A roupa que já não queremos também conta uma história
E se aquilo que deitamos fora pudesse voltar a falar connosco? É a partir de uma tonelada de roupa descartada que Tales Frey constrói duas exposições em Portugal.
Quando compramos roupa, pensamos em como nos vai ficar, na cor, no tamanho. Quando a deitamos fora, deixamos de pensar nela por completo. Sai do armário, desaparece do nosso campo de visão e, de certa forma, deixa de existir. Mas essa roupa continua a ser tecido, continua a ocupar espaço no mundo. E, antes de se tornar “lixo”, cada uma destas peças esteve junto a um corpo, acompanhou dias bons, dias maus, viagens, encontros e mudanças.
Aqui surge a principal questão destas obras: Afinal, para onde vai tudo aquilo que já não queremos?
Em setembro, o artista apresenta duas exposições individuais em Portugal que têm como ponto de partida centenas de quilos de roupa abandonada. No total, cerca de uma tonelada de peças rejeitadas transforma-se em esculturas e instalações que questionam a nossa relação com o consumo, a memória, a identidade e, inevitavelmente, o fast fashion.
A primeira paragem é Guimarães. A 12 de setembro, o CAAA – Centro para os Assuntos da Arte e Arquitectura recebe "Quando um Corpo já não está presente", exposição construída a partir de roupa recolhida em contentores urbanos do norte do país.
Ao retirar a roupa do circuito do lixo e colocá-la dentro de uma galeria, Frey cria um certo desconforto e aquilo que normalmente queremos que desapareça passa a ser aquilo para que somos convidados a olhar.
Há duas décadas que Tales Frey investiga as relações entre o corpo, vestuário e performance. Professor e investigador auxiliar na Universidade do Minho, o artista desenvolveu o conceito de “indumento performativo”, através do qual pensa a roupa como extensão simbólica do corpo e como ferramenta de participação social.
É também essa ideia é apresenta na exposição "Em Suspensão", a segunda que apresenta. A inauguração acontece a 25 de setembro, Dia Nacional da Sustentabilidade, no Museu Nacional do Traje, em Lisboa, que está temporariamente encerrado para obras, mas que abre excecionalmente para receber esta exposição.
No dia da inauguração, Tales Frey conduz ainda a palestra "Indumento Performativo: corpo, memória e resistência na arte contemporânea", onde percorre vinte anos de trabalho. No universo do artista a roupa não é apenas aquilo que vestimos. Pode ser uma máscara, uma memória, uma declaração política, um estado de espírito. Ou, como nestas duas exposições, aquilo que resta quando já não queremos olhar.
As exposições fazem-nos parar e pensar que não existe propriamente um "deitar fora". As coisas não desaparecem, vão apenas para outro lugar. E, neste caso, aquilo que foi deixado num contentor regressa à nossa frente transformado em arte carregando consigo o peso que o fast fashion cria no nosso mundo.
QUANDO UM CORPO JÁ NÃO ESTÁ PRESENTE
CAAA – Centro para os Assuntos da Arte e Arquitectura, Guimarães
12 de setembro a 31 de outubro de 2026
EM SUSPENSÃO
Museu Nacional do Traje, Lisboa
25 de setembro a 29 de novembro de 2026
PALESTRA — INDUMENTO PERFORMATIVO: CORPO, MEMÓRIA E RESISTÊNCIA NA ARTE CONTEMPORÂNEA
25 de setembro de 2026
Museu Nacional do Traje, Lisboa
O verdadeiro luxo é ter tempo
Para se sentar à mesa, aproveitar um grande almoço típico alentejano, descobrir a paisagem e celebrar em boa companhia são os lemas da Casa Relvas. Tudo isto sempre com um bom vinho a acompanhar.
Nigéria meets Texas: as peças de Dozie Kanu para a Knoll
Uma viagem pelas origens do artista que gosta de brincar entre a escultura, a instalação e o design industrial. Vive em Santarém, mas a Must falou com ele em Lisboa, onde as pode encontrar.
O rio como mesa na alta gastronomia flutuante do The Largo
Sob a orientação do chef Nuno Mendes, o aclamado restaurante do boutique hotel The Largo torna-se o primeiro no Porto a levar a sua identidade culinária a bordo do M/Y Largo.
Os cientistas descobriram o número mágico por uma boa causa: previnir o cancro de próstata.
A abstenção de bebidas alcóolicas não é sentida da mesma maneira por toda a gente, pois irá depender do consumo regular de cada indivíduo. Mas para quem bebeu mais do que devia nos últimos tempos, saiba que o Dry January tem de facto efeitos muito positivos no organismo, da regeneração do fígado à capacidade de concentração.
O jejum é uma prática defendida por vários estudos, mas será que correr com o estômago vazio elimina a gordura de forma mais eficaz? Especialistas em desporto respondem.
Um cirurgião plástico aplicou a várias celebridades a técnica renascentista usada para alcançar o rosto perfeito.