Joe Biden, que tem 77 anos, foi candidato presidencial, pela primeira vez, há dezasseis anos. Nunca tinha ganho em nenhum estado federado. Sábado foi a primeira vez, na Carolina do Sul. Concorreu, pela primeira vez, à nomeação como candidato dos outros democratas às eleições presidenciais, em 1988 (ou seja, já mais de 30 anos). Voltou a concorrer em 2008, também sem sucesso. Foi senador desde há vinte anos.
Bernie Sanders, com 78 anos, começou como mayor há quase 40 anos. É congressista há 30 anos, no Senado desde 2007. Já concorreu às primárias em 2015 e perdeu.
Donald Trump é o mais novo dos três: 73 anos. É figura pública nos negócios, na televisão, na chamada vida social, desde há décadas.
Ora, os Estados Unidos são um país jovem quando comparados com os de outras regiões do mundo, como a Europa e a Ásia. Como perceber, então, esta atração por políticos mais velhos? Verdade é, como se vê, que não existe “racismo etário” nos EUA.
Não estou com isto a defender que o melhor é as sociedades serem governadas por pessoas com longa intervenção pública e/ou política. Lembro, aliás, que ali bem ao lado, no Canadá, o primeiro-ministro tem 48 anos e iniciou funções já há cinco. Respeito tanto essa opção quanto a dos americanos. O que considero importante é que não existam preconceitos e que ninguém seja esconjurado por tais motivos. Pode haver gente muito capaz com trinta e com setenta. Ou até com 20 e até com 80 mas aí, em altos cargos, estaremos perante exceções.
Já agora, voltando aos EUA: Elizabeth Warren tem 70 anos e Michael Bloomberg tem 78.
Já lá andam alguns “aspirantes a candidatos” bem mais novos como, por exemplo, entre outros, Pete Buttigieg, que tem 38. Já desistiu, porque os eleitores deram mais força a Sanders e a Biden, nomeadamente, no caso do primeiro, os das mais jovens gerações.
Não sei como os teóricos do politicamente evidente conseguirão explicar isto. Mas que é assim é. Têm de se conformar porque os seus preconceitos raramente conseguem que a realidade lhes dê razão.
Repito: não defendo governos de anciãos nem de jovens, nem de gente de meia-idade. Odeio, isso sim, preconceitos, especialmente dos chamados progressistas.

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