de Greta Thunberg? – e graúdos estão, no mínimo, atentos. Organizar uma viagem passa agora por ter o planeta em consideração. Assim, planear, vivenciar e repetir a expedição, se desejável, tornou-se atualmente um processo muito mais criterioso aos olhos do viajante. Da mesma forma, companhias aéreas, empresas de aluguer de automóveis, operadoras turísticas, hotéis e outras formas de alojamento, restaurantes e, basicamente, todo o tipo de empresas ligadas à industria estão a adaptar-se a esta tendência, que só aumentará no futuro. A oferta e a procura unem-se assim em esforços conjuntos para encontrar soluções mais queridas ao ambiente.
A aviação constitui um dos setores mais poluentes da indústria dos transportes, sendo emissora de enormes quantidades de CO2. Agora surge a expressão sueca 'flygskam' que se traduz em 'flight shame'
A aviação constitui um dos setores mais poluentes da indústria dos transportes, sendo emissora de enormes quantidades de CO2. Agora surge a expressão sueca 'flygskam' que se traduz em 'flight shame' Foto: Unsplash

2. V de Vegan
O mundo está a mudar os seus hábitos alimentares e de consumo em geral. O veganismo foi o tópico mais popular de 2019, segundo o The Economist que o denominou mesmo de O Ano do Vegan. Já a revista Forbes fala numa massificação de um estilo de vida plant based como nunca antes se observou. Esta explosão puramente vegetal atingiu, naturalmente, as ofertas aos turistas e viajantes. Opções vegan em menus já não são novidade em cafés, restaurantes e hotéis. Estes espaços e experiências querem-se antes verdes de uma forma mais holística, onde dormir em edredões de lã, seda ou penas não é opção. O cliente emergente não almeja só a ausência de carne, peixe, ou produtos animais, na verdade, quer-se igualmente um menor desperdício, um menu mais ético e, no fundo, um comércio mais justo.
De acordo com a Vegan Society se todas as pessoas do mundo deixassem de consumir carne até 2050, seria possível salvar 8 milhões de vidas humanas e reduzir os gases de efeito de estufa em dois terços
De acordo com a Vegan Society se todas as pessoas do mundo deixassem de consumir carne até 2050, seria possível salvar 8 milhões de vidas humanas e reduzir os gases de efeito de estufa em dois terços Foto: Unsplash
3. Opções B
O overtourism coloca um desafio imenso à indústria que o comporta e na prática torna-se insustentável quer para o comum turista – recorda-se da última vez que conseguiu ver a Mona Lisa para lá de um aglomerado de selfies? Ou mesmo passear sem percalços na baixa pombalina? – quer para as infraestruturas das metrópoles que o acolhem e claro, sem falar no impacto ambiental decorrente. Em resposta a esta dificuldade surge o que o Booking denominou da ascensão do Viajante de Segunda Cidade. Segundo o conhecido site agregador de tarifas de viagens, cerca de metade dos viajantes a nível mundial deseja ser um participante ativo na redução deste excesso de turismo, pelo que a mesma percentagem aproximadamente revela que substituiria o seu destino de eleição por outro alternativo menos conhecido, com propósitos ecológicos em mente. Coimbra, Málaga, Lille ou Antuérpia: atreve-se?
A cidade de Lille, em França
A cidade de Lille, em França Foto: Unsplash
4. In Loco
No seguimento da terceira tendência, a verdade é que a novidade não se quer só em segundas cidades, mas mais além, em destinos improváveis, rotas inovadoras e atrações distintas em oposição aos locais de sempre, os quais, aliás, conseguimos nomear de cor. Por sua vez, o viajante moderno quer imergir por completo na experiência local. Quer testemunhar paisagens e conhecer lugares menos acessíveis; quer provar os produtos locais com ingredientes orgânicos e as frutas colhidas na estação; quer participar nas tradições da terra e interessar-se pelos residentes locais. Estes, aliás, desempenham um papel único, pois é através da sua palavra enquanto guias informais que o viajante dominará a região onde se encontra. Longe vão os tempos das viagens integrais planeadas em agência, onde os turistas eram remetidos para um resort, pulseira com direito a tudo – mas sem grandes novidades – e onde interagiam sobretudo com as pessoas do seu grupo. Quer-se tudo fora da caixa, portanto.
A população local de Kargi, uma cidade remota no leste do Quénia
A população local de Kargi, uma cidade remota no leste do Quénia Foto: Unsplash
5. Viajar pelo bem
Outra das tendências de viagem que sem dúvida integra o catálogo de 2020 prende-se, muito em linha com as já citadas, na ideia de que uma viagem pode ser uma experiência transformadora. Não só com o próprio, mas através do contacto com o outro, seja em projetos de sustentabilidade, contributo social ou promoção da economia local. Tudo isto, claro, num ambiente de entreajuda e numa troca constante de aprendizagens, valores, ideias e ideais. Muitas pessoas sentem que para fazerem a diferença é importante saírem da sua zona de conforto e algumas decidem mesmo tirar férias para isso ou fazer uma pausa na carreira. Viajar para fazer o bem, seja num santuário de conservação de elefantes na Tailândia, numa escola em Moçambique ou a limpar uma praia na Indonésia nunca fez tanto sentido. Já existem, inclusivamente, plataformas criadas para permitir intercâmbios culturais deste tipo, com vantagens para todos os participantes envolvidos.
As ações de trabalho voluntário podem acontecer nos mais variados contextos
As ações de trabalho voluntário podem acontecer nos mais variados contextos Foto: Unsplash
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