Vincent Cassel: "Continuo a trabalhar nas minhas personagens mesmo quando estou a dormir"
O ator francês é o novo embaixador da MANGO Man e fala com a Must sobre uma ideia de estilo intemporal, instintivo e fiel à personalidade de quem o assume.
Há figuras que não precisam de se esforçar para marcar presença. Vincent Cassel é uma delas. Com uma carreira construída entre personagens intensas, escolhas inesperadas e uma identidade muito própria, o ator francês tornou-se sinónimo de uma elegância tão instintiva quanto segura. É precisamente essa atitude que o aproxima agora da Mango Man, que o escolheu como novo embaixador e rosto da coleção Essentials - uma proposta de básicos intemporais pensados para acompanhar diferentes momentos, estilos e versões de um mesmo homem. A propósito desta colaboração, falámos com Cassel sobre estilo, autenticidade e a importância de permanecer fiel a si próprio.
A campanha assenta na ideia “Craft Your Own Story” [constrói a tua própria história]. De que forma se identifica pessoalmente com este conceito?
Identifico-me muito com esta ideia porque acredito que, em última análise, somos responsáveis pelo nosso próprio caminho. Cada escolha que fazemos ao longo da carreira, enquanto atores, molda o nosso percurso, e a única coisa que podemos realmente controlar é se dizemos sim ou não às oportunidades que vão surgindo. Para mim, trata-se de ter clareza sobre os motivos que nos levam a dizer sim ou não. Quanto mais fiéis formos àquilo em que genuinamente acreditamos e àquilo de que realmente gostamos, mais fiéis permanecemos a nós próprios. No fundo, criar a nossa própria história passa por fazer escolhas que sejam verdadeiras para nós e por aceitar que a história de cada pessoa é diferente.
Construiu uma carreira através de personagens intensas e complexas. Que tipo de histórias lhe interessam mais neste momento?
O que mais me interessa é tentar trazer algo de novo a cada projeto. Enquanto ator, queremos naturalmente explorar histórias complexas, com várias camadas e, talvez, um pouco inesperadas. Ao mesmo tempo, os projetos pelos quais nos sentimos mais atraídos nem sempre são os que têm maior sucesso comercial. Há uma expressão em Hollywood: “Two for them, one for me” [“Dois para eles, um para mim”]. Acho que há alguma verdade nisso. Para mim, trata-se de encontrar um equilíbrio entre projetos maiores e mais comerciais e outros mais pessoais, garantindo, ao mesmo tempo, que não perco de vista as razões que me levaram a querer ser ator.
Como aborda a construção de uma personagem e quanto de si próprio leva para cada papel?
Sinceramente, não tenho um método definido. Por vezes, identificamo-nos imediatamente com uma personagem; noutras ocasiões, parece-nos completamente distante de nós e é apenas através do processo de trabalho que acabamos por descobrir paralelismos inesperados. É algo muito orgânico. Com o passar do tempo, aprendi a confiar muito mais nos meus instintos. Acho que é aí que percebemos que uma personagem realmente tomou conta de nós. Se começamos a sonhar com aquilo em que estamos a trabalhar, sabemos que estamos envolvidos com esse trabalho a um nível muito profundo. Por isso, suponho que continuo a trabalhar nas minhas personagens mesmo quando estou a dormir.
O que faz com que uma peça de roupa pareça verdadeiramente intemporal?
Quando continua a ser relevante anos depois de o termos usado pela primeira vez. É preciso ter a ousadia suficiente para não ser aborrecido, ao mesmo tempo que se cria algo de uma forma que não pareça datada. No fundo, trata-se de encontrar algo com que nos sintamos confortáveis, que possamos usar em diferentes ocasiões e conservar durante anos, continuando a gostar da peça.
A coleção baseia-se em peças versáteis, pensadas para diferentes momentos do dia. O que procura numa roupa que possa realmente fazer parte do seu dia a dia?
Antes de mais, tem de ser confortável. Depois, a qualidade dos materiais é muito importante. Para mim, a roupa também tem de ser discreta. Gosto de peças elegantes, mas simultaneamente sóbrias.
Existe uma certa atitude de “menos é mais” em Essentials. Essa ideia reflete a forma como se veste?
Sem dúvida. Aquilo que visto tem de desaparecer por detrás de mim. Para mim, tudo depende realmente da forma como usamos uma peça de roupa. Acho que tem muito a ver com a atitude de quem veste a roupa. Há pessoas que conseguem usar algo incrivelmente exuberante e, ainda assim, transmitir discrição. Suponho que essa seja a magia do estilo pessoal.
Acha que o estilo pessoal tem mais a ver com a roupa em si ou com a forma como a usamos?
Diria que 80% depende da pessoa e 20% da peça.
A coleção deixa espaço para a individualidade, em vez de definir um visual específico. Quão importante é essa sensação de liberdade na forma como se veste?
Na verdade, é fundamental. Caso contrário, acabamos por desaparecer por detrás do criador ou da peça que estamos a usar. Há pessoas que gostam genuinamente disso; a sua identidade está na roupa. Para outras, a identidade vem primeiro e a roupa torna-se simplesmente parte da forma como se expressam. Depende realmente de cada pessoa.
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