Estilo / Moda

Venda uma peça usada da Burberry e seja convidado para um chá

A Burberry está a incentivar clientes a venderem roupas usadas da marca online, uma medida que pode ajudar a atrair consumidores na época natalina bem como os ambientalmente conscientes.

Foto: Instagram @burberry
10 de outubro de 2019

Numa rara parceria entre uma marca de moda e o crescente mercado de produtos de luxo usados, a Burberry fechou um acordo com o site RealReal. Clientes dos EUA que ofereçam um item usado da Burberry no portal durante a temporada de festas serão convidados para uma sessão pessoal de compras e a tomar chá numa das lojas da fabricante britânica, famosa pelos seus casacos.

As marcas de luxo europeias controlam há muito tempo com unhas e dentes a distribuição e evitam até reconhecer a existência de um mercado para produtos usados. Ultimamente, no entanto, algumas começaram a apontar que as revendas tranquilizam os clientes sobre o valor duradouro dos seus produtos. A Richemont, proprietária de marcas de relógios e joias, como Cartier e Jaeger-LeCoultre, comprou o site de revenda Watchfinder no ano passado, acenando para a crescente importância do mercado secundário.

Outros tentaram combater este segmento, como a Chanel - que processou o RealReal e outra loja de consignação, alegando que vendiam produtos falsificados. A Chanel também argumentou que a estratégia do site de promover "produtos autênticos" constitui uma violação de marca registada. O RealReal negou as acusações.

"Não vemos a revenda como uma ameaça", disse Pam Batty, vice-presidente de responsabilidade corporativa da Burberry. "Queremos aumentar a consciencialização sobre as diferentes opções que os clientes têm quando desejam atualizar o seu guarda-roupa."

A revenda online de artigos de luxo cresce a uma taxa de 50% ao ano, segundo o analista da Jefferies Flavio Cereda.

Risco de canibalização

"Existe algum risco de canibalização, especialmente no nível mais baixo", disse Cereda, mas "as marcas inteligentes estão a adotar isso ou pelo menos a tentar descobrir como se envolver".

Para a Burberry, cujas vendas nas Américas têm diminuído constantemente desde 2015, a parceria também poderia ajudar a trazer antigos clientes de volta às lojas num momento crucial, já que a moda está a remodelar a sua estética com um novo estilista, Riccardo Tisci.

A marca também enfrentou escrutínio depois ter sido revelado de que a empresa destruiu cerca de 35 milhões de dólares em produtos não vendidos. Desde então, a Burberry disse que suspenderia a prática.

"Consideramos este piloto complementar à nossa estratégia mais ampla de transição para uma economia circular", disse Batty, citando esforços para ajudar os clientes a consertarem peças com defeito e a usarem mais embalagens recicladas.

Saiba mais burberry, realreal, parceria
Relacionadas

O top 7 para elas

O inverno de 2019 será uma estação de contrastes. Se por um lado os designers enalteceram uma burguesia tradicional, por outro deslumbraram com os vibrantes anos 80, tudo em nome de uma mulher que sabe o que quer.

Mais Lidas
Guia de Compras Polo: o clássico renovado

Com as suas raízes desportivas, continua a ser uma peça essencial em qualquer guarda-roupa masculino que se preze. Esta estação é mesmo fundamental tanto na cidade como num fim de semana mais descontraído (mesmo que o ténis não esteja nos planos).